Minha casa, meu fundo

De tempos em tempos, me lembro de uma grande investidora que, entre muitos conselhos, sempre me recomenda comprar uma casa e analisar o investimento em imóveis, por exemplo, lojas comerciais. Minha casa, meu fundo

Eu entendo a lógica desse raciocínio, pois a juventude dela transcorreu em um país em transformação que, entre crises políticas e econômicas, teve períodos de hiperinflação, desvalorizações cambiais, intervenções do governo na política monetária, etc. Nesse contexto, por conta da paridadle com o dólar, os imóveis ou “tijolos” viravam uma clara reserva de valor. Tal como aconteceu no Brasil.

Contudo, na medida em que o país se normalizava, e se iniciou a busca por melhores retornos, essa investidora, que vocês podem imaginar quem é, já que eu sempre a menciono, recebeu um conselho de uma renomada jornalista, lá na década de 1980: “não coloque dinheiro no banco, compre ações dele”.

Para meu infortúnio, essa recomendação ficou só no campo das ideias: ela não seguiu o conselho. Fazendo as contas – e anos atrás eu as fiz–, a investidora, que vem a ser minha mãe, seria hoje uma pessoa imensamente rica. Isso sem precisar investir uma fortuna. Muito pelo contrário.

Do mesmo jeito que ela perdeu essa onda de valorização, por culpa do medo e do desconhecimento, também não conseguiu investir naquilo em que se sentia confortável – imóveis –, por uma limitação de recursos e porque o mercado demorou a criar uma alternativa. Hoje, essa opção existe. Tratava-se do que nos EUA se conhece como REITs (sigla em inglês para fundos imobiliários).

Na América Latina, eles são populares, especialmente no México, em que a estrutura das FIBRAs (tradução ao espanhol de REIT) tem permitido “privatizar” até mesmo ativos da petroleira estatal Pemex, como gasodutos. E o que isso significa para nós, no Brasil?

É que aqui existe um mercado já desenvolvido de FIIs (fundos imobiliários), acessível através de cotas negociadas na Bolsa, sem a necessidade de compra de lotes e em que muitas corretoras não cobram taxa de custódia nem corretagem. Parece interessante, não é?

As vantagens não se resumem a isso. Democraticamente, eles permitem o acesso a uma fonte de renda mensal, chamados de dividendos. De uma maneira geral, esses rendimentos são isentos de Imposto de Renda para pessoa física, com cotas líquidas negociáveis em fracionamento. Ou seja, você pode ser dono de uma pequena parte de um luxuoso prédio de escritórios na Faria Lima, sem ter que se preocupar com a gestão do empreendimento, de ter que cobrar o aluguel.

Para quem quer começar a investir, não tem muito capital e gosta da ideia de investir em imóveis esta é uma oportunidade atrativa. Porém, é sempre preciso de um guia, já que o preço das cotas oscila e você pode obter boas oportunidades de valorização no longo prazo, desde que faça uma escolha minuciosa do fundo, que goste e aprenda sobre o segmento e tenha paciência para capturar os frutos da valorização.

Por isso, estamos lançando uma série dedicada a FIIs, liderada por meu colega, Raul Grego. Todos nossos assinantes Eleven receberam acesso a um relatório. É só ler para entender mais sobre eles.

A cada semana, o Raul vai escolhendo os melhores fundos, procurando montar um portfólio bem diversificado para maximizar o potencial de dividendos e de valorização.

Ficou interessado? Clique aqui e acesse esse relatório também.

Como sempre, gostaríamos de ter seu feedback nos nossos canais de contato: [email protected] e no Twitter: @HerreraCondor

Tenha um bom feriadão!

Carlos H.

 

Movida (MOVI3) – Reunião com os diretores – Alvaro Frasson, CNPI

Na segunda-feira 13, tivemos uma reunião com o management da Movida para falar sobre as medidas que a empresa está tomando para sanar os problemas operacionais, ocorridos principalmente no segundo trimestre, inerentes aos ciclos de rápida expansão.

Dentre eles, destaque para a sublocação ilegal de carros e a alta sinistralidade. Por conta destes eventos, a companhia já tomou diversas providências práticas, dentre elas, a instalação de rastreadores em mais de 20.000 veículos da frota da unidade Rent a Car.

A Movida sabe que há um caminho a ser percorrido até a eficiência operacional e a companhia está focada em diminuir o ritmo de crescimento e focar na entrega de margens. O tempo desta curva ainda não é precisa, mas a reversão da atual tendência é um sinal claro, frente a todas as medidas de monitoramento, como, por exemplo, maior critério na análise do perfil do locador.

Com um impacto de R$ 92,7 milhões nos resultados da companhia em 2017, resolvemos fazer um estudo de sensibilidade caso as despesas não-recorrentes estivessem 25%, 50% e 75% menores do que o valor apresentado. Na tabela abaixo, percebemos que uma possível redução em 50% dos problemas pode gerar um ganho de 2,0 p.p. de margem EBIT e um ROIC, originalmente em 8,5%, de 10,6%.


Setor Florestal – Cada vez mais ajustado, mercado da celulose segue em alta – Vitor Mizumoto, CNPI.
Da mesa forma que o lucro operacional é sensível às despesas com furtos, perdas e inadimplência, o valor justo da companhia também é sensível em relação aos resultados operacionais e, em nossa opinião, são estes fatores que causaram a forte desvalorização da Movida nos últimos meses. Para uma atualização do case é só acessar a sua área de assinante Renda Variável.

Em mais uma das seguidas mostras do nível equilibrado de oferta e demanda por celulose, a Fibria anunciou mais uma elevação nos preços de referência para a celulose de fibra curta para todos os mercados (América do Norte, Ásia e Europa), o que resultou em reajuste de US$ 30 por tonelada, levando os preços de referência da América do Norte, Ásia e Europa, para US$ 1.180, US$ 1.000 e US$ 810, respectivamente.

Além das seguidas elevações nos preços de referência, as principais companhias do setor já anunciaram as negociações para retirada dos descontos praticados em relação ao valor de referência para seus clientes. Na prática, isso também é um reajuste nos preços, confirmando as expectativas para o setor.

Esses e outros detalhes importantíssimos para o futuro do setor também foram exaustivamente abordados no encontro com os principais executivos da Suzano na B3, na sexta-feira 10, na qual estivemos presentes, em evento que também marcou a celebração da migração da Suzano para o Novo Mercado, o segmento de mais alto grau de governança da B3. O relatório completo do evento já está disponível aos clientes Renda Variável.

A celulose vai bem, mas temos algumas ressalvas e preferências no universo de cobertura do setor e, assinando o Renda Variável, você terá acesso a tudo isso e muito mais.

Resultados da Indústria automotiva – Bons sinais continuam aparecendo – Álvaro Frasson, CNPI

 

Nesta semana foram divulgados os resultados trimestrais de duas empresas do setor automotivo das quais gostamos bastante: Tupy (TUPY3) e Mahle Metal Leve (LEVE3). Em linhas gerais, as companhias reportaram nível de vendas dentro do esperado, mas com ganhos de margens muito significativos para a rentabilidade dos negócios.

Começando pela Tupy, este movimento é resultado da reestruturação fabril realizada pela companhia ao longo dos últimos períodos e, juntamente com a retomada do setor automotivo doméstico, a empresa de fundição de blocos de motor colhe os frutos a partir deste resultado. A Receita Líquida, de R$ 962,7 milhões, veio 26,2% acima do 3T16 e 9,6% acima das nossas expectativas para este trimestre, mesmo com uma apreciação de 2,8% do real frente ao dólar. Vale ressaltar que 80% do faturamento da companhia ocorre no mercado internacional.

Adicionalmente, há redução tanto da dívida quanto do CAPEX. A empresa informa que os níveis de investimento podem continuar reduzindo no ano que vem, uma vez que as empresas têm capacidade instalada para suprir a demanda projetada e máquinas que não exigem valores significativos para manutenção e reposição. Desta forma, é provável que os gastos com investimentos continuem abaixo da depreciação.

Já na Mahle Metal Leve, a cereja do bolo ficou por conta, como já anunciado em fato relevante, da assinatura do Termo de Compromissos de Cessação entre a empresa e o CADE, resultando em uma leve contribuição pecuniária de R$ 17,5 milhões.

A Receita Líquida, de R$ 596,5 milhões,  alta de 12,4% na comparação anual, ocorreu em função do aumento das vendas para o mercado nacional, tanto em OEM[1] quanto no Aftermarket[2], de +20% e + 4,7% no comparativo com 3T16, respectivamente. A retomada da produção do mercado nacional ocorre pelas fortes exportações, além de um aumento nas vendas de veículos pesados, favorecendo o mercado de reposição, mas impactando o OEM.

Além do excelente trabalho em custos e despesas, sobretudo relacionados à forte diminuição das provisões para contingências trabalhistas e tributárias, a companhia tem reduzido sua necessidade de investimento no comparativo anual, uma vez que ainda há ociosidade na capacidade produtiva para atender à crescente demanda.

Portanto, ambos os casos reafirmam nosso olhar positivo para as duas companhias.

 

Raízen (Cosan – CSAN3) – Reforçando o caixa para aquisições – Elaine Rabelo, CNPI

 

Publicamos a análise da emissão de Certificado de Recebíveis de Agronegócio (CRA) da Raízen Combustíveis, cujo período de reserva se encerra no dia 23 de novembro. A emissão, proposta em duas séries, tem teto de rentabilidade de 98% do CDI e NTN-B -0,10%, com prazo máximo de 7 anos.

 

A Raízen Combustíveis é o segundo maior distribuidor de combustíveis do país e se prepara para um movimento de M&A, através de aquisições de ativos relacionados ao core business da companhia. Para conhecer nossa recomendação para o CRA da Raízen Combustíveis e acessar a uma análise do potente fluxo de caixa de Raízen (subsidiária da conhecida Cosan – CSAN3), é só entrar na nossa série de Renda Fixa.

[1] Sigla para Original Equipment Manufacturer, que significa o mercado de produtos específicos para as montadoras.

[2] Refere-se ao mercado de reposição de autopeças, para as montadoras e revendedoras.