Liberdade para Todos: O bom das ligações chatas

Quando me perguntam por que eu gosto tanto do que eu faço, eu digo que uma das principais razões é poder ter a oportunidade de trocar ideias com outros investidores de diferentes origens, formações e pontos de vista. Nem todos são bem-sucedidos, milionários ou famosos. No entanto, eu sempre aprendo algo com eles!

Por isso, aconselho que nunca recuse um convite para discutir sobre um papel, setor, economia ou, até mesmo, sobre o país. Ainda mais se você suspeitar que está sendo convidado por alguém com profundos conhecimentos em uma área em que você não é especialista.

É impressionante como essa regra é praticamente uma prática implícita no mercado, especialmente seguida por investidores mais velhos e de sucesso. Você se surpreenderia se soubesse como é possível conversar por e-mail com quem poderia ser seu ídolo! Aliás, muitos deles odeiam sair na imprensa, vestem-se informalmente, andam de metrô e comem em lanchonetes de esquina.

Sim, felizmente, no mundo dos investimentos você pode conversar até com Warren Buffett. Não digo que seja fácil, eu ainda não consegui, mas, até onde sei, é mais fácil conhecê-lo e fazer perguntas a ele do que se aproximar de estrelas do rock, artistas de novela ou do cinema. Aliás, os poucos que chegaram perto destes últimos apenas conseguiram uma foto, um abraço, um beijo…

Se vale o esforço? Imagino que para quem é fã, talvez, mas não para mim! A maioria dos meus rock stars são investidores. Alguns deles, uns velhinhos que tive a chance de conhecer em uma reunião bem chata de uma companhia centenária, cuja única emoção foram os polpudos dividendos.

Isso já faz tanto tempo e aconteceu tão longe que recomendo que nem  pense que houve segundas intenções de minha parte.  Isso porque eles não ganhavam muito tentando me convencer das “bondades” do papel, já que eu era apenas um analista de renda fixa (!) naquele lindo país onde o sol sempre nasce pela Cordilheira dos Andes e morre pelo Oceano Pacífico.

Sim, minha carreira estava começando e de repente me via em uma conversa em que eles me explicavam que enriqueceram comprando “ações chatas” que, no fim das contas, pareciam com renda fixa e com menos risco.  No final, ainda arremataram com o seguinte conselho: “Filho, fuja logo disso que está fazendo, você só está perdendo seu tempo. Não tem futuro. Se não tinha com juros a 15%, terá menos ainda a 2%”.

Desta época,  também me lembro da conversa por telefone de duas horas com uma viúva milionária que não conseguia entender por que motivo não incluíamos em sua carteira recomendada a empresa de papel e celulose CMPC (a equivalente chilena da Fibria -FIBR3 e Suzano – SUZB3). Também era centenária, conservadora, e, à diferença das brasileiras, VCP e Aracruz, tinha uma ótima gestão financeira, o que permitia que pagasse crescentes e ótimos dividendos.

Aliás, por que eu, que analisava renda fixa e debêntures, tinha que lidar com essas ligações de renda variável? Isso acontecia porque, como o analista mais júnior, avaliava debêntures e sabia de várias empresas de setores diferentes (até sobre as não listadas) e,  para meus colegas que cuidavam de ações de setores específicos, lidar com dividendos era basicamente o mesmo que lidar com juros.

No final das contas, esses clientes eram todos “rentistas” que falavam um monte de “coisas chatas”, múltiplos, valuation, longo prazo, TIR, value investing, Benjamin Graham, Warren Buffett, etc. Os meus colegas preferiam gastar o tempo discutindo sobre a notícia do dia ou da semana; sobre este ou aquele projeto de expansão, WACC, ciclo das commodities, crescimento do crédito, risco político, mudança regulatória, etc.

Enfim, voltando à viúva, ela foi me explicando o racional…Pela primeira vez, nos últimos 20 anos, a empresa estava negociando a 0,7x p/vp, ROE de 10%, mas o papel NÃO tinha gatilho de curto prazo. Nada bom nem nada ruim que a fizesse sair daí. Eu dizia que era commodity com péssimas perspectivas de preço; ela rebatia que o momento de comprar ações de commodities era quando elas estavam “largadas”. Eu: “A China está desacelerando”. Ela: “E daí? Continuará crescendo em ritmo alto”.

Conclusão: ela, a investidora experiente e milionária, agradeceu a minha consideração (falou bem para o dono!), saiu convicta e comprou mais. Eu, inexperiente, continuei com o relatório semanal de renda fixa e uma emissão de debêntures nos dias seguintes, saindo à uma da manhã, mas observei que o papel terminou se multiplicando por 3 em um período inferior a dois anos…É,  ela deve ter ficado bem mais rica, enquanto eu continuei ganhei muito…conhecimento!

As reviravoltas do destino são tantas que eu terminei cuidando de uma carteira de ações boas pagadoras de dividendos e adivinhe o que, de repente, aconteceu com as companhias de papel e celulose? Algo parecido com a da ligação telefônica de 9 anos atrás. Uma delas tinha um management mais conservador, era mais chata, preocupava-se em entregar ROICs (Suzano – SUZB3) e no dia da eleição do Donald Trump, em vez de subir, caiu. Foi o momento de entrada a R$10/ação. E adivinha quanto ficou menos de um ano e meio depois? Quase R$38.

Independentemente da recomendação específica, foi gratificante e maravilhoso lembrar como uma ligação de tão longe me ajudou e ensinou.

Por isso, valorize os telefonemas ou as conversas que parecem chatas: elas fazem parte da sua bagagem como investidor/analista. Tente aproveitar cada oportunidade que surja para discutir ou ouvir algum case. Mesmo se errar e perder nessa ocasião, você nunca sabe se daqui a dez anos, terminará lembrando ou tirando proveito disso.

Eu levo a sério e aproveito muito  a troca de ideias! Faça isso você também, escreva para os nossos canais de comunicação: para o e-mail [email protected]  ou Twitter: @HerreraCondor.

Um grande abraço!

Carlos Herrera

Construção Civil (MRVE3, TEND3, DIRR3) – MCMV 2 e 3, segmento com tudo para voar – Raul Grego, CNPI

Com a divulgação de resultados das três empresas que atuam no segmento de empreendimentos imobiliários de baixa renda (MCMV faixas 2 e 3), atualizamos de maneira setorial a recomendação de MRV, Tenda e Direcional.

As companhias exibiram evolução operacional positiva, com crescimento expressivo de lançamentos, VSO e repasse de financiamento mais ágil. A questão é: será que ainda há espaço para crescimento e melhora de resultados? Para nossa equipe, sim.

A MRV ainda conta com um número expressivo de banco de terrenos e está migrando toda a operação para a forma de alumínio (a maneira mais eficiente de construção civil de baixa renda); a Tenda começou a expansão geográfica no 4T17 e está em busca de aumentar seu banco de terrenos; a Direcional ainda tem um volume grande de obras do primeiro ciclo para entregar, o que vai melhorar os resultados financeiros e fluxo de caixa da empresa.

Para saber mais detalhes sobre a recomendação das três empresas e outras mais negociadas na B3, é só conferir o nosso produto Inspirações.

 

Setorial automotivo – Março foi a vez dos pesados! – Alvaro Frasson, CNPI

A ANFAVEA apresentou nesta quinta-feira (5), seus dados referentes a março de 2018. A produção total de veículos mostrou um crescimento de 13,6% (267,4 mil unidades) em relação ao mesmo mês de 2017. Neste período, o destaque novamente ficou por conta dos veículos pesados, que cresceram 67,3% em produção, contra 11,8% para veículos leves, mostrando que o segmento de caminhões e ônibus está em ampla expansão da oferta, pois há necessidade de reposição da frota envelhecida (que continua sendo um dos aspectos principais desta correlação).

A FENABRAVE também divulgou os resultados sobre o emplacamento de veículos referentes a março com crescimento de 9,6% no total de veículos. Mais uma vez, os veículos pesados têm se sobressaído, com crescimento de 37,5% em relação a março/17, contra 8,8% em veículos leves.

O noticiário do setor ainda ronda as negociações do Rota 2030, que parece ter avançado nos últimos dias, em uma proposta que agradaria tanto o MDIC (Ministério do Desenvolvimento) quanto o Ministério da Fazenda, que estava contrário à continuidade dos subsídios do Inovar-Auto para o setor.

No cenário corporativo, o destaque foi para a finalização da recompra de ações da Iochpe-Maxion no último dia 19, o que explica a forte valorização das ações MYPK3 no mês. A Marcopolo anunciou o novo presidente do conselho, James Eduardo Bellini, filho do fundador da empresa, Paulo Bellini. Em março, a Randon inaugurou a fábrica de Araraquara para a produção de vagões ferroviários e semirreboques canavieiros.

Banco Inter – Mais um IPO chegando – Vitor Mizumoto, CNPI

Nesta quarta-feira (5) o Banco Inter publicou a faixa de preço pretendida em sua oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês) entre R$18 e R$23 por ação.  A transação consiste em oferta primária de 29.268.294 ações preferenciais e secundária de 6.208.426 ações, de acordo com o documento. Considerando o topo da faixa indicativa, o Inter e seus acionistas (que também são controladores da famosa construtora MRV Engenharia) poderão levantar até R$ 815,96 milhões com a operação. Além disso, dois grandes fundos de investimento já confirmaram interesse em ficar com uma fatia relevante da oferta de ações, se o preço por ação não ultrapassar R$ 21,00; indicando “sinal verde” do buy side institucional.

Em meio ao rápido crescimento dos bancos digitais no Brasil e no Mundo, o Banco Inter promete ser sólido como uma instituição financeira tradicional, mas ágil e eficiente como uma fintech. Estamos trabalhando na modelagem para avaliar até que ponto a tese é sustentável e qual o nível de precificação adequado para as ações.

A Eleven Financial irá acompanhar este IPO de perto e, em breve, os assinantes do Inspirações receberão o relatório de início de cobertura do banco com nossa recomendação.

Raia Drogasil (RADL3) – Mudança no Conselho, mas não nos fundamentos – Giovana Scottini, CNPI.

Na quinta-feira, dia 05/04/2018, a Raia Drogasil informou por meio de comunicado ao mercado a renúncia de 4 membros independentes do Conselho de Administração. Os Srs. Hector Nunez e José Paschoal Rossetti ocupavam o cargo de membros efetivos, enquanto que os Srs. Carlos do Prado Fernandes e Donato José Garcia Rossetti membros suplentes.  Em função disso, será realizada Assembleia Geral Extraordinária, agendada para 23/05/2018, para eleição dos substitutos. No comunicado, a companhia notificou que a administração indicará os Srs. Marcelo José Ferreira (atualmente membro do Conselho de Administração da Magazine Luiza, entre outras empresas, tendo passado por importantes varejistas como Bompreço e Casas Pernambucanas), Marco Ambrogio Crespi Bonomi (atualmente membro do Conselho de Administração do Itaú Unibanco), como membros independentes efetivos, e os Srs. Antônio José Barbosa Guimarães e Antonio Sérgio Almeida Braga como membros independentes suplentes.

Até o momento, não vemos alteração nos fundamentos da companhia.