O preço da verdade e o sabor do boato

Quando Meirelles apresentou as escolhas do Governo Federal, o mercado foi forçado a encarar a dura, porém necessária verdade: não tem mágica orçamentária.

A verdade. Dia cheio de notícias, mas acima de tudo, de lidar com a realidade. Quando Meirelles apresentou as escolhas do Governo Federal para fechar as contas públicas ao final de 2017, já que nem equipe econômica, nem o comando do Planalto são adeptos do ciclismo fiscal, o mercado foi forçado a encarar a dura, porém necessária verdade: não tem mágica orçamentária.

Durante muito tempo, sociedade e iniciativa privada viveram bradando contra o Estado, mas torcendo para poder utilizá-lo como arrimo. O fim da desoneração da folha é somente um dos diversos movimentos através dos quais o Tesouro obrigatoriamente fará uso para devolver previsibilidade e diligencia à condução das suas (aliás, nossas) finanças.

Nosso time trabalha para dimensionar os impactos nas mais de 50 companhias cobertas da nova realidade de tributação. Agora, para citar um exemplo, Embraer, integrante da Carteira Eleven, tem um impacto estimado de R$ 72 milhões / ano. Não há alteração material nem na recomendação, nem no preço-alvo. Aquelas empresas que entendem de verdade que as questões fiscais nunca SÃO, mas sempre ESTÃO apontando para um lado ou outro, consolidam seus modelos de forma a proteger seus projetos de longo prazo de eventuais alterações bruscas na tributação. Afinal, cachorro picado de cobras, costuma ter medo de linguiça.

Aquelas que ficaram de fora das medidas “negativas”, como os papéis de construção civil, tiveram um bom dia na Bolsa. Nada de euforia, afinal, mais uma verdade foi materializada. O corte da Selic, na próxima reunião do COPOM, seguirá em linha com o Relatório Macro Brasil 2017 da nossa equipe, cortando 100 bps, trazendo a taxa básica de juros para 11,25% em abril. Ibovespa fechou em queda de 0,40%, aos 65.265 pontos.

Por aqui, seguindo a linha de fundamentos, hoje lançamos para todos os clientes de Renda Variável a cobertura de Alliar, uma companhia historicamente consolidadora e que se prepara para um novo ciclo, agora com amadurecimento orgânico.

O Boato

Com as recentes derrotas do Donald Trump no Congresso Norte-Americano, alguns mais pessimistas e amargos apontam para chance de recessão americana. Standard & Poor’s indica possibilidade entre 20% e 25% disto acontecer nos próximos 12 meses. Não é como vemos a dinâmica das coisas por lá. Mas parece que pouco importa. Nas relações entre boatos e fatos, más notícias para as companhias ligadas às commodities como Minério de Ferro. Gerdau e CSN foram as mais impactadas, e o dólar voltou a subir, ainda que muito pouco no mercado à vista (0,06%). Efeito no mercado de câmbio foi maior no dólar futuro, que voltou a se aproximar dos R$ 3,15 subindo 0,82%. Vale lembrar que a companhia liderada por Benjamin Steinbruch informou que não conseguirá entregar seus balanços auditados dentro do prazo legal. Esta sim vive de bons boatos há bastante tempo, enquanto amarga internamente o sabor de suas verdades.

Voltamos a dizer que se a frustração com a incapacidade de Trump implantar as mágicas econômicas prometidas em campanha estiver se abatendo sobre o mercado americano, mais vale uma sequencia de banhos de água fria e algumas horas no divã. Errado não está o processo, que assim como sempre ressaltamos, mantém instituições fortes ao redor da Casa Branca, evitando importantes efeitos globais com eventuais arroubos oriundos do Salão Oval, seja lá quem o ocupe. O problema está nas expectativas e naqueles que correm à frente, de mãos dadas com os boatos, tentando fazer preço em tudo o que for possível.

Se este é o ano no qual o fundamento tende a vencer o fluxo, assim será com a verdade sobre o boato. Mas até o fim da guerra, seguiremos aqui, apoiando os investidores com responsabilidade, focados na verdade e na diligência para suas escolhas de investimentos.

Amanhã tem mercado, IBC-BR e mais espaço para construir valor.

Até lá, de verdade!