A Opep é nossa

Nesta quarta-feira, depois de saber da novidade, o preço do barril subiu 5% e contagiou outros ativos. Nós também pegamos carona na alegria.

Com menos óleo negro jorrando dos poços da Opep, parece que poderemos todos ser mais felizes. A decisão da organização dos maiores produtores de petróleo do mundo de reduzir a produção – de forma marginal – teve um efeito mágico nos mercados. A última vez que a Opep fez isto foi em 2008, ou seja, há oito anos. Desde então o preço do petróleo no mercado internacional foi caindo, caindo, até atingir a casa dos US$ 35. Nesta quarta-feira, depois de saber da novidade, o preço do barril subiu 5% e contagiou outros ativos. Nós também pegamos carona na alegria. O Ibovespa foi para 59.335 pontos, com alta de 1,67%.

O petróleo mais caro afeta diretamente as contas da Petrobras. Como a companhia vem mantendo os preços dos combustíveis muito acima do valor relacionado ao preço internacional que, quanto mais barato, mais envia o caixa da estatal. A correção que deve acontecer a partir de agora é saudável para o equilíbrio dos mercados e Pedro Parente terá que se ajustar a esta nova realidade. De tudo que ele já falou até agora, parece que está preparado para isso, sem que a Petrobras sofra uma nova fase de desequilíbrio. Do que é previsível, o máximo que pode acontecer de ruim é um adiamento da queda nos preços da gasolina e do diesel. 

No mês de setembro, o mercado de ações está mais devagar do que nos anteriores, com alta de apenas 2,5%. Mas quando se olha o ano todo até hoje, o índice acumula alta superior a 30%, mas abaixo do rendimento acumulado da Carteira Eleven. Ainda está difícil ultrapassar os 60 mil pontos e ficar de lá, para cima. A resistência tem muito a ver com tranca que segurou os mercados na decisão dos juros nos Estados Unidos. Aliás, os mercados vão continuar assim, reféns do FED e da Janet Yellen – faz parte do processo de normalização das condições monetárias depois de quase uma década de total anormalidade – qual seja: um mundo que convive com taxas negativas de juros, baixíssimo crescimento mundial e estouro dos gastos públicos para conter a crise que atingiu os mais ricos.

Nesta quarta-feira, para esquentar o debate, Yellen alimentou as expectativas para uma alta da taxa americana ainda este ano. Quem estimula o pensamento da chefe do FED é o mercado de trabalho dos EUA que vai de bem para melhor ainda. A taxa nacional de desemprego já está abaixo de 5% e, segundo Yellen, pode cair ainda mais já que a criação de vagas está acima do sustentável e pode levar a um superaquecimento da economia – alerta para a inflação que está, pelo menos até agora, comportada abaixo dos 2%.

O mercado de câmbio fechou antes do anúncio oficial da Opep, mas os rumores embalaram os negócios e o dólar fechou em queda de 0,28%, em R$ 3,22. Daqui de dentro a pressão veio para a formação da Ptax de final de mês, que é a taxa de câmbio usada para liquidação dos derivativos cambiais. Estamos todos de olho no encaminhamento das discussões sobre a PEC dos Gastos na Câmara dos Deputados e no resultado das eleições municipais no próximo fim de semana. O desfecho vai mostrar a nova relação de forças políticas no país depois dos estragos da Lava Jato e outras operações que vem caçando corruptos sem piedade – ainda bem.