ajuste fiscal: Abre o olho investidor!

Renda Fixa publicou uma extensa análise sobre emissores de CDBs, LCI's e LCA's, com nossa visão de risco para cada um e tese de atratividade.

Depois de passar em visita de médico pelo Brasil, os analistas do Fundo Monetário Internacional fizeram a prescrição: temos que fazer o ajuste fiscal e mexer naquilo que pressiona as contas públicas como a fórmula do salário mínimo e a vinculação dele com os benefícios sociais. Se os analistas do fundo precisassem de uma consulta num posto de saúde pública no Brasil entenderiam como a gente se sente ao receber um diagnóstico que conhecemos muito bem com a receita de um remédio caríssimo que não podemos pagar. O FMI está certíssimo! Podemos até aprovar a PEC dos Gastos e porque não reformar a previdência, mas se pararmos de tomar os remédios, a recaída não vai demorar a aparecer.

A colaboração do FMI para o nosso futuro chegou num bom dia – ou mau, depende do ponto de vista. A arrecadação federal sofreu um tombo de 10% em agosto, quase o dobro do que a queda de julho. Descendo morro abaixo sem freio, a arrecadação está provocando um estrago absurdo nas contas públicas. De janeiro a agosto, o déficit primário alcançou R$ 71,4 bilhões. Ele não só é o pior resultado da série em 20 anos como também é uma cratera aberta em nosso caminho, comparado com o que aconteceu em 2015. Neste mesmo período, o buraco havia sido de R$ 14 bilhões. Nessa toada, onde vamos parar?

A barreira de contenção é a PEC dos Gastos que, finalmente, parece ter sido acordada entre o governo e o Congresso Nacional. A votação na Câmara dos Deputados está marcada, a princípio, para 11 de outubro – a conferir. Mas sozinha ela não será nossa tábua de salvação. Aliás, estamos mesmo precisando de uma jangada gigante – já mudando a analogia do morro para a água. As eleições municipais precisam passar para que as coisas sigam com mais força. As votações acontecem no próximo domingo e a campanha tem sido marcada por uma violência crescente e assustadora – na baixada fluminense e no interior de Goiás ocorreram casos gravíssimos.

Sempre de olho em tudo mas alheio a muita coisa, o mercado financeiro acompanha o desenrolar das disputas municipais para entender como vai ficar a distribuição de força política no país depois dos novos prefeitos serem eleitos. O que a maioria quer é que o PT saia bastante machucado do pleito, corroborando o fim do mito de “único partido honesto do país” – Lava Jato que o diga.

O que está acontecendo de interessante e que tem estimulado, ou direcionado os negócios, está acontecendo lá fora. Os rumores sobre o Deutsche Bank crescem, arregalam os olhos e derrubam as ações do banco nos mercados internacionais. O medo com o futuro da instituição alemã contagiou as operações aqui no Brasil. O Ibovespa caiu 1,6% e escorregou de volta para 58.350 pontos. Em nosso podcast de amanhã abordaremos em mais detalhes a questão do gigante alemão. Mas para dar uma pitada, nos parece que a grande massa está vendo a fumaça sem ter idéia do que a causa de verdade. A volatilidade que tende a aumentar nos próximos dias abre oportunidades e demanda atenção redobrada. Foco!

A Petrobras também puxou o índice para baixo – o que não deveria acontecer com o preço do petróleo subindo. O problema é de gestão mesmo com fracasso do acordo com os funcionários da companhia que rejeitaram a proposta de acordo coletivo e aprovaram indicativo de estado de greve.

O dólar também teve um dia de bastante mau humor, seguindo a tendência que descrevemos no podcast desta quinta-feira (29). O rearranjo da liquidez de capital espalhado pelo mundo está se dando de forma pouco organizada e muito dependente do FED. Com o crescimento da economia americana acima do esperado, um mercado de trabalho superaquecido e uma ebulição política por conta da campanha de Hilary Clinton e Donald Trump, fica difícil ancorar a decisão dos investidores. O problema deles também acaba sendo nosso e do resto do planeta, mas não temos controle sobre nada e só nos resta esperar.

Enquanto isto, podemos refletir sobre as recomendações do bom e nada saudoso FMI – sem ressentimentos. Dentre todas, a última merece atenção: “medidas de transparência para combater a corrupção e lavagem de dinheiro” – neste caso já avançamos bastante, queridos analistas do fundo. Mas a turma não deixa barato e vocês não podem imaginar do que os políticos brasileiros são capazes de fazer para impedir que a justiça os alcance. Mas conte conosco, estamos a postos, de olhos cada vez mais abertos!