Barbosa pegue a senha!

Ninguém pode discordar da dominância da crise política sobre o Brasil. É mais difícil ainda questionar a gravidade da deterioração da economia brasileira.

Ninguém pode discordar da dominância da crise política sobre o Brasil. É mais difícil ainda questionar a gravidade da deterioração da economia brasileira. Mas não adianta gritar (lembra do ditado, “em casa que não tem pão”). Mesmo que o governo tenha escolhido ou elegido as melhores práticas para conduzir as contas públicas e o controle da inflação, não há foro privilegiado que assuma esta causa agora. Por isso, o anúncio feito na tarde desta segunda-feira (21) em Brasília, pelo ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, foi tão ignorado. Foi-se o tempo em que um anúncio do comandante da Fazenda parava o país. E olha que a crise atual é exatamente aquela situação em que o o condutor da política econômica merece todo holofote possível.

O problema é que a economia brasileira está no SUS. Precisa pegar a senha para ser atendida. Nem adianta apertar o botão de “urgência”, o papelzinho com o número não vai sair da máquina. Nelson Barbosa está naquela fila gigante que milhares de brasileiros enfrentam diariamente na tentativa de conseguir uma consulta, um exame, um comprimido. O mesmo vale para o que diz o Banco Central. Quem está fazendo o trabalho de controle da inflação é o aprofundamento da recessão. No relatório Focus da semana, os analistas ouvidos pelo BC disseram que esperam um IPCA mais baixo (7,46%) e um PIB mais afundado (-3,60%) em 2016.  

Quem não está surdo ao que diz o BC é o mercado financeiro. O último recado de Brasília veio para segurar uma queda mais forte do dólar contra o real. O BC retomou a estratégia dos chamados swaps reversos – em português, isso quer dizer que a autoridade monetária vai garantir a compra futura da moeda o que evita uma apreciação maior do real – a resposta veio rápido – o dólar fechou em alta de 0,80%, cotado a R$ 3,61.  Esta é uma nova batalha entre o BC e o mercado, e está só começando. Cada um dos lados vai tentar adivinhar qual o patamar para o dólar mais adequado para cada um dos objetivos – diminuir pressão sobre inflação, ajudar exportadores, segurar um movimento desvairado na aposta para um desfecho rápido para a mudança no governo.

E para você? Qual o melhor dólar? A Eleven pode não adivinhar o que se encaixa nos seus planos, mas pelo menos a gente indica os caminhos possíveis!