O homem, o rio e a vaca

Uma das partes mais curiosas de investir em ações é entender como, na medida em que o tempo passa, elas não só mudam de preço (muitas vezes sem razão aparente), mas as empresas que elas representam são percebidas de maneira completamente diferentes. Lembrando o filósofo Heráclito: “um homem não entra em um rio duas vezes”. A explicação é simples, as águas fluem em seu curso natural e o próprio homem mudou. É verdade que o rio continua fundamentalmente o mesmo, pois o tempo geológico passa com muito menos intensidade do que o tempo de vida de nós humanos. Assim, o homem muda mais drasticamente.

Algum exemplo para esse rio chamado Bolsa? Lembro-me de uma empresa elétrica brasileira gigante, apelidada de “A grande vaca”. Queridinha por todos em anos passados, fracassou estrepitosamente e teve seu destino endereçado às manchetes de jornal.

Tratamos essa empresa com muito pragmatismo na nossa série Liberdade em ação. É bem verdade que, com a nefasta MP579, a qual usurpou a autonomia das elétricas, o cenário ficou bem difícil para o setor. Mas não devemos destituir de culpa os homens que se julgaram fazendeiros. Indisciplinados e gananciosos, usaram a vaca para abraçar o mundo, gastando fortunas na compra de ativos sem sinergias operacionais, que acarretaram dores de cabeça custosas e quase irreparáveis.

O momento era o pior de todos, e o bolso furou sem que houvesse uma costura atenuante. Além da incerteza política, havia um cenário econômico que caminhava para o precipício.

É também verdade que o rio muda no curto prazo: dependendo das estações, mudam-se a pressão da água e a temperatura média. Prudente é aquele homem que sabe quando entrar no rio, em quais horários, e em qual contexto. E como ele conseguirá saber? Com paciência, observação e prática.

A vida no mercado de ações não é muito diferente. Situações econômicas e políticas provocam grandes mudanças de temperatura. Causam nos investidores um amálgama de sensações e de humores muito mais intensas e diversificadas. No entanto, sabemos que para se dar certo, quem decide entrar nesse mercado, deverá assumir uma visão de longo prazo e também a necessidade de compreender as diferentes estações e um pouco de geologia. A parte boa é que, definitivamente, não são só os geólogos que conseguem cruzar um rio adequadamente. Pois, o que de fato não muda de hora para outra são o leito e sentido do rio.

Acredito que isso pode se aplicar ao recente rebaixamento do Brasil por parte da agencia classificadora de risco S&P. Ao fato, me vem à cabeça a seguinte frase: “mais afronta a mesura de um adulador, que uma bofetada de um inimigo”.

Isso não significa, de maneira alguma, que agências de ratings são nossas inimigas. Mas a bofetada é muito pertinente. Aos que não estão imersos no mundo da economia, a notícia pode ser recebida como uma novidade.

Mas para aqueles que, como nós, acompanham as cifras, a surpresa não existe. Não nego, no entanto, que a bofetada existiu, mas às vezes uma bofetada é boa, pois nos faz sair do mundo dos sonhos e voltar à realidade. Nosso time apresentou uma visão sobre a decisão do S&P downgrade: “It’s the economy, stupid”.

Nesse caso, me refiro à necessidade de continuar avançando, sem pausas, no caminho de conserto e das reformas. Devemos nos conscientizar da importância delas para o nosso futuro, e continuar observando o rio com o senso crítico do longo prazo.

No final das contas, lembre que para que haja carne na sua mesa, deve haver agua, forragem e um bom fazendeiro.

Os canais estão abertos no meu Twitter (@HerreraCondor) e no email liberdade@elevenfinancial.com.

Um feliz ano para todos!

Carlos Herrera

Light S.A. (LIGT3) – Tudo começou com uma pequena faísca – Carlos Herrera, CNPI, Igor Kfouri, assistente.

Nesta quinta-feira, iniciamos cobertura da companhia de distribuição, geração e comercialização de energia elétrica: Light S.A., que começou suas operações no início do século passado. É uma gigante do setor, responsável por providenciar cerca de 70% da energia consumida no Estado do Rio de janeiro.

É um papel punido pelo mercado, que atua em um setor extremamente prejudicado pela história recente. Mudanças regulatórias e um contexto econômico instável forçaram uma mudança na maneira com que Light enxergasse seus desafios e oportunidades.

Compreender o contexto e os principais desafios utilizando indicadores precisos revelará a resposta para a pergunta: value trap ou oportunidade?

Definitivamente não se trata de uma empresa pequena, mas às vezes uma pequena faísca pode ser aquilo que pode nos fazer enxergar uma luz.

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Setor Automotivo: Novo Relatório Setorial da Eleven Financial! – Alvaro Frasson, CNPI

Na última quarta-feira (10), lançamos um novo relatório para os clientes Eleven, específico sobre o desempenho do setor industrial automotivo, referente ao mês de dezembro e do ano de 2017.

Neste relatório, trazemos uma visão consolidada de indicadores fundamentais para mensurar o desempenho setorial, como a produção e licenciamento de veículos, volume e taxa de juros de concessão de crédito para aquisição de veículos. Damos, portanto, ao nosso cliente uma noção global sobre o setor, e não apenas visões isoladas das empresas que produzem autopeças e implementos.

Falando um pouco sobre o desempenho, o setor mostrou recuperação em 2017, sobretudo na produção de automóveis (+27,6%) e caminhões (+37,5%). Entendemos, portanto, que há uma defasagem de recuperação na produção de veículos comerciais leves e ônibus, devendo apresentar melhores taxas de crescimento em 2018.

Das companhias listadas em bolsa, a valorização do setor foi muito positiva, com destaque para a Randon (+109,6%) e Iochpe-Maxion (+101,7%). Em relação aos múltiplos, o setor ficou com a percepção de estar mais caro por conta da valorização, mas as boas perspectivas continuam abrindo oportunidades entre as empresas.

Embraer (EMBR3): Venda para a Boeing mais perto – Alvaro Frasson, CNPI.

Nesta quinta-feira (11), a Embraer confirmou, em comunicado enviado à CVM, a informação que está em conversa com assessores financeiros para as negociações de venda de seu controle para a Boeing.

A empresa brasileira, que possui seu negócio voltado para aviões comerciais (65%), defesa (20%) e executivos (14%), pode se juntar a companhia americana com uma estrutura de negócios parecidos, ganhando escala em produção e competição em preço com as principais concorrentes: AirBus, Bombardier e Hanian.

Em um setor de alto capital intensivo e poucos players com escala suficiente para brigar por mercado, movimentos como a joint venture entre a AirBus e a Bombardier para produção de jatos comerciais nos Estados Unidos e a crescente participação da chinesa Hainan com sua forte capacidade de financiamento, podem ser um dos fatores que tenham levado a este movimento entre as duas gigantes do setor aéreo.

Com a aquisição, a nova empresa aumentará sua vantagem competitiva em relação à AirBus, tanto em capacidade de geração de receita, margens e baixo nível de endividamento. Cabe esperar do governo brasileiro uma leitura positiva sobre a negociação e se desfazer da Golden share, mandatório para a conclusão da negociação. A companhia resultante certamente terá premissas de crescimento e resultados diferentes, podendo impactar positivamente no valuation da Embraer e, consequentemente, no valor justo de EMBR3.

Camil (CAML3):  Resultado 3T17. Com apetite para crescimento, mas ainda amargo – Raul Grego, CNPI

Com um ano fiscal que se encerra em fevereiro, a Camil apresentou os resultados do 3T17 (de setembro a novembro) mostrando ser uma companhia sólida e com margens estáveis. Operacionalmente, o período foi marcado por redução de volume de vendas em grãos e açúcar e leve queda de preços, refletindo a combinação do ambiente concorrencial no Brasil, com os efeitos desinflacionários que pressionaram (para baixo) o preço dos alimentos. Em contrapartida, a operação de pescados ganhou o destaque positivo, com vendas intensificadas devido à proximidade do período de Quaresma, principalmente.

A operação brasileira tem o maior peso no resultado consolidado e apresentou queda de receita líquida de 14,5% (3T17 x 3T16), o que gerou resultado 9,2% menor do que o mesmo período do ano passado. Em relação a margem EBITDA, houve estabilidade com controle de custos e despesas da companhia. A margem líquida foi potencializada, principalmente, pelo efeito das despesas financeiras que reduziram significativamente, junto à taxa básica de juros. A Camil conseguiu, com as emissões de CRA, uma boa adaptação em sua estrutura de capital.

O resultado confirmou a redução do endividamento, aliviando as suas finanças para novas aquisições (que é parte da estratégia da companhia). Em nossa visão, a Camil ainda carece de uma nova aquisição estratégica para continuar seu plano de expansão de operação, mas pode estar próximo de acontecer e, assim, mantemos nossa recomendação para os papéis CAML3. Para saber mais sobre a recomendação de CAML3, assine o Inspirações e acesso o relatório completo.

Ecorodovias (ECOR3): Ativo bom e caro – Alvaro Frasson, CNPI

Na última quarta-feira (10), a Ecorodovias informou que venceu o leilão para administrar o trecho norte do Rodoanel Mário Covas, o segundo maior trecho das quatro concessões com 47 km de extensão, finalizando assim o projeto rodoviário em torno da cidade de São Paulo.

O anúncio, realizado durante o pregão, fez as os papéis ECOR3 caírem 3,95% ao final das negociações em bolsa. O principal motivo foi o ágio muito maior oferecido em relação à segunda colocada: enquanto a Autostrade ofertou R$ 517,8 milhões pela concessão, a Ecorodovias ganhou com um lance de R$ 883,0 milhões.

De fato, a negociação poderia ter sido melhor mensurada pela empresa, que teve apenas a segunda colocada como concorrente – a CCR, que participaria do leilão, desistiu. Em tese, mais de uma centena de milhões foi desperdiçada e o mercado penalizou no próprio dia.

No entanto, cabe lembrar de alguns pontos que se sobrepõem ao valor pago. O ativo adquirido faz parte do plano estratégico da empresa em aumentar seu portfólio de concessões rodoviárias, foco exclusivo da companhia. O trecho norte fará parte de um rodoanel que circundará a cidade mais populosa do país e com baixa necessidade de investimento ao longo dos 30 anos da concessão: fluxo garantido, pouca saída de caixa para investimentos e prazo extenso. A visão de valor entre o que a companhia atribuiu ao ativo e o mercado percebeu trouxe mais volatilidade do que alteração nos riscos do case.

Localiza (RENT3): Mais uma emissão rodando – Elaine Rabelo, CNPI

A Localiza Rent a Car S.A. inaugura as emissões privadas de 2018 com uma operação de CRI – Certificado de Recebíveis Imobiliários que monta recurso de R$ 370,0 milhões com remuneração teto de 99% CDI e duration de 15 anos com opção de venda no sétimo ano.

A companhia, líder no segmento de locação de frotas de veículos no mercado brasileiro, se destaca por sua eficiência operacional, sólido perfil financeiro associado a uma equilibrada alavancagem e adequado cronograma de amortização. Acesse nosso relatório para obter maiores detalhes da operação e a recomendação da equipe de Renda Fixa da Eleven