Comunicado sobre a questão da regulação na atividade de análise

Nascemos em 2015, em meio a um turbulento processo de destruição da nossa economia, com um mercado descrente da recuperação e carente de apoio. Chegamos para montar um modelo que demandava muito investimento, resiliência, convicção e disciplina.

Foi calçado na responsabilidade que fomos crescendo, levando a mesma técnica de análise que atende a investidores profissionais, gestores de recursos e assessores de investimento, para pessoas físicas no Brasil e fora dele.

Hoje, em função de manifestação pública da Empiricus, recebemos centenas de questionamentos sobre a nossa posição. De maneira muito clara, como sempre fizemos, estamos respondendo que:

  1. Não cabe à Eleven nenhuma atribuição de juízo de valor sobre a decisão estratégica de qualquer companhia, principalmente aquelas que não são objeto de análise de investimentos realizada pela nossa equipe;
  2. A Empiricus tem um modelo, que já se provou eficiente, sob a ótica do alcance e da dimensão alcançada pela empresa, mas que difere em pontos fundamentais daquele que fez nascer e crescer a Eleven;
  3. Entendemos que não cabe à nós, julgar a competência dos reguladores ou entidades específicas. Atuamos, absolutamente conforme as normas determinadas pela regulação vigente sobre a atividade à qual compreendemos, devemos estar submetidos;
  4. Trabalhamos muito próximos aos reguladores, no sentido de apresentar nossa visão crítica ao modelo, tentando contribuir para o crescimento do mercado de capitais brasileiro, aumentando sua credibilidade, confiança e sustentabilidade;

O mundo está em absoluta transformação. A velocidade da (des)informação é um desafio à capacidade de adaptabilidade das companhias nas mais diversas indústrias. Há uma verdadeira ruptura em curso na gestão, observação e regulação dos conflitos de interesse no universo dos investimentos e dos valores mobiliários mundo afora. A normatização apresentada pelo MFID-II*, tende a mudar para sempre a maneira como instituições financeiras e agentes envolvidos nas ofertas e ligados aos valores mobiliários cuidam dos conflitos e, especificamente na indústria de análise, como devem zelar pela isenção e independência. Na Europa, o MFID-II já está em vigência desde 01 de janeiro de 2018 e seus efeitos já mudaram diversas práticas no setor no mundo todo, em função da evidente integração dos mercados no mundo atual.

Nossa empresa nasceu muito próxima do investidor internacional e, em 2018, está ainda mais alinhada com as melhores práticas globais do mercado de investimentos. Esta é uma decisão estratégica e alinhada com o modelo de negócios escolhido pelos sócios da companhia e alinhado com membros independentes do nosso Conselho de Administração. Conselho este, que têm profissionais de organizações multinacionais e que são absolutamente engajados e comprometidos com as melhores práticas de adequação e compliance.

Crescemos rapidamente e estamos em constante evolução. Trabalhamos para evoluir de maneira ordenada e adequada aos melhores padrões de governança corporativa e responsabilidade que buscamos encontrar nos ativos que recomendamos.

Esta é a nossa proposta, o nosso modelo. Neste exato momento, e cumprindo mais um ciclo importante em nosso crescimento, estamos certificando todos os analistas recém-chegados à casa.

Outrossim, aqueles que esperam atitude repulsiva da Eleven àqueles que entendem de maneira diferente, certamente ficarão frustrados, uma vez que o respeito é a base das nossas relações com o mercado. É exatamente com este respeito que tratamos a todos os chamados stakeholders, ou seja, todos aqueles que tem interesse na indústria de investimentos e na economia, seja atuando dentro dela ou utilizando-a como ferramenta.

A chegada da ICVM 598 muda a dinâmica e ainda tem muito a evoluir. A Eleven pretende contribuir para as discussões na direção das melhores práticas, da isenção e da isonomia entre regulador e regulados. Mercados maduros não adotam práticas regulatórias draconianas, mas buscam modelos eficientes e equilibrados. Esperamos que a transformação pela qual lutamos na nossa sociedade e em nosso mercado seja refletida na determinação das práticas de nosso mercado.

CVM e Apimec têm a missão, e o dever, de encontrar modelos razoáveis de regulação das atividades, cujo foco deve ser essencialmente garantir o funcionamento equilibrado e ético dos agentes de mercado, uma vez que lidamos todos com patrimônios, tanto de pessoas físicas como jurídicas.

Seguiremos engajados, dentro das nossas convicções, no desenvolvimento do mercado, no crescimento e amadurecimento dos investidores e da indústria, mantendo a técnica, responsabilidade e independência que sempre marcaram a nossa companhia.

 

Adeodato Netto

Sócio-Fundador e Estrategista-Chefe

 

Raphael Figueredo

Sócio e Analista, CNPI-T

 

Maria Teresa Meyer

Sócia e Diretora-Geral

 

Eliane Trinca

VP de Recursos Humanos e Sustentabilidade da Volvo Cars do Brasil

Representante do Conselho de Administração da Eleven S/A

 

* Bibliografia sobre o MFID-II

 

https://www.esma.europa.eu/policy-rules/mifid-ii-and-mifir

 

https://www.thomsonreuters.com.br/pt/financeiras/mifidii-no-brasil.html

 

http://www.reply.com/br/content/mifid2-trazendo-volume-significativo-de-mudanca

 

https://www.bloomberg.com/quicktake/mifid-making-markets-fair