Fundos de Ações: O que são e o que observar antes de investir em um FIA

Fundo de ações, entenda mais sobre eles

Ao investir em Fundos de Ações (FIA), a pessoa abre mão do controle de suas alocações e escolha dos ativos, que passam a ser feitas por um gestor especializado, que cobra taxas para gerir o patrimônio de seus diversos cotistas. O objetivo de todo gestor é que as cotas de seu fundo se valorizem, aumentando os ganhos do investidor, o que, por sua vez, engorda a remuneração do fundo.

 

Por regulamento da ANBIMA, a entidade que regulamenta os mercados financeiros e de capitais, os fundos de ações devem ter um posicionamento mínimo de 67% da carteira em renda variável, caracterizando-se, portanto, um investimento de risco.

 

Por isso, a recomendação da Eleven Financial é que os fundos de ações sejam utilizados como instrumentos de diversificação, para incrementar os retornos sem uma alta exposição ao risco.

 

Além disso, pela própria natureza do negócio, FIAs buscam retornos de longo prazo. O que, por um lado, exige resiliência do investidor para suportar as oscilações de curto prazo do mercado de ações e, por outro, pode significar retornos muito atraentes.

 

Uma pessoa fundamental: o gestor do fundo

 

O sucesso ou o fracasso de um fundo depende consideravelmente da experiência, do histórico e da visão de mercado do gestor. Seu envolvimento ativo com o mercado lhe permite cobrar uma taxa de administração sobre o patrimônio gerido, a qual varia entre 1,5% e 3%, com média em 2%.

 

Adicionalmente à taxa de administração, muitos fundos utilizam índices de mercado como benchmark para sua performance, e cobram em torno de 20% do que exceder ao rendimento destes índices.

 

Por exemplo: suponha um FIA com taxa de administração de 2% e taxa de performance de 20% ao que exceder o Ibovespa. Se este fundo teve retorno de 45% em 2016, enquanto o Ibovespa teve retorno de 39%, será cobrada uma taxa de performance de 1,2%, que é a diferença entre o retorno do fundo e o Ibovespa, multiplicado por 0,2.  O rendimento líquido, portanto, será de 41,8%, que é o rendimento bruto subtraído da taxa de performance e  da taxa de administração.

 

Nos materiais de divulgação dos FIAs, como as lâminas mensais, o rendimento apresentado já é o líquido das taxas de performance e administração. Nestes materiais, porém, não é considerada a tributação de 15% sobre os rendimentos que é cobrada em todos os fundos de ação. Este imposto é retido diretamente da fonte.

 

Classificação dos Fundos de Ações

 

Segundo a Anbima, é possível dividir os fundos de ações em diversas categorias diferentes. A classificação do fundo determina seu objetivo e sua subcategoria define sua estratégia. O cumprimento dos limites regulatórios de cada categoria garante ao fundo maior transparência e previsibilidade para seu cotista. Veja a tabela abaixo.

Fundo de ações, entenda mais sobre eles

Em primeiro lugar, é preciso identificar se o fundo é passivo ou ativo. Um fundo passivo é aquele cujo objetivo é simplesmente replicar o desempenho de um índice de mercado, como o Ibovespa, o principal indicador da Bolsa brasileira.

 

Em contrapartida, fundos que buscam um rendimento superior ao seu respectivo benchmark, ou seja, que visam superar a performance do mercado, são denominados de Ativos. Incluem-se nesta categoria os fundos que buscam retorno absoluto, independentemente de qualquer índice de comparação.

 

Tipos de Fundos de Ações

 

Uma vez compreendidos os objetivos dos fundos, podemos prosseguir para suas estratégias de gestão. O processo de escolha dos ativos para o portfólio do fundo está diretamente ligado à sua estratégia. Há fundos que priorizam suas escolhas para setores específicos, outros estudam exclusivamente o potencial de valorização das empresas e outros priorizam a conjuntura sistêmica do mercado para tomar suas decisões. Veja uma breve descrição de cada subcategoria de fundos de ações, com base na Anbima:

 

Valor/Crescimento: O gestor seleciona ativos considerados “baratos”. Ou seja, aqueles cujo preço de mercado encontra-se abaixo de seu valor justo.

 

Setoriais: A escolha de ativos tende a priorizar empresas de um mesmo setor da economia.

 

Dividendos: O gestor busca ações que possuem alto histórico e perspectivas de pagamento de dividendos.

 

Small Caps: O fundo procura empresas de pequeno porte listadas na Bolsa.

 

Sustentabilidade/Governança: O fundo investe em ações de empresas com altos índices de governança corporativa e/ou sustentabilidade empresarial.

 

Índice Ativo: O objetivo deste tipo de fundo é superar a performance de um índice previamente selecionado do mercado de ações.

 

Livre: Estes fundos não precisam obedecer nenhuma regulação específica no que se diz respeito à estratégia.

 

Estratégias dos Fundos de Investimentos em Ações

 

Conforme mencionado, esta nomenclatura serve para nortear a regulação estratégica que os fundos devem cumprir. Porém, o gestor é livre para estabelecer o processo de investimento que julgar mais adequado para seus propósitos. Muitos fundos utilizam um comitê de investimentos, onde um grupo de gestores e analistas decidem sobre a entrada ou saída de determinado ativo do portfólio do fundo, enquanto outros têm a decisão mais concentrada aos gestores.

 

Além disso, a visão de mercado dos gestores influencia substancialmente seu processo de investimento, e consequentemente a cultura do fundo. A escolha de ativos pode ser norteada tanto em variáveis macroeconômicas como nos mais minuciosos indicadores de determinadas companhias. Fundos de ação podem estar situados entre as seguintes extremidades denominadas pelo mercado:

 

  • Denomina-se de Bottom-up a estratégia que prioriza a escolha individual de valorização de cada ativo, com base em sua estrutura de capital, resultados, governança da companhia em questão;
  • Fundos que adotam a estratégia denominada Top-down escolhem seus ativos com base na conjuntura do mercado. Em outras palavras, partem de projeções de PIB, inflação, câmbio e juros, etc., para escolher os ativos que teriam o melhor desempenho com base no cenário econômico projetado.

 

As nomenclaturas Bottom-up e Top-down podem guiar os princípios do processo de investimento dos gestores, mas não definem estritamente de que forma os ativos devem ser escolhidos. Os gestores podem identificar oportunidades que não se enquadram diretamente em sua estratégia de gestão e mesmo assim incorporá-las em seus respectivos portfólios. Lembre-se, estas são denominações de mercado.