Montanha-russa de humor no mercado financeiro

por aqui nada pode ser fácil, ou sequer óbvio, o humor no mercado financeiro virou ao longo do dia. São as mudanças do mercado financeiro.

Quando o mercado abriu nesta quinta-feira, parecia que a inquestionável vitória do governo ontem na Câmara, com a aprovação da reforma trabalhista feita por 62,5% dos parlamentares presentes, refletiria positivamente nos ativos. Mas como por aqui nada pode ser fácil, ou sequer óbvio, o humor no mercado financeiro virou ao longo do dia.

Se Bolsa subia, o dólar caía e o DI fechava, ao final do dia inverteu-se o quadro. Ibovespa encerrou o pregão em queda de 0,29%, aos 64.676 pontos, o dólar fechou em alta de 0,29% a R$ 3,18 e o DI21 em alta de 0,40%.

A temporada de resultados segue quente, com demonstrações importantes de recuperação na base comparativa trimestral, mas com reações um tanto desproporcionais em alguns casos. VALE5 caiu mais 2,81%, batendo R$ 25,60 após a divulgação de um resultado líquido 25% maior do que o mesmo período de 2016, com lucro líquido próximo a R$ 8 bilhões. A matemática parece ter feito pouca diferença e as notícias vindas do exterior, com as supostas preocupações com excesso de oferta de minério de ferro derrubaram todo o setor. Em nossas projeções o nível de desalavancagem da companhia pode chegar a relação dívida líquida / Ebitda na casa de 1,1x ao final de 2017, com o indicador EV / Ebitda próxima a 5x. Mas o mercado parece não se importar com a aritmética no caso da mineradora.

Do lado do varejo alguns bons números também na base comparativa, mas ainda tímidos perto do que poderemos ver com a retomada da atividade. Renner trouxe números que pouco empolgam, principalmente se considerarmos o que aprece ser a proximidade com o limite de crescimento de margens. Acreditamos na aceleração da cadeia de bens de consumo, antes dos bens duráveis e inclusive da consolidação da demanda por serviços. Mas os números não estão sendo suficientes para respostas imediatas nas ações. É fundamental compreender as variações comportamentais de momentos de tensão no macroambiente como estamos vivendo. Natura reportou vendas pouco acima das nossas projeções, com a operação Brasil mostrando bons sinais. O comportamento negativo das ações, que registraram queda de 3,46% em NATU3 mostra algum ceticismo por conta do efeito positivo de eventos não-recorrentes. Ou seja, os R$ 189 milhões de lucro líquido não foram suficientes para os investidores.

A irracionalidade segue no setor de Saneamento. Copasa entrega lucro líquido 65% maior, alcançando R$ 149 milhões no trimestre e os papéis CSMG3 seguem o calvário das últimas semanas, registrando queda de 1,14%, acumulando -38% em 50 dias. A contaminação parece estar abrindo um espaço para o chamado “efeito mola no setor” e assim que aqueles que entraram apostando num “trade de evento” derem lugar aos investidores de fundamento em utilities, os três principais papéis, CSMG3, SBSP3 e SAPR4 devem voltar a valorizar de maneira consistente.

Reação mais alinhada com os números em nossa visão foi a registrada nas ações da Odontoprev, integrante da Carteira Eleven de Dividendos. Após mais um trimestre muito sólido de geração de caixa, com crescimento nas verticais de maior ticket médio, tiveram valorização de ODPV3 de 2,52%, fechando o dia a R$ 11,40.

Em uma movimentação que merece destaque, a Senior Solution, uma das empresas que acompanhamos desde nosso lançamento e na qual confiamos muito no projeto de longo prazo, divulgou pós-mercado Fato Relevante confirmando o recebimento da BM&F Bovespa (B3), “parecer favorável da Comissão de Listagem à migração para o Novo Mercado, e que nesta data o Conselho de Administração da Companhia deliberou submeter a proposta de migração à assembleia geral.” Este era um dos eventos fundamentais que apresentamos aos nossos clientes de Renda Variável no último relatório sobre a companhia e pode destravar importante valor ao abrir espaço para acréscimo material na liquidez dos papéis SNSL3.

Ainda nesta quinta-feira serão divulgados os números do primeiro trimestre de Movida. Esperamos mais uma demonstração de crescimento consistente, lembrando que será apenas a segunda divulgação de divulgados após o IPO. MOVI3 segue sendo uma das Top Picks da Eleven para 2017.

Amanhã tem mais resultados em meios à greve geral. Um dos eventos criados para demonstrar a polarização de uma sociedade que em nossa leitura já deveria ter há tempos perdido a postura de “nós x eles”. Quem quer que sejam, tanto o chamado nós quanto eles! Muita gente boa, que trabalha e constrói, aderiu à paralização pelos mais diversos fatores, mas nosso questionamento da semana está na essência dos mobilizadores, muito mais do que daqueles que fazem parte do grupo que não estará trabalhando. Focamos muito na consolidação de um mercado maduro e mais consciente, muito voltado para a técnica e a compreensão da dinâmica de criação de valor do que em defesa de grupos específicos, independente do lado.

O Brasil é maior do que dois grupos. Muito maior! Até amanhã.