2018: O ano do Julgamento

Como time, nessa semana tivemos a oportunidade de participar de uma palestra, aqui em nosso escritório, com um experiente jornalista político. O objetivo foi discutir os diferentes cenários políticos para 2018.

Para quem gosta do mundo acionário, da economia, da política, ou simplesmente se importa com o país em que mora, foram mais de duas horas apaixonantes em que repassamos o passado e também o presente. Mais do que em fazer uma predição, o valor do exercício esteve em poder entender o racional por trás de alguns eventos, e como eles poderiam configurar alguns padrões em um contexto sobre o qual só temos a certeza da imprevisibilidade.

Novamente, quem está olhando de dentro pode pensar que estamos no meio de um balão de gatos, em que se repete o velho dilema “é agora ou já era”. Será? Já que, para quem olha de fora, o balão sempre foi uma bagunça carnavalesca na qual ou você entra e se funde (desfrutando a festa até quando for possível), ou fica longe.

Seria nossa história um fator para nos sentirmos envergonhados ou orgulhosos? Essa será uma longa e interminável discussão. Porém, provavelmente encontraremos, igual a todos os países do Mundo, pontos dos quais nos sentiremos felizes e outros que gostaríamos esquecer ou aprender para não voltar a cair neles novamente.

Discussões como essas podem acontecer conosco diante de eventos específicos que poderiam mudar o rumo das coisas. Contudo, devemos ter cuidado com deixar que um pequeno evento nos impeça de ver o panorama completo. Assim, por mais que o julgamento do ex-presidente Lula seja o foco das atenções para os próximos dias, devemos tentar entender as implicações, o que está em jogo ou quais são os interesses de diferentes grupos de poder.

O que pensa o nosso especialista? Que, apesar da imprevisibilidade, o ex-presidente provavelmente será condenado, o que não assegura que será preso nem que sairá do cenário político de curto prazo, possibilitando até uma candidatura presidencial (baixa chance).

Contudo, isso não necessariamente significará que ele tenha o verdadeiro interesse de se apresentar à presidência, que consiga ganhar, ou mesmo que, em um eventual trunfo, isso seja o Apocalipse macroeconômico. Por quê?

Porque devemos entender o contexto histórico que nos trouxe até este ponto. Basicamente, já viemos de um período de instabilidade, em que a queda de um governo demonstrou que no Brasil não funcionam blocos radicalizados, sejam de direita ou esquerda.

Independente do viés, quem teve sucesso foi capaz de montar grandes coalizões que incluíam o centro e a subsistência sempre dependeu da evolução positiva da economia. Uma economia fracassada e um centro excluído são parte da receita certa para a insustentabilidade de qualquer regime.

Assim, além de saber aproveitar ciclos externos, de manter as contas públicas sadias, o trabalho do líder do sistema político é lidar com diferentes grupos de poder, tais como o Congresso, empresários, investidores, Brasília, São Paulo, Minas Gerais e o Nordeste.

Ou seja, ao mesmo tempo em que a dependência do poder executivo é alta, a exigência de um equilíbrio por parte desses grupos é contínua.

Desse jeito, uma eventual candidatura de um Lula enfraquecido teria o inconveniente de deixar muito espaço para o ataque de outros grupos. No entanto, se ele quiser ter futuro, deveria inclui-los e manter os bons fundamentos macroeconômicos. Ou seja, algo mais parecido com o seu primeiro governo.

Com uma fraqueza intrínseca, que seria repassada a qualquer outra candidatura da esquerda, o foco estaria nas eventuais candidaturas de centro-direita.

Eis aqui o problema de um candidato como Bolsonaro, mais radicalizado à direita, que correria o risco de afastar o tão necessário centro político. Portanto, o cenário ficaria à mercê de personagens tradicionais como Alckmin, Meirelles ou de outsiders como Doria ou Luciano Huck.

Haveria espaço para outsiders? Dificilmente, pois o sistema político joga a favor de partidos políticos com história e de coalizões. Assim, mesmo alguém que teve potencial, como João Doria, pelo fato de ir contra os partidos e se afastar do mandato inicial, terminaria atirando no próprio pé.

Já no caso do apresentador Huck, é interessante que nosso palestrante comentava que ele não é tão outsider e não está tão fora do establishment. Por um lado, ele contaria com aliados fortes do ponto de vista macroeconômico, como Armínio Fraga. Por outro, conta com grande carisma e talvez com uma habilidade ou inteligência política para aparentemente se afastar do jogo, testando se realmente tem oportunidades, minimizando o risco pessoal.

Portanto, apesar de não descartar o fator Huck (baixa ocorrência), ele minimiza o potencial disruptivo.

O cenário mais provável é que termine havendo uma candidatura de centro-direita que convoque a grandes grupos em torno de uma melhora de confiança macroeconômica. Para isso, o ponto chave seria a aprovação de uma reforma da Previdência, mesmo que morna, a qual daria mais força a Henrique Meirelles como chapa de um político mais tradicional, como o tucano Geraldo Alckmin.

Desse jeito, diante de eventuais acontecimentos de incerteza da próxima semana, é bom a ciência de que são ótimos, após vermos uma recuperação macroeconômica, e de termos passado por um período de alta instabilidade política, os incentivos estarem alinhados na direção de manter a máquina rodando.

Aparentemente a dúvida é quem irá fazê-la rodar e com qual velocidade.

Gostaria muito de saber a sua opinião no meu Twitter (@HerreraCondor) e no email [email protected].

Um grande abraço!

Carlos Herrera

Embraer (EMBR3): Cada um quer a sua “fatia dourada” – Alvaro Frasson, CNPI.

Nesta quinta-feira (18), após o fechamento de mercado, a agência de notícias Reuters publicou que as companhias iniciaram conversar para a criação de uma nova empresa, no qual a Boeing teria o controle.

Este é um movimento que agrada ao governo brasileiro, uma vez que continua com sua Golden share na Embraer e, principalmente, mantém a tecnologia desenvolvida para a segurança aérea sob o interesse nacional. Vale ressaltar que, se o movimento fosse o contrário, operação não poderia ser concretizada, pois mesmo sem Golden share sobre a Boeing, o governo americano tem o direito de vetar movimentos estrangeiros que coloquem em risco questões de segurança nacional.

Portanto, a novela entre Boeing e Embraer parece estar longe do fim. Entendemos que o movimento, seja de compra ou de parceria com a Embraer, é fundamental para a Boeing, que vê a Airbus conquistando mercado com mais ímpeto, após a parceria com a canadense Bombardier. Manteremos vocês informados através de nossa série InspirAções.

Cielo (CIEL3):  Continua a concorrência acirrada – Vitor Mizumoto, CNPI

Em aparente resposta ao movimento agressivo da fintech PagSeguro, que espera captar R$ 6 bilhões em seu IPO na bolsa de Nova York para continuar crescendo, a Cielo realizou a aquisição de participação na Stelo, na qual a companhia já detinha 30% das ações, o que foi elevado para 100% após o pagamento de R$ 87 milhões pelas ações adicionais.

Por meio da Stelo, a Cielo espera avançar no nicho de operações e administração de comércio eletrônico, o que pode acelerar a expansão da companhia dentro do universo de pequenos empreendedores, que são o foco da empresa adquirida.

O movimento se materializa em um momento de forte acirramento da competição entre operadores de meios de pagamento tradicional, que, liderados por companhias como a Getnet (controlada pelo Santander) e, mais recentemente, o SafraPay (do Banco Safra), tem dificultado a perpetuação do reinado da Cielo no setor.

Dada toda esta evolução concorrencial, não perca nossa próxima atualização de estimativas para a companhia.

Copasa (CSMG3): Mais oxigênio para a companhia de águas! – Elaine Rabelo, CNPI

Nesta semana emitimos mais um relatório da safra de debêntures que estreiam 2018. Foi o caso das debêntures incentivadas da COPASA – Companhia de Saneamento de Minas Gerais, que pretende captar R$ 268,0 milhões com a emissão em duas séries. Os títulos possuem remuneração teto de Tesouro IPCA24 +0,40% aa. e Tesouro IPCA24 + 0,55%, com vencimento máximo de 8 anos.

Controlada pelo Estado de Minas Gerais, com 51,2% das ações totais, a Copasa detém uma extensa área de concessão, cobrindo cerca de 636 municípios dos 853 municípios do estado. A Copasa é favorecida pelo elevado índice de cobertura em sua região de atuação, atendendo aproximadamente 91,3% da população no fornecimento de água e 78,3% na coleta de esgoto da região. Além disso, cerca de 72% de sua receita refere-se ao segmento residencial, considerado menos volátil. Com faturamento de R$ 3,2 bi e geração de caixa de R$ 1,02 bi até Set17, a empresa se destaca pelo robusto fluxo de caixa e resiliência de resultados.

Para saber mais sobre a companhia e a recomendação para a emissão, que tem encerramento do período de reserva em 22Jan18, acesse o relatório completo através do produto mais completo de Renda Fixa do mercado.

Construção Civil e Real Estate (DIRR3, MULT3): Perspectivas melhorando – Raul Grego, CNPI

Direcional e Multiplan divulgaram prévias operacionais do 4T17 que confirmaram as boas perspectivas do setor diante de uma retomada macroeconômica.

Direcional (DIRR3): O crescimento de lançamentos foi de 43% frente ao 4T16, +35% em vendas líquidas. Muito bons números para a empresa que está mudando o foco dos empreendimentos. No ano de 2017, cresceu vendas líquidas em 80% frente ao ano de 2016, com destaque para o segmento de MCMV 2 e 3 (mesmo que a Tenda e a MRV atuam).

Multiplan (MULT3): O crescimento no indicador SAS foi de 3,6% no trimestre e acumulou o ano com crescimento de 6,8%. Importante indicador para as vendas do varejo. A taxa de ocupação dos shoppings da Multiplan ficou estável em 97,6%. A empresa é a mais cara do setor, mas também a melhor operadora de shoppings e a mais resiliente.

Em ambos setores enxergamos oportunidades atraentes, uma das quais se encontra na nossa série Liberdade em Ação, liderada por Carlos Herrera e que busca apresentar oportunidades de criação de patrimônio no longo prazo. Não percam!