O mercado dos tolos

É interessante como, de repente, encontramos equivalências do mundo dos investimentos nos lugares mais inesperados. Um dia desses apareceu no meu Twitter (@HerreraCondor) uma entrevista do CEO de Burger King global, Daniel Schwartz, sobre as mais típicas perguntas de uma entrevista de emprego. A nota aprofundava sobre qual era sua preferida: “Você é esperto ou trabalhador?”

O jornalista, aparentemente, ficou surpreso por Schwartz preferir aqueles que não se achavam espertos, e sim trabalhadores. Em outras palavras, os tolos. Contudo, na medida que avancei no texto, a explicação fez todo sentido para mim. Ele preferia pessoas seguras, mas humildes, cheias de paixão e não de arrogância.

Segundo ele, na sua experiência, “foram raras as vezes em que fazer coisas a menos foi a melhor estratégia. Mesmo, com toda a qualificação do mundo, sempre dá para pensar, movimentar-se ou trabalhar a mais do que os outros, tratando sempre de aprender e adquirir novas aptidões. Sempre podes tentar ser uma melhor versão de ti mesmo”

O problema é que, para fazer isso, você deve pensar que tem possibilidade de melhora, o que é difícil se você pensa que é esperto o suficiente.

Até aqui, você deve se perguntar: o que isso tem a ver com o mundo dos investimentos? Muito.

Na medida em que você se adentra no mundo da Faria Lima, Sanhattan (o equivalente no Chile) ou Wall Street, você se encontra com o mesmo dilema. O mercado inteiro se debate entre diferentes turminhas ou tribos: os espertos, os tolos, os nerds, sardinhas, tubarões etc.

Todos querem o mesmo (lucro), de diferentes maneiras. Contudo, nem pense que alguém fica em uma categoria o tempo todo. O normal é que eles transitem, e até que se repita nos próprios investidores que estão mais distantes, como em zonas como Roraima ou no interior de Minas Gerais.

No ciclo da confiança do investidor iniciante, ele se empolga com sua esperteza (ou sorte) e aposta nela até descobrir que, em determinado momento, tornou-se parte da manada (sardinhas?) que sofreu de um grupo mais esperto ou malandro (tubarões?), o qual, em vez de apostar, fez um pouco mais de contas e se aproveitou da assimetria ou do primeiro cisne negro do mercado.

É com muito tempo e dor que chega o momento em que aquele que se achava investidor descobre, que para merecer esse nome, deverá se engajar com um processo de aprendizado que não terminará nunca, no qual haverá erros. Para sorrir, deverá, pelo menos em algum momento, chorar e se sentir o mais tolo. Nada é perfeito. Lembre-se de que para desfrutar do Bloquinho do próximo Carnaval, deverá aguentar um ano inteiro.

Felizmente, o processo de aprendizado é maravilhoso, gratificante e não para nunca. Alegra-me muito ver como muitos dos meus assinantes do Liberdade em ação estão se engajando nele. Se você quiser comentar um pouco mais da sua história fique à vontade no meu Twitter (@HerreraCondor) e no e-mail liberdade@elevenfinancial.com.

Tenha um ótimo Carnaval!

Carlos Herrera

Mercado imobiliário (DIRR3, MRVE3, TEND3) – MCMV 2018, consolida a boa fase do programa – Raul Grego, CNPI.

Finalmente, no dia 8 de fevereiro, o governo anunciou a meta de contratar 650 mil unidades do Minha Casa, Minha Vida, em 2018. O Ministro das Cidades segregou a quantidade de unidades entre as quatro faixas existentes (faixas 1, 1,5, 2 e 3), e assim chegamos a um universo potencial de 520 mil unidades para as faixas de atuação das principais incorporadoras do segmento listadas na B3 (MRV, Tenda e Direcional). De acordo com ministro Moreira Franco, as unidades serão construídas através de financiamentos do FGTS somado à parte do Orçamento Geral da União.

Em 2017, o programa tinha meta de contratar até 610 mil novas unidades, porém foram lançadas cerca de 495 mil (81,1% da meta). De acordo com o anúncio, o objetivo para este ano é acelerar a contratação das unidades, afim de cumprir com a meta ao final do ano de 2018.

Em nossa visão, a ampliação de 6,6% na meta do programa para o ano e o posicionamento sobre o funding do MCMV é positiva para todas as empresas que atuam no segmento. MRV, Tenda e Direcional, empresas que entregam empreendimentos de qualidade com eficiência devem se beneficiar dada a capacidade de absorver parte da demanda em escala nacional. Ambas as incorporadoras, em 2017, cresceram o volume de lançamentos e pretendem manter o ritmo em 2018, levando-nos a manter nossa visão positiva para as três empresas do setor.

Indústria Automotiva:  Relatório Setorial de Janeiro/18 – Alvaro Frasson, CNPI.

Na última quarta-feira (7), enviamos aos nossos clientes o Relatório Setorial Automotivo, comentando os principais acontecimentos do setor e das empresas de capital aberto referente ao mês de janeiro deste ano.

Sem dúvidas, o segmento de ônibus obteve o maior destaque do setor. Em ambas as bases estatísticas divulgadas, tanto pela ANFAVEA quanto pela FENABRAVE, no comparativo contra janeiro de 2017, a linha de ônibus foi aquela que apresentou maior crescimento em produção (+70,1%), licenciamento (+68,3%) e vendas (+57,5%).

Em nossa análise, o setor continua forte para este ano, uma vez que o BNDES anunciou, no dia 22 de janeiro, uma mudança na sua política de financiamento de veículos comerciais para micro, pequenos e médios empresários. Agora, será possível financiar 100% do valor dos veículos, contra 80% anteriormente.

Vale destacar também que, em janeiro, o volume de crédito para aquisição de veículos continua crescendo e as taxas de juros e inadimplência continuam em queda, mostrando os efeitos da política monetária na demanda do setor automotivo.

No cenário corporativo, destaque para a evolução das joint-ventures da Fras-le e da valorização das ações da Randon, única a superar o Ibovespa em janeiro. Na última semana de fevereiro, Iochpe-Maxion e Marcopolo anunciam seus resultados trimestrais, iniciando a divulgação das empresas de capital deste setor.

Varejo: Dados do 4T17 confirmam o efeito Black Friday – Giovana Scottini, CNPI.

Nesta sexta feira (09/02) o IBGE divulgou dados referente ao varejo. No acumulado de 2017, o varejo apresentou crescimento de 2%, ante as quedas de 4,3% e 6,2% em 2015 e 2016 respectivamente. Este resultado reflete a melhora econômica, porém ainda está longe de recuperar as perdas acumuladas de 10,2% nos dois anos anteriores.

Na análise trimestral, o último trimestre de 2017 apresentou uma queda de 0,5% quando comparado ao anterior (3T17). No entanto, o IBGE avalia que essa queda não põe em xeque a recuperação do setor do varejo. Isso porque os trimestres anteriores foram beneficiados pela liberação de saldos das contas inativas do FGTS, o que não ocorreu neste último período.

Já os dados do varejo ampliado, que inclui veículos e material de construção, apresentaram um crescimento de 4% no ano de 2017 e, em dezembro, recuou 0,8% quando comparado ao mês anterior.

Em relação a dezembro de 2017, o volume de vendas do comércio varejista nacional recuou 1,5% frente a novembro, na série com ajuste sazonal, após avançar 1,0% em novembro. Conforme o índice Gfk-4E referente ao mês de dezembro (publicado na newsletter do dia 24/01), os dados do IBGE também apontam para uma mudança de comportamento do consumidor, que, em muitos casos, antecipou a compra de natal durante a Black Friday.

Lojas Renner (LREN3): 4T17 – Execução premium – Giovana Scottini, CNPI.

Renner reportou seus resultados aproveitando o bom momento de vendas para suas marcas com SSS de 8,7% frente a uma base de comparação favorável no 4T16 de -0,8%. A performance robusta das mesmas lojas levou a receita líquida de mercadorias crescer 16% 4T17/4T16, totalizando R$ 2.222 milhões, sustentada pelo maior fluxo de pessoas nas lojas e melhor composição nos estoques e execução operacional.

Seguindo a tendência do trimestre anterior (3T17), a margem bruta do Varejo cresceu 1,2 p.p. no 4T17 (para 57%), na comparação anual, beneficiando-se do efeito positivo do hedge cambial para produtos importados. As despesas operacionais, entretanto, cresceram acima da receita líquida em função dos projetos estratégicos em andamento, levando a uma retração da margem EBITDA do Varejo de 2,6 p.p.

A Companhia inaugurou 22 lojas no período (sendo 12 da Renner), incluindo duas lojas no Uruguai, alcançando a marca de 500 lojas em operação considerando todos os formatos.

CVC (CVCB3): 4T17 – Sempre é tão lindo viajar – Giovana Scottini, CNPI.

A CVC reportou resultados sólidos no trimestre, sendo reservas de R$ 2,77 bilhões impulsionadas por (i) Índice de vendas na mesma loja de 9,2% nas lojas CVC (seguido de SSS 10,5% no 3T17 e ante SSS de 10,7% no 4T16), (ii) crescimento das reservas das lojas físicas exclusivas de 11% 4T17/4T16, (iii) abertura líquida de 95 lojas CVC e 15 unidades Experimento nos últimos doze meses (UDM) e (iv) aumento no canal de agentes independentes em 13% a/a.

A receita líquida do Grupo totalizou R$ 339 milhões (+6,8% 4T17/4T16) com queda na margem (take rate) de 80bps devido a maior participação de pacotes internacionais. As vendas online do Submarino Viagens apresentaram bom desempenho crescendo 20% a/a enquanto que a CVC.com mostrou queda impactada pela implementação da nova plataforma.

Para saber mais sobre a tese de investimento em CVC é só clicar na área de assinantes do InspirAções.

Itaú Unibanco (ITUB4): Entre os grandes, és o primeiro – Vitor Mizumoto (CNPI) e Adeodato Netto.

Nos resultados referentes ao 4T17, mais uma vez, o Itaú Unibanco foi o único dos grandes bancos brasileiros a reportar retorno sobre patrimônio líquido (ROAE) acima de 20% (21,8%). É verdade que, dada a previsibilidade da companhia e sua assertividade recente nos guidances, não houve grandes surpresas no número final.

Dada sua relevância para o Ibovespa e a correlação com a macro brasileira, em linha com nossa visão positiva para a economia e a recuperação da atividade em todos os principais ramos de atividade, ITUB4 segue nossa principal escolha dentre os grandes players na Bolsa brasileira.

Com a divulgação das novas estimativas de crescimento do banco e com nossas novas projeções para a atividade creditícia no país, estamos atualizando nossos modelos e preço-alvo de Itaú, o que os assinantes do InspirAções terão acesso em primeira mão.

Porto Seguro (PSSA3): Lucros sobre pressão; até onde vai a euforia? – Vitor Mizumoto.

De uma forma global, Porto Seguro reportou números acima do esperado em termos de despesas e entregou crescimento de emissão de seguros Auto no 4T17. No entanto, a queda de 43% do resultado com aplicações financeiras, o que fez o lucro líquido reduzir 11% em relação ao 4T16, mostrou que apesar de ser eficiente operacionalmente, a companhia não está imune à queda das taxas de juros. Isso significa dizer que os níveis atuais de lucro e sua perspectiva não são suficientes para sustentar o nível elevado de precificação de suas ações.

Apesar dos números do resultado serem sempre o foco das atenções nessa época, ficamos um pouco intrigados com a continuidade do programa de recompra de ações da companhia, anunciado pouco antes da divulgação dos resultados (timing estranho, não?) referentes ao 4T17.

De forma geral, consideramos pouco ortodoxa a iniciativa de manter um programa de recompra em um momento em que as ações negociam em patamar tão elevado como o atual. O timing do anúncio, na verdade, pareceu-nos mais uma iniciativa para “squeezar” a posição vendida em ações da companhia…e aí fica a pergunta: parece correto utilizar o dinheiro do acionista dessa forma? Consideramos que não!

Respeitamos a companhia, mas nos preços atuais não nos parece fazer sentido algum ser seu acionista.

Diga-me como usas o dinheiro do acionista que te direi quem tu és.