FED: Cada um com seus problemas

Está chegando a hora de o mundo saber o que vai escolher o FED – sobe agora ou não sobe agora os juros dos Estados Unidos.

Está chegando a hora de o mundo saber o que vai escolher o FED – sobe agora ou não sobe agora os juros dos Estados Unidos. É bem capaz da decisão do FOMC, a ser anunciada na próxima quarta-feira, ser pela manutenção da taxa entre 0,25% e 0,50%. Mas não vai ser nada simples explicar o porquê e mais difícil ainda sinalizar o que pode vir pela frente. Os mercados estão balançando para lá e para cá já faz semanas e têm elevado a volatilidade em todas as praças, inclusive no Brasil.

Neste início de semana, além de toda a ansiedade já instalada, temos todos que lidar com os sustos do caminho – que servem também como alertas de que a batalha pela normalização das condições monetárias do mundo não está ganha e existe ainda uma fragilidade por onde as economias caminham. Nesta segunda-feira (19) foi a vez dos alemães “causarem” com a performance das ações do Deutsche Bank. A ameaça da justiça americana de aplicar uma multa de US$ 14 bilhões pelos derivativos criados e negociados pela instituição pré-crise de 2008, jogou as ações do banco lá para baixo. Mesmo sabendo que um acordo pode reduzir o valor para menos da metade, o nervoso se instala. Não só com a preocupação sobre os efeitos diretos, mas também pelo possível contágio em outros bancos grandes do mercado dos gigantes.

O Ibovespa sobreviveu ao clima externo e fechou em alta de 0,47%, aos 57.350, mas com o giro baixo de negócios e uma certa preguiça no ar. No câmbio, o dólar foi mais maria-vai-com-as-outras e seguiu o mercado internacional, mas nada demais também.

A moeda americana é o termômetro das expectativas para o FED e ela vai sentir mais o golpe da volatilidade do que os outros ativos financeiros.

No ambiente doméstico, apesar da agenda estar recheada de dados, o país parece estar um pouco de ressaca de tantos “dias históricos”. O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles marcou presença em São Paulo nesta segunda-feira falando para a turma da indústria, em evento na FIESP, e depois para o grupo dos mais ricos e simpáticos do Brasil que foram ao almoço do LIDE, Grupo de Lideranças Empresariais criado por João Dória – que agora é candidato à prefeitura de São Paulo. Meirelles repete seu mantra sobre o ajuste fiscal e as condições para o crescimento. Mas, como notou a jornalista Thais Herédia em seu Blog no Portal G1, o tom dos recados mudou, principalmente para os governadores pidões e para os servidores públicos que querem reajustar seus salários como se vivessem numa bolha. 

“O chefe da equipe econômica mais coesa dos últimos anos, praticamente única fonte de credibilidade do atual governo, está sendo mais duro com aqueles que veem no Estado o eterno financiador geral da nação. Meirelles está lavando as mãos e devolvendo a quem é de direito, a responsabilidade sobre os problemas”, disse Thais que também é conselheira da Eleven Financial.

O lema de Henrique Meirelles está em fase de transição. Do “vai devagar que estou com pressa”, para o “ema, ema, ema, cada um com seus problemas”.