Aprender a investir na Bolsa: O que é mais importante do que acertar sempre?

Aprender a investir na Bolsa: O que é mais importante do que acertar sempre? Como evoluir aprendendo com seus acertos e com seus erros.

“There`s no use running if you´re on the wrong road.” – Warren Buffett

Sempre mais interessante ao falar sobre os investimentos, abordar sobre temas que remetam a upsides e ganhos concretizados. No entanto, é preciso reconhecer que invariavelmente todos erram. Stuhlberger já errou, Soros, Klarman, Buffett e Dalio também. A lista pode continuar interminavelmente. O ponto é que para se obter sucesso em um universo permeado por incertezas como o mercado financeiro, a busca não deve ser por evitar todo e qualquer erro, mas por aprender com os erros para evita-los no futuro, e, principalmente, por saber distinguir quando se está errado e consertá-lo diligentemente. Aprender a investir na Bolsa passa por isso.

Uma boa analogia com uma corrida de carros sem GPS. Ter um bom motor para acelerar nas horas certas é importante. No entanto, a conjugação de humildade e sabedoria para perceber e corrigir rapidamente quando se está indo na direção errada é o que irá decidir o campeão da prova, pois acelerar no sentido oposto não é somente desperdício de tempo, mas pode ser deletério ao seu bom desempenho na maior parte da competição. E, claro, como não há GPS, cedo ou tarde todos irão errar. É natural.

O que, de fato, separa os grandes competidores nessa corrida, ou os investidores ao que nos interessa, é a humildade de saber reconhecer suas limitações frente o imponderável, ou mesmo a possibilidade de em algum momento ter errado em algum cálculo. Não há GPS nos investimentos. Nesse momento, a habilidade de saber frear e fazer o retorno para o sentido correto é o que faz a diferença.

Retornos consistentemente altos ao longo dos anos são construídos “através da preservação do capital e alguns home-runs” segundo o megainvestidor Stanley Druckenmiller, o braço direito de George Soros por anos. Sua ideia é que uma carteira de sucesso não se faz por várias escolhas acertadas, mas por algumas ações de um portfólio desproporcionalmente bem-sucedidas. Por outro lado, garantir que as outras ações da carteira fiquem estáveis, ou, ao menos que tenham suas quedas cortadas cedo, o investidor irá muito bem no longo prazo.

Vale ressaltar, estamos falando aqui de quedas associadas a uma perda de fato estrutural, por conta de uma mudança de cenário definitiva, ou um erro de análise.

“Se você acredita que o mundo é permeado por incerteza e aleatoriedade, gaste seu tempo tentando evitar as ações perdedoras. As vencedoras irão cuidar de si mesmas, e você não terá mais nenhum mau investimento para puxar para baixo sua média” resumiu Howard Marks em seu livro The Most Important Thing, citado no post da semana passada.

É basicamente isso que Marks e outros grandes investidores procuram ao analisar suas carteiras: dar espaço para os investimentos vencedores se desenvolverem, e evitar os investimentos perdedores. Seu compromisso é ganhar dinheiro para seus clientes, não dar provas ao mercado que ele estava sempre certo em sua opinião original.

Portanto, o investimento de longo prazo é muito mais complexo do que simplesmente comprar um papel de uma boa empresa e esquece-lo por décadas. Se alguém imagina que seja esse o processo dos grandes seguidores do Value Investing, lamento dar uma má notícia. O investimento de longo prazo certamente passa por girar pouco a carteira, mas passa também por monitorar periodicamente as empresas. Entender seus fundamentos e seus riscos, e, principalmente, analisar quando a assimetria entre risco potencial e upside associado se torna negativa.

A maioria dos investidores foca principalmente no retorno, no quanto eles podem ganhar, e prestam pouca atenção ao risco, e no quanto eles podem perder em caso de erro. Por isso que a história dos investimentos nos mostra que os campeões não são aqueles que mais acertam, mas aqueles que tem a humildade de reconhecer seus erros rápidamente.

Errar é parte do jogo, principalmente no mercado brasileiro repleto de incertezas em suas mais diversas esferas. No final das contas, portanto, o investidor de sucesso não é necessariamente aquele que acelera mais na reta, mas aquele que consegue voltar mais rápido para a pista.

Forte abraço e bom domingo a todos!