Lula condenado: O vento fez a curva

Bolsas globais seguem em alta, com a perspectivas de que o Fed seguirá de maneira gradual a subida dos juros americanos.

A condenação de Lula por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, feita pelo juiz Sergio Moro, deve impulsionar a Bolsa, já que impacta de forma material o cenário de incertezas em relação à disputa presidencial de 2018. Ainda que essa condenação seja passível de recurso, pois se trata de uma decisão em primeira instância, o capital político de Lula, já desgastado, deve encolher após a decisão.

Mas o que está por trás disso? São vários fatores. O principal deles é a precificação pelo mercado do avanço das reformas, como a da previdência, em 2019, caso elas não avancem este ano. Isso porque, independente de quem for para o segundo turno no ano que vem, a eleição tende a girar em torno de candidatos pró-mercado. Isso é bom para o investidor brasileiro – e para os estrangeiros também, que vêm mantendo o fluxo na B3.

Some a isso a provação da Reforma Trabalhista e a consolidação da reversão do quadro econômico e de diligência fiscal e podemos realmente ver a materialização de um cenário estruturalmente positivo para o Brasil.

Essa expectativa de candidatos mais pró-mercado também pode beneficiar as privatizações, minimizando o quadro de inseguranças jurídicas. Para quem não lembra, o Marco Regulatório, em 2012, durante o governo Dilma Rousseff, alterou os contratos das distribuidoras de energia elétrica, que tiveram que renovar concessões antecipadamente, gerando indenizações bilionárias. A medida para desatar o nó criado pelo movimento de ruptura contratual promovido pelo então governo, resultou em aumento de 50% das tarifas de energia elétrica. A conta? Todos nós pagamos até hoje.

Com o “risco Lula” (deja vu 2002) mitigado, consolida-se a visão de inflação sob controle, juros em queda e menor risco de uma guinada do dólar.  A janela de oportunidade na Bolsa fica mais evidente e sólida. O cenário, ainda que permaneça indefinido, se torna menos nebuloso. A limpeza desse ruído nas projeções eleitorais (no sentido ideológico, não individual) também amplia a margem para a valorização dos títulos do Tesouro Direto, cujo preço do valor de face é marcado a mercado, todos os dias. Então, caro investidor, hoje o argumento para comprar ativos, na bolsa brasileira inclusive, se renova.

Para quem temia que um furacão derrubasse as estruturas brasileiras, a hora é de compreender que chegamos cada vez mais perto do lado impulsionado à frente pelo vento, que, aliás, já fez a curva!