1008,50 já foi. “Só” falta a outra metade de 2017!

Reforma em foco no consolidado do semestre.

Há aproximadamente seis mil e novecentos dias, considerando-se a sensação temporal convencional, começava o ano de 2017. Tudo parecia caminhar para um ano espetacular no nosso tão combalido país.

Ibovespa começou o ano com toda força. Em 51 dias, saímos dos 60.000 para ultrapassar os 69.000 pontos. A reforma estruturai sendo endereçada, os primeiros sinais de retomada da confiança e da atividade apareciam nos radares daqueles que olhavam com atenção os movimentos microeconômicos. Enfim, lá foi o carnaval, a quaresma, o coelho da páscoa… todos eventos preparatórios para a mistura de Dia das Bruxas com Ano-Novo, desta vez, ocorrido em 17 de maio.

Faltava tão pouco. As votações para a previdência estavam logo ali, a reforma trabalhista, fundamental para recuperação do emprego, da liberação de uma série de contratações e projetos que geram renda, produção, arrecadação e atividade. Se não podemos garantir que Joesley é um delator seletivo, certamente as divulgações foram. Conforme trouxemos em carta aberta na fatídica noite, entendemos que nosso Presidente expôs a instituição Presidência da República e deu oxigênio, força e armas a uma oposição enfraquecida, quase que triturada pela chuva de comprovações de malfeitos e desvios. Quebrou-se a imagem de Aécio Neves, de Michel Temer e agigantaram-se aqueles que lutavam simplesmente para sobreviver politicamente e manter a liberdade, no sentido mais básico da palavra. Rocha Loures, Janot, Vaccari, Gilmar e afins viraram protagonistas, mas estão sendo eliminados do futuro, lentamente é verdade, mas estão.

Desde lá, tudo mudou? Sim e não. O índice Ibovespa encerrou a semana, que encerrou o mês, que encerrou o trimestre e o semestre 1302 pontos acima do fechamento do pregão do dia 18/05 – o dia dos circuit breakers, mas 5.785 pontos abaixo da tarde ainda feliz do dia 17/05. Gestores correram reconstruir estratégias, muita gente catando os cacos do estrago. Limites de stress testados e um ritmo diferente, mais seletivo, um tanto cético, tomou conta do mercado.

A seletividade tornou-se ainda mais importante. O ano no qual o fundamento venceria o fluxo não poderia ser mais emblemático. Mudanças começaram a acontecer com velocidade incrível. TSE, STF, PGR, MPF, PF, TCU, o projeto todo SIFU. A sopa de letrinhas daqueles que comandam um transatlântico que morre de medo de virar uma Nau à deriva, traz muito mais incertezas do que convicções.

Mas o transporte coletivo da economia segue em ótimas mãos. Fazenda e BC vêm fazendo sua parte. A economia real parece viver cada dia mais descolada da política, que por sua vez, anda cada vez mais colada na polícia. Aqui há uma notícia excepcional e outra ruim. Do lado positivo, a não contaminação da retomada, mesmo com o susto (forte) pelos escândalos recentes, já mostra alguns sinais sólidos, como o PIB do primeiro trimestre e os dados da PNAD contínua, divulgados hoje e que mostram uma aparente inflexão na curva do desemprego. Do lado negativo, mostra uma sociedade exausta e incrédula, que simplesmente parece não ter mais em quem confiar.

Quando da mais alta corte do país emana a sensação de impunidade, de justiça seletiva e da falta de limites para o inacreditável, abala-se a disposição para engajamento e mobilização da sociedade civil. Brasília segue no modo “salve-se quem puder” e nós aqui, trabalhando, produzindo e investindo.

Apesar de vocês, amanhã há de ser, outro dia.

Virou quase consenso entre gestores, que as alocações em NTN-B’s mais longas podem representar mais risco do que aquelas com vencimentos até 2024. Nosso time segue crente em um processo desinflacionário muito consistente e vê no Banco Central um time tecnicamente sólido e ciente do seu papel no atual momento da economia. O time de Renda-Fixa tem adaptado estratégias que mantém a visão estrutural de longo prazo, afinal, nunca achamos que seria fácil, mas sim, denso o processo.

Balança de pagamentos cada vez melhor, mesmo que por razões não necessariamente ótimas. Importações desabaram. Mas e daí? No meio do tiroteio, ter um porto seguro vindo da relação cambial não é nada mal. Segue nossa visão de estabilidade nas relações Real e Dólar, sem grandes choques no horizonte de curto prazo.

Voltando à Bolsa e aos fundos, os papéis com fundamentos sólidos têm navegado melhor em meio à tempestade. O terror recente sobre commodities, principalmente o minério, dissipou-se nos últimos dias, abrindo espaço para recuperação importante de papéis de empresas como Gerdau e Vale. Esta última muito próxima de uma reorganização que pode melhorar substancialmente sua governança e trazer as ações, limitadas às ordinárias, para um comportamento mais próximo de seus fundamentos.

As oportunidades chamadas fora do radar consolidam-se como as melhores alternativas para quem deseja “bater o mercado”, lembrando que se Bolsa não é Casino, e de fato não é, também não deve ser comparada a um show de mágica. O tempo joga a favor daqueles cujas escolhas são efetivamente fundamentadas. Nossa equipe de Renda Variável tem exemplos de grandes “sobreviventes” da primeira metade de 2017 e que devem seguir mostrando força na segunda parte do ano. Anima Educação (ANIM3) +20% no ano. Movida (MOVI3), 33%. Sanepar (SAPR4), mesmo com o terror sobre os papéis de saneamento, segue positiva em 2017 e acumulando 125% em 12 meses. Azul (AZUL4), chegou à Bolsa voando alto pós-IPO e promete ir ainda mais alto.

Tem mais, muito mais para vir. Se 2016 pareceu durar quatro anos, este ano é coisa para bater o recorde de viradas de jogo.

Brasil!
Mostra tua cara
Quero ver quem paga
Pra gente ficar assim
Brasil!
Qual é o teu negócio?
O nome do teu sócio?
Confia em mim

Não importa o ritmo, a vida segue e não se constrói nada extraordinário com esforços ordinários. O Brasil tem saída e estaremos todos lá!