Metáfora vira realidade. Brasília está em chamas!

Brasília em chamas!

Brasília em chamas! Se dissemos por algumas vezes aqui que a Capital Federal estava em chamas, nesta quarta-feira a metáfora virou realidade.

Manifestações são verdadeiramente um direito em qualquer processo democrático. As mobilizações que ajudaram a consolidar a visão da sociedade contra um Governo que mergulhou o país na maior crise de sua história foram marcadas, em sua maioria massiva, pela combinação de convicção de objetivos e comportamento pacífico.

O que vimos em Brasilia hoje, e aliás, tem marcado as recentes concentrações de pessoas foi literalmente o oposto. Pouca convicção ou razoabilidade, mesclada com violência, depredação e selvageria. Estes atos não somente estão fora dos direitos, como devem ser sistematicamente punidos. A liberdade de expressão implica obrigatoriamente na manutenção do respeito ao contraditório, à integridade das pessoas e do patrimônio, tanto público quanto privado.

Enquanto isso, o mercado segue tentando olhar para frente. Em nosso podcast diário desta quarta, alertamos aqueles que pretendiam vender suas posições seguindo as previsões do caos que se espalham por aí, que tivessem mais critério e cuidado, principalmente em se tratando de ações de companhias com sólidos fundamentos. Mesmo com o terror da última quinta-feira, ANIM3, por exemplo, acumula valorização de 23% no mês de Maio. Exageradamente afetados pelo pânico sobre o câmbio no mesmo dia, AZUL4 recuperou boa parte do terreno perdido, chegando a subir 12% ao longo do pregão e encerrando o dia cotada a R$ 23,95, alta de 8,67%. A combinação do nosso “melhor juízo de equilíbrio entre risco e retorno”, refletida na performance da Carteira Eleven segue cumprindo seu papel de defesa em momentos de alto stress e performance em janelas de mercado mais leves. No mês de Maio, enquanto o Ibovespa cai 3,28%, a Carteira sobe 0,12%. No comparativo de 2017, nossa alocação recomendada vence o principal índice da Bolsa brasileira por 15,17% a 5,03%.

O índice Ibovespa, mesmo fechando em alta de 0,95%, aos 63.257 pontos, acumula queda de 6,3% desde a fatídica nota no Jornal O Globo reportando a gravação feita por Joesley Batista com o Presidente Michel Temer. Mais do que o número do índice, muitas distorções foram criadas no pânico do dia seguinte. A percepção das oportunidades, aliados às expectativas de uma solução potencial de consenso em Brasilia levaram os investidores às compras. No mercado de juros, a redução no stress projetado foi materializado em quedas importantes nos contratos DI23 -2,46%, DI21 -2,09% e DI19 -1,32%. O Real teve um dia de volatilidade, com valorização no início do dia frente ao Dólar e o quadro revertendo perto do final das negociações e registrando alta de 0,4%, fechando a R$ 3,27.

Ontem, em evento realizado para Clientes Eleven Full na sede da Eleven, o Gestor da XP Gestão de Recursos, João Luiz Braga, dividiu sua visão sobre os recentes acontecimentos. “Troquei uma visão otimista de dois anos, por uma pessimista de quinze dias“. Em debate realizado com nossos clientes e o estrategista-chefe Adeodato Volpi Netto, diversos cenários foram desenhados, essencialmente compreendendo como estão os fundamentos da economia e as perspectivas para o mercado no curto. médio e longo prazos. Algumas das opiniões foram publicadas hoje no G1 por Thais Herédia em: “Mercado Financeiro positivo? Por que?

O xadrez político ainda deve misturar muitas peças nos próximos dias. O cenário-base da equipe de análise da Eleven, considera o afastamento do Presidente Michel Temer, seja através de uma eventual renúncia, julgamento no TSE ou, no pior cenário, enfrentando um processo de impeachment. Seguimos com a leitura apresentada ao mercado em Carta Aberta, publicada logo após “a bomba” da última quarta. Como afirmado ali, nos parece que Michel Temer não tem saída, o Brasil tem.

Quanto à tensão registrada nas ruas do Planalto Central, o vandalismo deve ser punido com o mesmo rigor que exigimos no combate à corrupção e aos desvios de conduta na gestão pública. Um crime definitivamente não justifica o outro. Responsáveis pela arruaça e pelo terror devem ter a si imputadas as consequências de suas escolhas, tanto quanto àqueles que desrespeitam as instituições nos papéis de corruptores e corrompidos. Não há partido, é um caso muito mais simples. Dentro da lei ou fora da lei.

A saída para o Brasil  passa por não prolongar a insegurança jurídica e institucional, que arrisca comprometer as conquistas estruturais recentes, conquistadas com muito empenho dos profissionais das equipes do Ministério da Fazenda e do Banco Central do Brasil. O foco no longo prazo e na sustentabilidade das soluções deve prevalecer sobre qualquer interesse partidário ou eleitoral, essencialmente porque a conta obrigatoriamente deverá ser paga, e é melhor que seja feita enquanto há saldo e solvência.

Ainda que estejam todos literalmente queimados, lenha na fogueira não ajudará ninguém. O dia de hoje deveria ser mais do que prova disto.