Liberdade para todos! O valor da paciência e do realismo

Nesta semana meu e-mail se encheu de sugestões e dúvidas devido a uma empresa que apareceu reiteradamente nos noticiários por conta de: um aumento de capital, com significativo desconto no preço de subscrição, e perda de metade de sua capacidade de geração de energia elétrica.

Independentemente da ação Cemig (CMIG4) e das especificidades da recomendação, me chamou atenção, mais uma vez, – sim, nunca se perde a capacidade de se surpreender­ –, o conflito entre os conceitos de paciência e realismo nas expectativas de muitos investidores. Esses dois conceitos são chave na vida de cada investidor e, por mais livros, educação ou assessoria que contrate, exigirá um processo de autoconhecimento demorado e difícil. Afinal, cada pessoa e seu momento de vida formam um mundo à parte.

Conforme informado na atualização enviada aos nossos assinantes, o conflito entre paciência e realismo se deve a necessidade de lidar com o risco e o retorno.

Todos esses conceitos fazem parte do dia a dia do investidor. No momento da decisão de investimento é importante que haja clareza na percepção de risco, além do retorno. Lembre-se, sempre que houver alguma oportunidade assimétrica, atrativa de ganho, o risco deverá ser mais alto, haverá algum grau de incerteza. Não é fácil. Por isso o investidor deverá ser realista, não esperar que tudo dê certo em um curto período de tempo. Precisar torcer ou rezar para que outras pessoas comprem esse ativo por um preço mais alto do que você pagou.

Você precisa se sentir confortável com o nível de risco e ter expectativas realistas, tendo em mente que, no longo prazo, a paciência é o grande diferencial, o que explica retornos acima da média.

O que é ser realista? É saber que a vida nunca é perfeita, que é impossível ter tudo e saber lidar com isso. Por exemplo, todos queremos comprar ações de ótimas empresas com baixíssimo risco, inseridas em setor com as melhores perspectivas, uma boa estrutura de capital e tendo um management ou um controlador confiável, transparente, eficiente e alinhado aos objetivos do investidor.

Essas empresas existem? Sim! O problema é que raras vezes estarão com desconto (ainda menos quando o mercado está otimista) e não necessariamente você ficará extremamente rico com elas.  A emoção faz parte. O susto, também, ocasionalmente.

Decidir entre essas ou aquelas com diversos graus de imperfeição, mas com maior chance de retorno, não é unívoco. Não há certo ou errado. A decisão dependerá do que você preferir em termos de risco, do seu caráter e condições específicas, como conhecimento de mercado, necessidades de recursos, planos de longo/curto prazo, etc..

No Liberdade em Ação, montamos um portfólio equilibrado entre risco e retorno, com uma alta dose de realismo e pragmatismo. Porque sabemos que desenvolver esse autoconhecimento faz parte do amadurecimento do investidor. Estamos comprometidos com isso.

Ainda empolgados com o nosso Ano 3, esta semana trazemos mais uma grande novidade. Um reforço incrível, nosso novo “Camisa 11”. Fique atento!

Mande seu feedback, comentários e sugestões ao e-mail [email protected]

Um grande abraço!

Carlos

Copel (CPLE3/CPLE6) – Os dois lados da moeda: forte geração de caixa e desconto no preço – Carlos Herrera, CNPI.

Aproveitamos para anunciar nosso início de cobertura de mais um papel do setor elétrico: a paranaense integrada Copel. Apesar de se tratar de um caso com riscos típicos, como seu caráter estatal e a sua situação financeira atual, consideramos que, no atual contexto regulatório/macroeconômico, o valuation descontado oferece uma boa margem de segurança para o investidor de longo prazo.

Isto é ainda mais atraente, considerando as perspectivas de melhora financeira e operacional. Com múltiplos negociados muito a baixo da média de mercado, a companhia demonstra grande espaço para melhorar resultados, principalmente na área de distribuição, e dessa maneira aumentar seus lucros e melhorar suas margens.

No entanto, alguns pontos chave devem ser observados e compreendidos antes da entrada no papel. Neste case que preparamos, enfatizamos as diversas semelhanças e diferenças em relação à Cemig (CMIG4), que podem ser relevantes na priorização de ambos papéis e tem o intuito de alinhar o investimento com o perfil de cada investidor.

Cemig (CMIG4) – Não é lugar para fracos …nem impacientes – Carlos Herrera, CNPI. Igor Kfouri, assistente.

No dia 25, o Conselho de Administração da Cemig aprovou encaminhar proposta de aumento de capital social em até um bilhão de reais a partir da emissão de até 66,95 milhões novas ações ordinárias (CMIG3) no valor de R$5,00, e de até 133,15 milhões novas ações preferenciais (CMIG4) ao valor de R$6,57. Paralelamente, a elétrica mineira exauriu suas últimas esperanças de costurar acordo com a União sobre renovar a concessão de uma das 4 importantes usinas que perdeu: São Simão, Jaguara, Miranda, e Volta Grande.

No meio do rebuliço de informações, sua ação preferencial acumula queda de 7,15%, entre o fechamento do pregão na semana passada e o fim desta quinta-feira (28). Ressaltamos, no entanto, que a notícia do leilão já estava contemplada em nossos modelos.

A administração ter comentado sobre o uso dos recursos provenientes da oferta primária para reduzir a dívida financeira e aliviar o estresse financeiro pelo qual passa a estatal mineira somente reforça nosso principal argumento da necessidade em focar na desalavancagem.

O que deve ser destacado é que no longo prazo não alteramos os fundamentos, bem como exposto no nosso relatório publicado esta semana: “é nosso dever é frisar que, além do frio no estômago para quem fica olhando a tela do seu homebroker, um, dois, três pregões específicos não são nem deveriam ser tão relevantes para um investidor com visão de longo prazo”.

No entanto, devido ao anúncio da oferta primária, decidimos rebaixar nosso preço-teto, já que a maior percepção de risco do case demanda, no curto prazo, uma maior exigência de conforto na entrada.

E o que fazer agora em relação ao aumento de capital em curso? Para o acionista que já possui ações da companhia, será dado o direito de subscrição, uma concessão de preferência para a compra que o protege de uma eventual diluição, estimada em 13,71% tanto para preferencialistas quanto para os que detêm ações ordinárias. Para o investidor que já é acionista, é preciso entender os riscos envolvidos e não se afobar com as oscilações no curto-prazo. Nós recomendamos a subscrição.  Mas é preciso que você se lembre que, muito além de potenciais lucros, a sua exposição à renda variável deve ser capaz de lhe permitir ter uma noite tranquila de sono.

O direito de subscrição poderá ser exercido no período que inicia em 30 de outubro e encerra em 29 de novembro, na proporção de até 0,1589 de nova ação para cada ação que possuíam até o final da terça feira, 26, dessa semana. Isto é, o acionista poderá comprar um número adicional de ações equivalente a 15,89% do saldo que possuía até o fim deste dia.

Os acionistas que tiverem suas ações registradas no Itaú, receberão impressos documentos pelos quais poderão efetuar a subscrição. Basta assiná-los e apresentá-los a qualquer agência do banco e efetuar o pagamento. O investidor deverá ficar atento ao caso de não receber o impresso do Itaú. Se este for o caso deverá apresentar-se a qualquer agência do banco e pedir para realizar a subscrição.

Os acionistas titulares de ações depositadas na B3 (grande maioria) deverão exercer os respectivos direitos por meio de suas corretoras, as que poderão estabelecer procedimentos específicos.  Ou seja, se tiver interesse em subscrever, aconselhamos entrar em contato com a sua corretora dentro do prazo já mencionado. Quem não for acionista conta com a opção de comprar o papel na Bolsa.

 

Camil (CAML3) – Arroz e feijão matam a fome de IPOs? – Raul Grego, CNPI

A Camil precificou a oferta inicial de ações em R$ 9,00 na noite de terça feira, abaixo do range indicado de R$ 10,50 a 13,00. A operação movimentou cerca de R$ 1,32 bilhão, sem considerar emissão de lotes suplementares e adicionais, e totalizou a oferta de 41 milhões de ações em oferta primária.

Na quinta feira (28/09), a companhia iniciou as negociações na B3 com o ticker CAML3 e, apesar da queda inicial dos papéis, seguimos com nossa visão positiva, sendo uma das principais empresas de alimentos do país.

Tupy (TUPY3), Fras-le (FRAS3) e Iochpe-Maxion (MYPK3) – NAFTA discute padrões trabalhistas mais rígidos – Alvaro Frasson, CNPI

O governo americano apresentou nesta semana aos membros do Acordo de Livre Comércio da América do Norte (NAFTA), uma política para elevar e padronizar as condições trabalhistas entre os EUA, Canadá e México. Os sindicatos foram contra a proposta, que não deixa claro algumas condições de negociação e é insuficiente para proteger os trabalhadores. Eles querem impedir que as empresas migrem para países com regras trabalhistas mais negligentes.

De certa forma, a proposta pode impactar algumas empresas brasileiras de autopeças que possuem unidades fabris no Nafta, como a Tupy (duas fábricas no México), a Iochpe-Maxion (uma unidade no México) e a Fras-le (com uma unidade nos EUA).

Natura (NATU3) – Aquisição vai tomando corpo – Giovanna Scottini, CNPI

Segue em curso a sequência de novidades da Natura sobre sua mais recente aquisição, a rede de cosméticos britânica The Body Shop.

Em Fato Relevante, divulgado no dia 07/09, a Natura informou a conclusão da aquisição da The Body Shop (TBS). No dia 11/09, a fabricante brasileira de cosméticos realizou uma teleconferência para apresentar informações sobre a transação. Nossos assinantes de Renda Variável receberam um comunicado com essas informações. Ainda no mesmo dia, divulgou a Ata da Reunião do Conselho Administrativo (CA), com a Revisão da Estrutura Interna de Governança do CA, e anunciou que divulgará guidance, que são projeções da companhia.

Mais recentemente, em 29/09, o Grupo comunicou a nomeação do Sr. David Boynton para CEO da TBS. O executivo tem 10 anos de experiência em cargos de liderança na rede francesa L’Occitane.

Estamos animados com a combinação dos negócios (Natura, The Body Shop e Aesop), que resulta em um amplo portfólio de produtos e abrange diversas categorias. Acreditamos que essas marcas apresentam valores similares podendo gerar oportunidades de sinergia. Quer saber mais? Faça parte da nossa lista de investidores em ações e acompanhe tudo sobre as 80 empresas de nossa cobertura, clicando aqui.

Construtoras (MRVE3, TEND3, DIRR3) – O cenário continua melhorando para as principais operadoras de MCMV – Raul Grego, CNPI

Os resultados do primeiro semestre apresentados pela Caixa Econômica Federal (CEF) mostraram o crescimento em praticamente todas as linhas. O lucro líquido totalizou R$ 4,1 bilhões, crescimento de quase 70% ante o mesmo período do ano passado. A carteira de crédito teve alta de 3,5% em 12 meses e a participação de mercado alcançou 22,8%.

O crédito imobiliário cresceu 7% em 12 meses, sendo 53% dos recursos concedidos pelo FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço). Este é o principal driver de crescimento das companhias operadoras do programa social Minha Casa Minha Vida 2 e 3. Elas incluem MRV, Tenda, Direcional e Cyrela (Cury e Plano&Plano).

Com isso, os resultados do crédito imobiliário da CEF no primeiro semestre podem sinalizar melhora estrutural na segunda metade do ano. A perspectiva para os próximos anos também se torna mais favorável com a recuperação da atividade econômica e a redução do desemprego, que corroboram com o nosso outlook positivo para as empresas deste segmento imobiliário.

Localiza (RENT3) – Desdobrando-se para continuar no foco – Alvaro Frasson, CNPI.

A empresa informou na última sexta-feira (22/09), após o fechamento do mercado, que seu Conselho Administrativo aprovou uma convocação de Assembleia Geral Extraordinária para deliberar a proposta de desdobramento das ações da companhia.

O desdobramento das ações (stock split) será realizado na proporção de 1 ação existente para 3 ações, ou seja, as atuais 222,38 milhões de ações emitidas passarão a ser 667,15 milhões de ações. O capital social da companhia permanecerá no mesmo montante, atualmente de R$ 1,5 bilhão.

A notícia sugere que a empresa está interessada em tornar a sua ação mais atrativa para o investidor pessoa física, tornando o preço por ação mais próximo ao preço de outras companhias do mesmo setor, como a Movida (R$ 8,95 por ação) e Locamérica (R$ 13,36 por ação).

A Localiza ainda não divulgou data em que as ações passarão a ser negociadas desagrupadas. Continuamos neutros para o papel, já que enxergamos um mix risco retorno bem mais atraente em Movida (MOVI3). Assista ao Eleven convida, no qual o CFO da Movida, contou tudo sobre o momento e os próximos passos da companhia, clicando aqui.

Magazine Luiza (MGLU3) – O milagre da multiplicação – Giovanna Scottini, CNPI

Por meio de Fato Relevante, o Magazine Luiza informou a aprovação do Conselho de Administração, nesta semana, a fixação do preço por Ação, em R$ 65,00, no aumento de R$1,144 bilhão do capital social.

Conforme já comentamos aqui, o aumento de capital aconteceu por meio da oferta pública de 24 milhões de ações ordinárias. A oferta consistiu em distribuição primária de 17,6 milhões de novas ações ordinárias de emissão da Companhia e distribuição secundária de 6,4 milhões de ações ordinárias dos principais controladores, com esforços restritos de colocação, de acordo com CVM 476. Entre eles, Luiza Helena Trajano Inácio Rodrigues, Onofre de Paula Trajano, Fabrício Bittar Garcia, Flávia Bittar Garcia Faleiros e Franzo Bittar Garcia.

Assim, o novo capital social da Companhia passará a ser de cerca de R$ 1,8 bilhão, dividido em aproximadamente 190 milhões ações ordinárias (com direito a voto), todas nominativas, escriturais e sem valor nominal. As Ações emitidas com a oferta passarão a ser negociadas na Bolsa no dia 29 de setembro de 2017. A liquidação física e financeira das Ações ocorrerá no dia 03 de outubro de 2017.

Se você quiser saber mais sobre a multiplicação dos papeis MGLU3 e os acontecimentos da queridinha do varejo, assine o produto Renda Variável e fique por dentro.

Fibria (FIBR3) – Mercado de crédito sem se importar muito por sobreoferta de celulose  – Vitor Mizumoto, CNPI

Em mais uma amostra do bom momento do mercado de crédito para emissões, a Fibria anunciou a finalização de sua bem-sucedida emissão de CRAs, realizada em duas séries, nas quais a companhia captou R$ 757 milhões na primeira, com vencimento em 2022, e R$ 184 milhões na segunda, com vencimento em 2023. Os investidores farão jus a pagamentos semestrais de juros equivalentes a 97% do CDI, e IPCA + 4,50%, respectivamente, nas emissões supracitadas. Para saber mais sobre as análises de títulos privados de renda fixa, assine o Eleven Renda Fixa.

Com a aparente reabertura do mercado de crédito para emissões corporativas, grandes empresas brasileiras já conseguem captar recursos a custos próximos (e até inferiores em alguns casos) aos disponíveis antes da perda do grau de investimento, em 2015, em um rebaixamento da nota de crédito do país pela Standard and Poor’s (S&P).

Apesar das notícias sobre possível sobreoferta dos principais players do setor, o mercado parece confiar no plano de desalavancagem da companhia e em suas vantagens estruturais em custo, o que deve manter a geração operacional de caixa em níveis saudáveis, mesmo em uma possível queda das cotações da commodity.

GOL (GOLL4) – Parceria com a Air France-KLM – Alvaro Frasson, CNPI.

Na última terça-feira (26), a Gol anunciou uma parceria com a Air-France-KLM para utilizar Fortaleza como um novo hub (ponto central) para voos internacionais. Desta forma, a oferta de assentos para a Gol em Fortaleza aumentará 35% e a Gol melhora sua oferta de vôos internacionais, focando em parceria com grandes companhias europeias, melhorando seu mix de oferta aos clientes e descentralizando as rotas de viagens.

A nossa favorita no setor é a Azul (AZUL4).