2019: Como vai ser a economia no governo Bolsonaro

2019: Como vai ser a economia no governo Bolsonaro

O ministério da Economia, que será comandado por Paulo Guedes no governo do presidente eleito Jair Bolsonaro, promete o controle dos gastos públicos, novos acordos comerciais e medidas para fomentar o empreendedorismo no Brasil. Mas a jornalista Thaís Herédia alertou que existe uma ponte frágil para Guedes atravessar: a reforma da previdência. Herédia e nosso estrategista-chefe, Adeodato Netto, fizeram um bate-papo no TV Eleven sobre as perspectivas para a economia e para o governo Bolsonaro em 2019.

“A estrada está pronta, mas ela só chega até a ponte, que é a reforma da Previdência”, completa a jornalista. A estrada mencionada foi construída pela equipe econômica formada no governo do Presidente Michel Temer, que atuou não somente nas questões fundamentais macroeconômicas, como na implementação de uma agenda relevante e eficiente de medidas microeconômicas.

Mais do que isso. A equipe econômica preparou o terreno para que a reforma da Previdência fosse aprovada. Segundo Adeodato, profissionais como o secretário do Tesouro Nacional, Mansueto Almeida; o secretário da Previdência, Marcelo Caetano; o secretário de Política Econômica, Fabio Kanczuk, e muitos outros trabalharam na formação de consciência parlamentar sobre a gravidade do problema fiscal, de onde ele vinha e como ele deverá ser endereçado.

Para Herédia, essa equipe teve um espírito público que o Brasil não via há cerca de 20 anos. “O Ilan Goldfajn [atual presidente do Banco Central] arrumou a casa. Agora chega o Roberto Campos Neto [futuro presidente do Banco Central] para fazer operação de liquidez, cambial, sintonia fina de juros”, falou. Mas a jornalista contrapôs que a equipe de Bolsonaro é formada por muitas pessoas que nunca participaram da vida pública, o que pode dificultar a aprovação das propostas, até mesmo porque desconhecem algumas particularidades do regimento.

No entanto, essas mudanças fazem parte das promessas de campanha do presidente eleito. Bolsonaro está cumprindo as propostas de diminuir a participação de políticos no governo e quebrar o sistema do “toma-lá-dá-cá”. Nosso estrategista-chefe ressaltou que os integrantes da equipe econômica terão que sentir o terreno. “A solução vai ser dura, vai ser lenta”, disse.

Primeiras medidas de Bolsonaro

Antes mesmo de ser eleito, Jair Bolsonaro autorizou que os futuros integrantes do governo conversassem com a equipe econômica do presidente Michel Temer para aprovar a reforma da Previdência já em novembro ou dezembro de 2018. Mas a reforma, no modelo proposto, acabou sendo descartada. Agora muito se estuda quais as primeiras medidas que o presidente eleito deve tomar.

“Bolsonaro poderá ser forçado a tratar fluxo antes de estoque. Não é o que deveria, mas é um caminho alternativo para preparar o ambiente”, afirmou nosso estrategista-chefe, que acredita nas privatizações como primeiras medidas de Bolsonaro. Mas elas não devem incluir Caixa Federal, Petrobras ou Banco do Brasil, de acordo com Adeodato. “Tem mais um sem-número estatais ineficientes. Privatizar evitaria que o governo financiasse deficitárias e endereçaria o problema fiscal, nas frentes em que o governo tem autonomia e velocidade para fazer”, acrescentou. Segundo o jornal Folha de S.Paulo, o presidente eleito poderá executar privatização dos aeroportos Congonhas e Santos Dumont, mas só em 2022.

Tratar o fluxo das finanças públicas é cuidar do que entra e sai do cofre do governo. Já estoque significa que trabalharia as finanças públicas visando o longo prazo, via reformas estruturais que focam no equilíbrio fiscal estrutural.

Herédia acrescenta que, se a reforma da Previdência não for aprovada em tempo hábil de reverter a solvência pública, o custo fiscal continuará aumentando. “Se não fizermos a reforma, a única ferramenta vai ser a inflação”, disse a jornalista, que não acredita na votação da reforma no primeiro semestre de 2019, porque haverá muitos feriados e o afastamento de Bolsonaro por licença médica, devido à cirurgia para a retirada da bolsa de colostomia.

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