O urso comeu o touro?

Enquanto escrevo estas linhas, vejo o índice Ibovespa cair 0,90% e operar aos 73.630 pontos. A quantidade de letras e números vermelhos mostram muito. Confira.

Enquanto escrevo estas linhas, vejo o índice Ibovespa cair 0,90% e operar aos 73.630 pontos. A quantidade de letras e números vermelhos nos meus terminais mostram mais do que uma queda, mas um comportamento irracional apoiado na chuva de manchetes sensacionalistas sobre o apocalipse consequente da “surpresa” com a queda brutal nas chances de aprovação da Reforma da Previdência.

Aí trago a vocês o mais recente laureado com o Nobel de Economia, aliás, tema da Carta Mensal do nosso Relatório Macro de Outubro, que pode ser acessado aqui, Richard Thaler:

Lembre-se que as pessoas gostam de fazer o que a maioria pensa que é certo.

Lembre-se também que as pessoas gostam de fazer o que a maioria realmente faz.”

Em momentos como este, a serenidade e o olhar criterioso são a diferença entre o sucesso e o sofrimento. Os números da temporada de resultados mostram a consolidação da recuperação econômica. Em todos os setores. Mas lá vem o varejo sendo massacrado nos últimos pregões. Curiosamente, tenho andado por diversos lugares e centros comerciais, ruas, shoppings, vendo uma mudança substancial. O fluxo de pessoas aumentou, mas o que mais impressiona é a quantidade de sacolas sendo carregadas, cheias de compras.

Em que mundo vive este povo? No país do Jornal Nacional e dos principais periódicos, no qual tudo é ruim e vivemos uma sociedade em pé de guerra, pendurada em uma falsa dicotomia hipócrita na qual é muito mais importante ter razão (ou achar que tem) do que seguir em frente? Ou será que vive replanejando a vida, com a televisão desligada e sem comprar jornais, que aliás, vêm suas receitas desmoronando, muito provavelmente em função do mar de lama e sangue que fazem questão de destacar sistematicamente?

Indústria automotiva recuperando-se com força, lançamentos voltando ao setor imobiliário, taxas de juro em queda e crédito voltando. Brasília não é seca à toa. Parece que até o ar de lá é consumido por aqueles aos quais só interessa o mais básico instinto humano: a sobrevivência. Só que no dicionário do planalto central, a definição de sobrevivência é similar à da impunidade e da capacidade de promover mais algum acordo espúrio que traga de volta a hipótese do leão da montanha. Pensando bem, o antigo personagem dos quadrinhos seria massacrado nos dias de hoje ao falar “saída pela direita”. Seria taxado de reacionário. Se a opção fosse a “saída pela esquerda”, seria um destruidor da família e dos bons costumes.

De uma lata-velha, a uma velha coisa ou uma coisa velha, o fato é que para as eleições de 2018 ainda faltam, na cronologia brazuca, aproximadamente uns 6 anos. E o mercado, ah o mercado, não suportaria tanto tempo assim azedo. Ia faltar limão. Logo alguém entenderá o tamanho da oportunidade na indústria de limonada gelada, já que estamos chegando ao verão e o que mais importa é refresco, praia e as férias.

Segundo Warren Buffett, “a volatilidade dos mercados é a maior aliada dos investidores”. Sem a pretensão de contradizer o Mestre, mas já fazendo, mesmo reconhecendo as oportunidades que se abrem nas oscilações, ressalto que a tal da volatilidade é aliada daqueles que estão devidamente preparados. Da calma em saber quando não apertar os botões, de compra ou venda, ao planejamento dos estoques de omeprazol e ibuprofeno.

Muitos dizem que o que diferencia os humanos dos outros animais, é o raciocínio, ou o polegar opositor. Que tal se pensarmos na adaptabilidade? Quem nunca pensou “como é fácil se adaptar a coisa boa, não é mesmo?” Assim é no bull market. Tudo sobe, menos o dólar, os juros e a inflação. Cito aqui um pedaço do texto do Tuesday Caplet, publicado em fevereiro de 2016, no qual relata uma conversa com o psicanalista Jacques Lacan:

Quando falei desta percepção, Lacan me disse: “a lei do capitalismo é a lei do mercado. Explico – disse ele – o inconsciente é estruturado como linguagem e o desejo do homem é o desejo do Outro.”

Foi a primeira vez que pensei como o “efeito manada”, que tantas vezes vemos em cenários de investimentos e decisões dos mercados, tem muito mais relação com a psique, a individualidade, do que uma ilusória percepção de consenso.

Se um urso comer um boi, tem uma manada para vingar a refeição do comilão. É assim que a virada estrutural do nosso mercado pode responder. Mas sem dúvida, viver dias como hoje, ou os últimos, é um excelente exercício de humildade.

Voltemos ao básico, se você não escolhe qualquer um para colocar dentro da sua casa, porque faria isso com uma opção de investimento?

Que o urso morra engasgado!