Curiosos e atentos

A operação Carne Fraca realizada no início desta sexta-feira pela Polícia Federal teve como alvo executivos da BRF e JBS.

O entra e sai da prisão do ex-ministro Guido Mantega tomou conta do dia no Brasil. A repercussão da forma como a Polícia Federal agiu acabou sendo mais importante do que o propósito e o mérito da decisão da justiça. Os policiais foram buscar Mantega no hospital Albert Einstein onde sua esposa se preparava para um procedimento cirúrgico. A ação se fragilizou e Sergio Moro decidiu revogar a prisão temporária do ex-ministro justificando que “ninguém sabia do estado de saúde da mulher dele”, que luta contra um câncer. Está vendo, até agora não citamos a causa da prisão – porque qualquer relato que se faça sobre este evento não consegue deixar de lado a celeuma que cresceu em torno da operação da PF.

Guido Mantega foi acusado por ninguém menos do que Eike Batista de ter pedido R$ 5 milhões para cobrir dividas da campanha de Dilma Rousseff. A operação Arquivo X, 34a fase da Lava Jato, ganhou este nome exatamente por causa do envolvimento de uma das companhias “X” do empresário carioca. A revogação da prisão de Mantega não vai revogar as acusações nem as constatações dos procuradores da justiça nem de Sérgio Moro, que comanda as investigações da “propinocracia” implantada no governo do PT.

E o mercado com isso? Nem “tchum”. Nesta quinta-feira (22) foi dia de continuar mastigando a decisão do FED de manter os juros dos EUA tomada na última reunião do FOMC. Também teve destaque o resultado do IPCA-15, divulgado pelo IBGE, que veio abaixo do esperado pela média dos analistas – 0,23%. Com arrefecimento do índice, aumentou a chance do nosso BC escolher a ousadia no lugar da prudência excessiva na próxima reunião do Copom em outubro. Ilan Goldfajn tem sido bastante cauteloso para sinalizar ou antecipar algum movimento do comitê. Ele está “segurando” as expectativas com linha de algodão e não de nylon. Tanto porque a fragilidade do mercado ainda é grande quanto porque a inflação está mesmo mais resistente a cair. Mas inegável que ela já está nesta trajetória e o BC terá que atirar no que não vê para acertar. Mas nossa leitura, vocês conhecem há tempos, ainda mais depois de reforçada no recente Relatório de Conjuntura de Setembro.

O dólar começou o dia em queda e depois reagiu às entrada mais intensa de compradores que apareceram para aproveitar a moeda a R$ 3,19. Por isso o câmbio fechou em alta de 0,45%, em R$ 3,22. Na bolsa o Ibovespa também seguiu o clima lá fora e não parou um segundo para prestar atenção no vai e vem de Guido Mantega na Polícia Federal. O dia terminou positivo em 1,03%, nos 58.994 pontos – tão perto e tão longe dos 60 mil. Petrobras e Vale foram destaque e elas têm força para influenciar também a trajetória do índice de ações.

Como tem acontecido com alguma frequência, as semanas começam com algumas promessas e terminam com muitas surpresas e dúvidas. Parece que o mercado está se acostumando com isso porque, mesmo que com a volatilidade ainda presente, os movimentos têm sido menos intensos, para alívio geral de todos nós. O Brasil está curioso sobre o que pode vir da caixa preta que guarda as investigações da Lava Jato – que parece estar longe do fim. E pensando bem… ainda bem!