Liberdade para Todos: A teoria de (quase) tudo

“O maior inimigo do conhecimento não é a ignorância; é a ilusão do conhecimento.” – Stephen Hawking.

Confesso que para mim é sempre difícil seguir a massa. E acredito que esta será mais uma vez. Gostaria de poder fazer uma devida e sentida homenagem ao grande físico e cosmólogo falecido nessa semana, Stephen Hawking. Porém, sendo honesto, devo reconhecer que, diferentemente da maioria dos meus colegas do mercado financeiro, não consegui passar da primeira página de um de seus livros que caiu em minhas mãos uns 20 anos atrás. Estou pouco familiarizado com sua a obra. Na verdade, nem me lembro do nome deste livro, até porque ele não mudou a minha vida.  Também não acho possível viajar no tempo para consertar este erro. Aliás, não sei se posso ou se realmente quero.  Teimosia, ignorância, estupidez?

Não é preciso escolher nenhuma das três possibilidades acima. Isso porque o mundo é muito mais do que “preto ou branco”, ele está cheio de cores. Acredito que se trata de foco, de saber tomar decisões, de aceitar que é impossível atingir uma meta ambiciosa sem saber escolher. Para isso, você deve definir quais serão seus passos básicos. Assim, inevitavelmente, se quiser ser um bom tenista e jogar nas grandes ligas, deverá aceitar que é impossível ser, simultaneamente, um craque de futebol ou um cientista renomado.

São muitos os casos que demostram que ao tentar se destacar em áreas opostas, você terminará fracassando em ambas.  Ironicamente, nem uma especialização garante o sucesso. O risco sempre existe. Porém, ao aliar o foco em ganhar uma base teórica contundente com o fato de acumular muitas horas de experiência, você avança com mais segurança.

Conforme explica Malcolm Gladwell no livro “Outliers” (“Fora de Série”): são essas 10 mil horas que se escondem por trás do sucesso. Isso mesmo: “suor” e dor (física ou intelectual) acima do talento, justamente como o perseverante físico/cosmólogo demonstrou.

Tudo o que disse se alinha com o que conversamos na newsletter da semana passada. Inclusive, um assinante (aproveito para agradecer a todos pelos e-mails), ao me questionar sobre o mercado chileno e latino-americano no geral, perguntou-me quais foram as razões profissionais que me fizeram escolher vir (e ficar!) aqui no Brasil. Faz sentido?

Ótimo questionamento, mas com muitas arestas. O mercado chileno está muito mais desenvolvido em termos relativos (2 milhões de CPFs na Bolsa de um país com 17 milhões de habitantes versus 500 mil em um país de 200), com empresas com ótima governança (praticamente 100% dos papéis são equivalentes ao Novo Mercado), com falências raras, com bons managements/controladores   focados na lucratividade, e com políticos que, independentemente do partido, tentam agregar valor à sociedade e não “tirar” dela. No entanto, o tamanho continua sendo pequeno e os grandes deals já aconteceram na década de 1990. Ou seja, se tivesse nascido 10-15 anos antes, teria terminado mais experiente e, talvez, rico. Azar o meu!

Pois é, a vida não é perfeita, e entre se lamentar e não evoluir, você deve aproveitar o bom de cada situação (no meu caso, eu me foquei em aprender ao máximo com as experiências e com os times maravilhosos aos quais pertenci) e traçar um plano para analisar se tudo pode se juntar à vontade na prática.

Adivinhem em que lugar havia um mercado gigante, caótico, em evolução e transformação constantes, com problemas de governança, interferência estatal, falências, fraudes? Pois é, aqui mesmo! Mas é onde há problemas, riscos e coisas ruins que aparecem oportunidades e assimetrias.  E, além disso, este é um país gigante, com um mercado interno relevante que, com algum tempo de estabilidade macro/política, pode voltar ao radar global.

E aí? Será agora A HORA? Impossível saber o timing. O que tenho aprendido é que para aproveitar as grandes oportunidades é preciso pegá-las, mesmo com muita incerteza e dor de estômago. Até porque quando todo mundo já as conhece, normalmente é tarde ou arriscado demais.

Por fim, digo que a humanidade perdeu sim uma grande pessoa e um cientista que nos ensinou a importância (assisti ao filme “A Teoria de Tudo”) de perseverar (apesar das adversidades), de ter foco e de sonhar. Com esforço, torço para que cheguemos lá.

Por favor, não deixe de enviar seus comentários ou dúvidas ao e-mail [email protected]  ou ao meu Twitter: @HerreraCondor.

Um bom final de semana!

Carlos Herrera

BR distribuidora – Atenção para não escorregar – Carlos Herrera, CNPI. Igor Kfouri, assistente de análise.

O braço de distribuição de combustível da Petrobrás, BR Distribuidora (BRDT3), acabou de chegar na bolsa e já surpreendeu o mercado com a divulgação de crescimentos bastantes expressivos: 10% das receitas, 8% do Ebitda e 921% dos lucros vs. o 4T16. No entanto, nem tudo são flores, e esses resultados devem ser interpretados com cuidado e atenção devido à existência de itens não recorrentes.

Apesar da empolgação em relação ao papel, e do resultado positivo no trimestre, consideramos que ainda existem múltiplos desafios à frente, conforme explicamos no nosso relatório de iniciação de BR Distribuidora, datado de antes do IPO.

Dessa maneira, aproveitamos para atualizar nosso preço-alvo para BRDT3. Para ver a informação completa e detalhada sobre a companhia, acesse o Inspirações em nossa plataforma.

Petrobras (PETR4) – Retomando o caminho certo – Adeodato Netto, Estrategista-chefe.

Petrobrás reportou resultados consistentes com o gradual processo de reestruturação operacional. Apesar do prejuízo líquido de R$446 milhões nesse ano de 2017, a comparação com o prejuízo de desastrosos R$ 14 bilhões em 2016 evidencia tanto a lentidão do movimento, compatível com a característica inercial de uma gigante nacional, quanto a tendência de melhora.

Impairments e outros resultados herdados pelas trapalhadas da administração anterior acabaram por mascarar alguns números no trimestre. No entanto, uma cuidadosa análise acerca das estratégias da companhia com relação à operação e financiamento explicitam a necessidade de compreender cada ponto da tese de investimento e do timing de entrada. Isto significa que assumir que o navio começa a entrar em sua rota de crescimento demanda também mais clareza sobre “quando agir”.

Para compreender com detalhes os gatilhos destravadores de valor para a petroleira, acesse nossos relatórios disponíveis no Inspirações.

Fras-Le (FRAS3): 4T17 – Expansão minimiza efeito cambial – Álvaro Frasson, CNPI

A Fras-Le apresentou seus resultados trimestrais nesta terça-feira (13) antes da abertura do mercado, referente ao 4T17 e 2017. A companhia mostrou suas ações para aumentar a internacionalização e diversificação nas regiões de atuação, resultante da captação do follow-on realizado em 2016.

Ainda que o faturamento tenha apresentado crescimento modesto (R$ 832,9 milhões, +2,5% a/a) e margens menores (margem EBITDA 12,8%, -2,4 p.p.) em comparação com 2016, sobretudo em função da valorização de 8,5% do real, a expansão realizada no final de 2017 e início de 2018 mostra uma empresa cada vez mais robusta em todos os mercados.

Em relação à estratégia, vale citar as aquisições de duas fábricas na Argentina (Armetal e Farloc), uma no Uruguai (Fanacif), além do novo escritório na Colômbia, colocando a América do Sul como um alvo importante para a Fras-le. Outros importantes movimentos ocorreram na Ásia, com a join-venture ASK Fras-le na Índia e o aumento da fábrica da China

No entanto, com as novas aquisições à vista e a necessidade de novos empréstimos a fim de alongar o prazo médio da dívida (hoje 61% no curto prazo), a Fras-le deve voltar à posição de devedora líquida ainda em 2018. O movimento é natural, mas poderá impactar negativamente na margem líquida nos próximos anos, quando as despesas financeiras serão mais significativas.

Tupy (TUPY3): 4T17 – Turnaround entregue – Álvaro Frasson, CNPI

A Tupy divulgou seus dados trimestrais nesta última terça-feira (13), em linha com as nossas expectativas positivas para o resultado da companhia em 2017. Através do trabalho de reajuste fabril, exaustivamente mencionado por nós ao longo do último ano, do melhor mix de produtos, a empresa conseguiu capturar o bom momento do mercado automotivo interno (com destaque para os veículos comerciais e off-road), aumentando sua relevância para o faturamento da companhia.

Com uma Receita Líquida de R$ 3,70 bilhões em 2017 (+ 13,8% a/a), a Tupy conseguiu elevar em 13,0% seu volume de vendas físicas mesmo em um cenário menos favorável para o mercado de automóveis no NAFTA (principal mercado) e com crescimentos modestos no mercado europeu.

A companhia possui larga capacidade para atender a demanda crescente com menor necessidade de investimento – neste ano, o CAPEX representou apenas 3,3% da receita líquida da Tupy, menor nível em 8 anos. A boa gestão do capital de giro também impactou positivamente o resultado, reduzindo em 10 dias o ciclo de caixa ano contra ano. Estes movimentos abriram espaço para uma maior amortização dos empréstimos da companhia, que está antecipando amortizações a fim de se beneficiar de novos empréstimos com taxas de juros mais competitivas em moeda nacional.

Pesquisa mensal de varejo – Janeiro confirma o caminho da recuperação – Giovana Scottini, CNPI.

Nesta terça feira (13), o IBGE publicou a Pesquisa Mensal do Comercio referente ao mês de janeiro de 2018. O volume de vendas do comércio varejista nacional cresceu 0,9% frente a dezembro de 2017, na série com ajuste sazonal. Desta forma, o acumulado nos últimos doze meses subiu 2,5% em janeiro de 2018 e teve sua maior alta desde de novembro de 2014 (2,6%), prosseguindo em trajetória ascendente desde outubro de 2016 (-6,8%).

Dentro do varejo restrito destacou-se o setor de hipermercados e supermercados que apresentou crescimento de 2,3% em janeiro (na série com ajuste sazonal). Este setor se beneficiou do ganho salarial real e da queda da taxa de juros. No entanto, o crescimento observado não foi concentrado apenas nesse setor. Cinco das oito atividades pesquisadas tiveram variação positiva em janeiro/2018 ante dezembro/2017.

Já os dados do varejo ampliado (que considera, além das oito atividades pesquisadas no conceito restrito, os setores de automóveis e material de construção) apresentou uma queda de 0,1% nas vendas frente a dezembro. Essa baixa é explicada pela redução de 0,2% do comércio de materiais de construção. Contudo, quando analisamos o período dos últimos 12 meses o comércio varejista ampliado registrou para o volume de vendas, uma variação de 6,5% contra janeiro de 2017.

Esse comportamento ocorre, principalmente, devido ao desempenho positivo de veículos, motos, partes e peças, que com resultado interanual de 18,2% respondeu por 58,5% do total do varejo ampliado. Com o resultado de janeiro, o varejo ampliado completa a nona taxa positiva consecutiva. O setor de veículos, motos, partes e peças mostrou expansão de 18,2% no volume de vendas frente a janeiro de 2017, taxa mais elevada desde abril de 2013 (22,5%).

Os dados do varejo mostram que a recuperação do setor não está concentrada geograficamente. Isso porque as vendas avançaram em 19 das 27 Unidades da Federação. Na passagem de dezembro de 2017 para janeiro de 2018, na série com ajuste sazonal, as vendas no comércio varejista avançam em 19 das 27 Unidades da Federação, com destaque, em termos de magnitude de taxa, para Roraima (8,6%); Amapá (8,4%) e Rio Grande do Norte (7,6%). O Piauí registrou estabilidade (0,0%). Por outro lado, Espírito Santo (-2,9%) e Goiás (-2,1%) mostraram os maiores recuos nas vendas nesta comparação.

Já frente a janeiro de 2017, na série original, o comércio varejista registrou aumento no volume de vendas em 19 das 27 Unidades da Federação, com destaque positivo, em termos de magnitude de taxa, para Rondônia (18,2%), Santa Catarina (15,5%) e Roraima (14,5%). Por outro lado, Goiás (-9,2%) figura com a taxa negativa mais elevada dentre todas as Unidades da Federação.

Natura (NATU3) – 4T17 –  Partindo para abraçar o mundo – Giovana Scottini, CNPI.

A companhia Natura reportou nesta quarta-feira (15) resultados mais animadores com crescimento de receita líquida consolidada proforma (incluindo TBS no 4T16 para tornar a base comparativa) de 10,5% em relação ao 4T16. Apenas relembrando, a aquisição da The Body Shop foi concluída em 5 de outubro de 2017 e seu resultado passou a ser consolidado no dia 1º de setembro, portanto, o resultado do grupo Natura&Co inclui quatro meses de TBS.

A marca Natura totalizou R$ 1.674 milhões em receita líquida no Brasil, 6,5% maior do que no 4T16, puxada por maiores volumes de venda (+2,1% a/a) e aumento da produtividade de 15% das consultoras da operação de venda direta. No varejo, alcançou 25 lojas próprias. Na América Latina, manteve um crescimento alto de 17% em moeda local e 13% em BRL em função de câmbio menos favorável.

As despesas com vendas e marketing da Natura na operação brasileira tiveram diluição de 170bps a/a no 4T17, enquanto que as administrativas, por outro lado, cresceram 460 bps (como % da receita líquida) em função de incentivos de curto e longo prazo dos executivos, processo de reestruturação e projetos estratégicos. Assim, as despesas operacionais tiveram impacto de 10 bps (como % da receita líquida).

Com menor resultado financeiro no trimestre, beneficiado por menor provisão para contingências e redução em juros e multas do Programa Especial de Regularização Tributária (PERT), o lucro líquido proforma totalizou R$ 106 milhões no 4T17 (vs R$ 202 milhões no 4T16). A geração de caixa livre no trimestre foi de R$ 296 milhões (R$ 107 milhões inferior ao 4T16). O indicador de dívida líquida/EBITDA ficou abaixo do guidance de 3,6x, em 3,0x no final de 2017.