O Plano B de Temer

A gravação em que Romero Jucá diz bravatas para operação Lava Jato gera a primeira grande crise do governo em exercício de Michel Temer.

A gravação em que Romero Jucá diz bravatas para operação Lava Jato gera a primeira grande crise do governo em exercício de Michel Temer. Mesmo já sendo investigado por corrupção, Jucá chegou ao Ministério do Planejamento como homem forte do PMDB e parceiro político da equipe econômica para adoção das medidas de salvamento das contas públicas. Sua força durou menos de duas semanas e o grampo da conversa com Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro, sugou o resquício de credibilidade que ele carregou como responsável pela gestão do orçamento federal.

Como dissemos na manhã desta segunda-feira (23) no Podcast da Eleven Financial, a gravação que expõe Romero Jucá enterra o Plano A de Michel Temer para sua primeira fase na Presidência da República. A maior expectativa para a semana estava focada nas medidas econômicas que serão anunciadas nesta terça-feira pelo “dream team” de Henrique Meirelles. Agora, o país vai gastar mais tempo redefinindo as regras do jogo, seus jogadores e seus adversários. Aliás, estes são personagens que andavam sumidos do cenário político brasileiro: a oposição. Ao ser afastado do governo, o Partido dos Trabalhadores volta para o lugar de onde nasceu e se fortaleceu e, para complicar, eles vêm com sangue nos olhos por causa do impeachment.

No meio da fumaça do novo escândalo, vaga a pergunta mais importante para o futuro do país: qual será o Plano B de Temer? Se vai demitir ou não Romero Jucá, ainda não se sabe. A atitude do presidente em exercício vai revelar a potência de seu pulso como governante de um país em crise. O que temos para hoje é uma cadeira semi-vaga no núcleo mais forte e, ao mesmo tempo, mais sensível da Esplanada dos Ministérios. Qualquer que seja a estratégia assumida por Temer para atravessar a crise de seu quintal, pode surgir aqui uma oportunidade para Henrique Meirelles.

Ele poderá completar seu time dos sonhos com alguém que, ou não teme, ou pelo menos não mancha a legitimidade das escolhas que o governo precisa tomar para não deixar a economia escorregar mais uma vez para um buraco mais fundo.

A economia vem sendo relegada a segundo plano há mais de um ano, perdendo sempre para a política. E o tempo é perverso porque não só adia as mudanças necessárias e obrigatórias, como aumenta o custo da fatura a ser paga. Esta realidade é o que fundamenta a visão da Eleven Financial de que o afastamento de Dilma Rousseff estava longe de ser o portal para uma nova e brilhante fase para o país. Infelizmente, a profundidade da crise exige doses cavalares de realismo e responsabilidade na tomada de decisões. Não valendo milagre nem mágica, não há espaço para divagação.  A oscilação nos preços dos ativos financeiros é apenas uma manifestação incontestável da realidade.