E se Temer fosse Marshall?

Bolsa em alta e mercado feliz.

Em tempos difíceis economicamente falando, e com o cenário político deteriorado pelas trapalhadas dos governantes, além de um processo de impeachment em andamento, surgem, todos os dias, planos mágicos para salvar o Brasil.

Enquanto o mundo nos olha de maneira reticente e expõe nossas mazelas nas capas das principais publicações do planeta, há quem esteja estruturando planos de governabilidade e recuperação econômica atrelada a chegada de Michel Temer à Presidência da República.

Marshall, em 1947, precisava fazer com que o mundo, já naquele tempo dependente do comércio multilateral, voltasse a crescer no pós-guerra.

A Europa era um continente devastado em sua auto-estima, economia, produção e sobretudo, ainda dividido pelas cicatrizes deixadas pelos seis anos de confrontos. Seu plano criava, através de uma ajuda robusta, uma dependência grande da Europa em relação aos EUA. Mais de 70% de tudo que a Europa comprava de máquinas a fertilizantes eram importados do “irmão” americano.

Quem se importava, já que a economia voltou a crescer mais que dois dígitos possibilitando a reconstrução daqueles países e povos? A perspectiva de um renascimento materializando-se em frente aos olhos do mundo justificava qualquer opção de financiamento.

Temer diz ter seu próprio plano Marshall. Estruturado e pronto para fazer o Brasil recuperar a pujança.

Lá vem a cavalaria! – grita algum desavisado.

Infelizmente, Temer não é Marshall. O que vemos é que o mundo vai sim ver um plano Marshall revisitado. O líder, como nação, será o mesmo do passado. Ainda veremos um aporte representativo vindo do irmão do norte para consolidar e recuperar não apenas o Brasil, mas a América do Sul, criando novamente crescimento e esperança. Não é só a Bovespa que necessita, usa e abusa do capital vindo de Wall Street. Um país redesenhado em seu modelo de negócios, com um Estado menor e regras mais claras tem que abrir espaço aos dólares de longo prazo, que exigem retornos consistentes. Dinheiro no tempo!

Em 1947 havia um ditador megalomaníaco que pensava que tinha uma revolução pelo comunismo em curso e não aderiu ao plano de recuperação. Stalin lá, Maduro, Morales e só (esperamos), cá.

Que venham os Yankees.