Liberdade para Todos: Lições do oráculo de Omaha em 2017

Conforme temos falado nas últimas semanas, é nesta época que começam a ser publicados os balanços anuais no Brasil e no mundo. Uma das divulgações importantes do último trimestre de 2017 é do personagem icônico Warren Buffet, o Oráculo de Omaha (EUA), com sua carta anual destinada aos investidores de Berkshire Hathaway. Eles, como tantos outros, aguardam pelo evento mais esperado do ano para o mercado financeiro.

Conhecido como “Woodstock do Capitalismo Global”, o evento acontecerá em 05 de maio, dia marcado pela Reunião Anual em Omaha (EUA); e será transmitido pelo Yahoo.

O importante desta carta é que sempre dá para aprender algo ou, no mínimo, refrescar alguns conceitos.

Abordando muitos conceitos, esta análise é praticamente uma leitura obrigatória. No entanto, por questões de espaço, só falarei agora de algumas partes.

Neste ano, Buffet começou mostrando a performance histórica de Berkshire destacando não só a longuíssima série, mas a consistente visão de que uma empresa duradoura e bem-sucedida deve ter uma estratégia de longo prazo. Além disso, mostra que para a criação de riqueza é fundamental se proteger diante de conjunturas adversas. Ou seja: perder menos que o mercado.

Esta preocupação pelo risco é reiterada na carta, conforme veremos adiante; o que pode ser comprovado por sua explicação: dos ganhos de US$ 65 bilhões, só US$ 36 bilhões se deveram ao desempenho da própria empresa. Os restantes vieram da reforma tributária norte-americana.

A questão é que não se trata só de um exercício de humildade e honestidade, é uma forma de minimizar o risco de excesso de autoconfiança e de incentivar a perpetuação de ganhos nos cálculos. Quantos gestores locais começariam, em um ótimo ano, logo de cara com um exercício como esse? Quantas bombas destruidoras de valor- ou cisnes negros -poderiam ter sido, no mínimo, atenuadas com guidances razoáveis que afastassem promessas mirabolantes?

Buffet também reitera os critérios na procura de possíveis investidas: fortalezas competitivas, duradouras e comandadas por management de primeiro nível; bons retornos nos ativos tangíveis requeridos para operar o negócio; oportunidades de crescimento interno a retornos atrativos; e, finalmente, um ótimo preço de entrada.

Sim, ele se preocupa com o valuation! De fato, o que ele denomina um exército de compradores otimistas tem criado uma barreira para praticamente todas as aquisições que tentou em 2017. Isso porque os preços para companhias decentes (mas longe de espetaculares) estão no pico histórico. Portanto, por mais que você esteja em um país com um entorno macro e regulatório estável, que tenha horizonte de longuíssimo prazo e um patrimônio gigantesco, é muito importante se importar com o preço.

Do mesmo jeito, ele fala para não se empolgar com sinergias nem com dívida barata. Isso se você quiser dormir bem à noite: “É doido arriscar o que você tem para obter aquilo que você não precisa”.

Também é bom lembrar que em épocas em que surgem cantos de sereias oferecendo produtos exóticos e difíceis de avaliar – com nomes crípticos ou misteriosos/complexos – “que quanto menos prudente forem os outros com os assuntos deles, mais valioso será nós sermos com os nossos”.

Assim, ele e o sócio, Charlie Munger continuam vendo o “mercado acionário como a oportunidade de comprar participações em negócios, não como tickers ou símbolos para serem comprados ou vendidos baseados em padrões, preços alvos de analistas ou opiniões de gurus da mídia”.

Isso significa que todos os outros (especuladores, analistas ou gurus da mídia) estejam certos- ou errados? Eu entendo que ele não se pronuncie sobre eles e suas respectivas metodologias, ainda porque, por uma questão de seriedade, ele só fale sobre a própria com o intuito de ressaltar o valor da simplicidade e do tempo.

E ainda se aprofunda… Para ele, o jogo é de longo prazo e quando você investe na Bolsa “deve fazê-lo pensando que o seu investimento andará bem na medida em que os negócios de suas investidas forem bem-sucedidos. Às vezes os retornos serão modestos; ocasionalmente o caixa soará alto e também cometeremos erros caros. Mas, com o decorrer do tempo, deveríamos ter retornos decentes, pois nos EUA os investidores têm o vento ao seu favor”.

Finalmente, eu gostaria de destacar a imprevisibilidade do mercado em curtíssimo prazo. Será que você tem estômago para isso? Isso porque no período de meses a Bolsa norte-americana perdeu ~40-60% de capitalização. Você é capaz de aguentar perdas como essa, de suportar as manchetes dos jornais e ter um horizonte de investimento de longo prazo?

A pergunta fica no ar. Porém, eu gostaria de deixar-lhes como motivação um poema de Kipling citado na carta chamado “Se”:

“Se você é capaz de manter a cabeça fria quando todos a estão perdendo…

Se você é capaz de esperar e não se cansar da espera…

Se pode pensar – e não fazer dos pensamentos o seu objetivo…

Se é capaz de confiar em si próprio quando todos os homens duvidam….

Seu serão a Terra e tudo o que tem nela.”

Não se esqueça de compartilhar as suas opiniões ou sugestões comigo no e-mail [email protected]  ou pelo Twitter: @HerreraCondor.

Um grande abraço!

Carlos Herrera

Shopping Centers (MULT3, IGTA3) –  Setor aquecido, com perspectiva positiva e IPO – Raul Grego, CNPI.

As administradoras de shoppings Iguatemi e Multiplan reportaram os resultados encerrados do 4T17, nesta semana. Ambas apresentaram crescimento nas principais linhas de negócio, receita líquida, EBITDA, FFO e lucro líquido. A Iguatemi ainda entregou um guidance para 2018, com um tímido crescimento, mas que mostra um ímpeto maior para os investimentos no ano. Em Multiplan, vemos boas perspectivas de crescimento parecido com Iguatemi, porém os investimentos devem ser maiores, dado que no fim do ano passado iniciaram as obras de um novo shopping em Jacarepaguá.

Estamos muito confiantes de que essas empresas do setor de shoppings apresentem resiliência nos resultados de 2018, mas não muito animados com as ações, vendo oportunidades de compra em outras empresas deste segmento.

Nesta semana, o prospecto do IPO da divisão de shoppings da holding JHSF Participações foi publicado na CVM, ainda sem cronograma definitivo. A oferta deve movimentar algum valor em torno de R$ 800 milhões e R$ 1 bilhão. O portfólio desta empresa de shoppings será composto pelos empreendimentos: Shopping Cidade Jardim, Catarina Fashion Outlet, Shopping Ponta Negra e Shopping Bela Vista.

Para mais detalhes, é só acessar na sua área de assinante InspirAções.

Bancos:  Shining (almost) Bright – Vitor Mizumoto, CNPI.

O banco central divulgou nesta terça feira (27) os dados sobre crédito referentes ao mês de janeiro de 2018. O saldo de crédito total (Figura 4) fechou em retração de 0,3% em relação ao mês de janeiro de 2017 e 0,8% em relação ao mês de dezembro/2017 devido a efeitos sazonais originados no crédito para PJ (companhias costumam antecipar suas decisões de crédito no último trimestre).

O destaque ficou por conta das operações de crédito com PF que continuaram mostrando expansão no período (+5,8% A/A; +0,5% M/M), impulsionadas pela demanda por linhas de cheque especial, consignado e para aquisição de veículos. Além disso, importante salientar o fato de a originação de empréstimos no mês de janeiro ter sido 10% superior a observada em janeiro de 2017, com bom desempenho em PJ (+5,2% A/A) e PF (+14,2% A/A), o que fortalece nossa visão de retomada da atividade creditícia.

Este novo ambiente para o crédito, em que os volumes aumentam, mas onde há pressão proveniente da menor taxa Selic, traz diversas implicações para as ações do setor bancário.

Para saber quem ganha e quem perde mais nesse cenário, é só checar o relatório disponível para assinantes do InspirAções e conhecer os bancos de maior potencial para alavancar seus investimentos.

Concessões de Rodovias – CCR (CCRO3) e Ecorodovias (ECOR3) na Lava-Jato – Alvaro Frasson, CNPI.

Após as citações da Triunfo Participações na Operação Lava-Jato, chegou a vez das concessionárias CCR e Ecorodovias entrarem no alvo da operação.

Na sexta-feira da semana anterior (23), a delação do empresário Adir Assad, dono da empresa RockStar para a operação Lava-Jato, impactou diretamente nas ações CCRO3. O delator, que citou nominalmente a companhia e seus executivos, informou que houve contratos superfaturados entre a CCR e a RockStar durante 2009 a 2012 para a promoção de patrocínios a eventos automobilísticos.

A CCR se posicionou, em teleconferência a investidores e analistas na última segunda-feira (26), informando que os contratos foram devidamente contabilizados e a investigação interna está a cargo da área de compliance da empresa e de um escritório de advocacia externo.

Os valores em questão são baixos (R$ 46 milhões) em comparação ao porte financeiro da empresa. Os contratos com a RockStar foram efetuados pelo Grupo CCR e as concessões Nova Dutra, Via Oeste e AutoBan.

Para completar, na última quinta-feira (01), a Ecorodovias também foi citada na Operação Lava Jato, envolvendo duas das sete concessões da companhia (Ecocataratas e Ecovia Caminho do Mar). Segundo o Ministério Público, foram identificados pagamentos das concessões para a companhia GTech sem causa constatada. A GTech, empresa de engenharia e planejamento, já foi citada na Operação Lava-Jato como uma das empresas usadas pela Triunfo para, supostamente, pagar agente públicos.

A Ecorodovias se posicionou, em teleconferência a investidores e analistas, afirmando que uma auditoria externa atestou que nenhuma das concessionárias teve contato ou contrato com as empresas citadas na peça do Ministério Público.

Optamos, a partir das informações acima, a seguir o mesmo caminho da Triunfo, suspendendo temporariamente as recomendações de CCR e Ecorodovias.

Carrefour Brasil (CRFB3) – Resultado Atacadão! – Giovana Scottini, CNPI

O Grupo Carrefour Brasil reportou vendas brutas de R$ 14,2 bilhões no 4T17 (+4,9% ante 4T16) e R$ 52,4 bilhões no ano (+6,7% vs 2016), em um ano desafiador para o segmento dada a deflação de alimentos de -5,1% no 4T17 ante 11,9% no 4T16.

O Atacadão apresentou crescimento de 7% em vendas no 4T17/4T16 e de 8% no ano, totalizando R$ 34 bilhões em 2017 (~65% das vendas do grupo), mesmo com queda de preço em commodities e alimentos no período. No ano, foram abertas 11 novas lojas Atacadão sendo 3 no último trimestre. O crescimento das vendas mesmas lojas (SSS ou like-for-like) no formato foi de 3,6% na comparação 2017/2016 e de 2,2% no 4T17/4T16. O grupo reportou crescimento de volumes no ano, mantendo estável a participação de mercado do Atacadão em 2017 em um mercado em expansão.

A divisão Carrefour varejo reportou crescimento de vendas (ex-gasolina) de 1,8% no 4T17 e de 5,6% em 2017, com vendas mesmas lojas (SSS ou like-for-like) ou permanecendo estáveis no trimestre e aumento de 1,8% no acumulado do ano. O EBITDA ajustado apresentou queda de 19% no 4T17 e de 9% no ano, por conta de investimentos com a abertura de 49 lojas da bandeira Express (22 aberturas no 4T17) e o lançamento do e-commerce de alimentar (inicialmente apenas em São Paulo). A margem EBITDA alcançou 5,6% em 2017 e 7,7% no 4T17, quedas de 075p.p. e 1,9p.p., respectivamente.  Já o lucro líquido de 2017 foi 12,4% superior ao de 2016, totalizando R$1,4 bilhão, o maior da história do Grupo Carrefour Brasil.

PIB 4T17- Benefícios da racionalidade – Thomas Sarquis, economista

A economia brasileira teve expansão de 0,1% no último trimestre de 2017, terminando o ano com um crescimento acumulado de 1,0%. A recuperação foi puxada, majoritariamente, pela expansão de 13% na Agropecuária, seguida pelo modesto crescimento de 0,3% dos Serviços e pela estabilidade da Indústria (0,0%). Pelo lado da despesa, destacam-se os crescimentos de 1,0% no Consumo das Famílias e de 5,2% nas Exportações, que foram compensados pelas quedas e 1,8% nos Investimentos (Formação Bruta de Capital Fixo), retração 0,6% do Consumo do Governo e expansão de 5% nas Importações. Com este resultado, as Taxas de Poupança e Investimento ficaram em 14,8% e 15,6%, respectivamente, enquanto o PIB per capita teve crescimento de 0,2%, igualando R$ 31.587.

Apesar de não ser o desempenho dos sonhos, este resultado deve ser visto com bons olhos por uma série de motivos. A começar pela superação da herança estatística deixada pela recessão em 2015 e 2016, que contaminava negativamente o crescimento em 2017. Segundo, por exceder as expectativas. Durante grande parte do ano, o mercado projetou um crescimento máximo de 0,5% em 2017, mas foi forçado a revisar seus modelos diante da realidade inegável de recuperação que o País passou a viver. Terceiro, pela porta que deixa aberta para 2018 e 2019. Com o cenário internacional em expansão alinhada, juros e inflação em níveis historicamente baixos e uma retomada generalizada da confiança, vemos a atividade em expansão mais elevada nos próximos trimestres.

2017 foi só o começo.