BNDES = Bolsa Não Desiste da Esperança na Saída

BNDES = Bolsa Não Desiste da Esperança na Saída

Durou trinta segundos o susto refletido no câmbio e no índice Ibovespa após o anúncio da renúncia da, agora, ex-Presidente do BNDES Maria Silvia Bastos. O principal índice da Bolsa brasileira fechou o dia em mais uma alta, desta vez de 1,36%, aos 64.085 pontos. O comportamento do mercado hoje foi muito importante. Em mais um dia de notícias no mínimo de interpretação complexa, fluxo e fundamento seguiram alinhados e os investidores mostraram que acreditam em uma saída para o imbróglio criado por Michel Temer e Joesley Batista. Sim, o sócio da JBS não fez sozinho!

O novo presidente do BNDES é Paulo Rabello Castro. Ótimo nome em nossa leitura. Economista com doutorado em Chicago, conhece profundamente as responsabilidades de um modelo solvente de gestão. Maria Silvia cumpriu um papel importantíssimo, principalmente fechando as torneiras dos recursos manipulados politicamente e com destinação, para dizer o mínimo, questionável. Por outro lado, por sua característica austera e rígida, acabou por trancar os cofres e retirando de circulação uma quantidade relevante de recursos, considerando que o país não tem alternativa viável ao financiamento de projetos de infraestrutura, principalmente.

Na visão de nosso estrategista-chefe, Adeodato Netto, “o BNDES saneou suas entranhas, mas não apagou seu passado. Maria Silvia não tinha razão para ficar à frente de um banco na iminência de ser devassado por investigações e ainda pressionada por diversos setores do governo para que soltasse uma corda que não parecia disposta a deixar fora do seu alcance. O Banco voltará a ser ferramenta de política pública, e não me refiro aos mal feitos do passado, mas na viabilização de projetos fundamentais para o retorno de uma agenda positiva. Para garantir que o bem seria feito, Maria Silvia precisou ir além, e o fez com absoluta convicção. Por fim, me parece mais uma demonstração de que Michel Temer está próximo do fim de seu ciclo no Planalto, e a renúncia de sua escolhida corrobora esta visão.

Ainda no cenário corporativo, Pérsio Arida anuncia saída do Conselho de Administração do BTG Pactual e que venderá su aposição acionária. Pode ser a pá de cal na história meteórica tanto na subida, quanto na derrocada do gigante idealizado por André Esteves. A chegada das investigações nos negócios da Petrobras na África podem ter extrapolado os limites do suportável para Pérsio e o risco reputacional deve ter alcançado níveis fora do aceitável. Péssima notícia para o Banco, que vinha tentando recriar sua posição como banco de investimento e ainda querendo abocanhar um suposto espaço que poderia ser aberto por clientes da XP, que diga-se de passagem, nem nos parecia um movimento efetivamente iminente.

A grande mensagem a ser absorvida é: podemos estar definitivamente limpando a sociedade. O caminho é longo, mas o expurgo não poderia acontecer sem dor.

Investidores internacionais seguem “comprando Bolsa” e os locais já nos parecem em compasso de espera, estado evolutivo do pânico registrado após a fatídica quinta-feira do circuit breaker. Se Brasilia ainda tem potencial para pôr a perder os ganhos estruturais recentes, cada dia mais, aqueles que tentam se segurar esquecendo do “bem  maior”, tendem a padecer de inanição. Assim, fluxo e fundamento podem seguir positivamente alinhados. A mensagem negativa da Moody’s que fechou o dia é mais um recado ao mundo político brasileiro e não àqueles que movem a economia real no caminho da recuperação.

Mercado cumpre historicamente papéis fundamentais nas principais decisões políticas, no Brasil ou em qualquer lugar do mundo. E agora, senhores do legislativo e do executivo, o grito vindo daqueles que movem a economia será cada vez mais ensurdecedor. Pensem no final de semana. Quem sabe com a nova semana não chega (mais uma vez), uma nova república.

Ótimo final de semana!