Os bilhões nossos de cada dia

Ufa...Agora podemos retomar a vida. Já temos uma meta fiscal para 2017 e o deputado Eduardo Cunha renunciou à presidência da Câmara.

Ufa…Agora podemos retomar a vida. Já temos uma meta fiscal para 2017 e o deputado Eduardo Cunha renunciou à presidência da Câmara. Quem dera se fosse tão simples a resolução de nossos problemas. O anúncio do déficit esperado pelo governo para o ano que vem – R$ 139 bilhões é um “esforço muito grande”, nas palavras do próprio ministro da Fazenda Henrique Meirelles e depende de mágica, milagre ou um sucesso arrebatador na geração de receitas e arrecadação do governo federal. Pelos cálculos da equipe econômica serão necessários R$ 55 bilhões a mais para fechar a conta.

Aumento de impostos para garantir a fonte de recursos, por enquanto, nem pensar. “Em agosto, depois de analisarmos todas as possibilidades, vamos decidir se vamos precisar aumentar um imposto, que imposto e de forma pontual para gerar receita”, afirmou um ministro contrariado. As condicionantes para que seja possível alcançar a meta assumida são muitas e têm três fatores essenciais: crescimento da economia,  um sucesso retumbante nos programas de concessões, privatizações, outorgas, etc e a aprovação das medidas de ajuste que já estão no Congresso Nacional – sendo a PEC dos Gastos a prioridade mais urgente.

Só para lembrar – duvidamos que você tenha esquecido – o rombo previsto para este ano é de R$ 170 bilhões. As conversas de bastidores em Brasília dão conta de que o buraco para 2017 seria muito maior do que este se todos os riscos fossem considerados. Mas a política venceu a matemática econômica. Já foi difícil engolir os bilhões deste ano. Garantir desde já que a fatura seria ainda maior no próximo ano seria dar tiros nos em vários pés que caminham pelos corredores do poder.

O futuro das mudanças que dependem do parlamento ainda é incerto mas abriu-se uma nova oportunidade. Demorou mas chegou o dia em que o Brasil veria Eduardo Cunha tombar. O tombo propriamente dito não aconteceu, mas Cunha caiu. A renúncia à presidência da Câmara é a metade do caminho. A saída dele permite votação para um novo líder que assuma a coordenação política indispensável para a aprovação das medidas de ajuste. A reforma da previdência está na fila e vai precisar de muita articulação para sair do lugar. A renúncia de Cunha, além de ser finalmente um alívio para a sociedade brasileira, ainda nos dá, de quebra, a chance de nos livrarmos de Waldir Maranhão – um dos piores retratos da política brasileira.

Como não se pode ter tudo na vida, Eduardo Cunha continua deputado e com todas as regalias que o cargo lhe dá. A maior delas, para quem já é réu penal no STF é exatamente manter o foro privilegiado. A covardia do sujeito é tamanha que ele continua se protegendo do juiz Sérgio Moro e deixando a mulher e a filha fritarem no caldeirão da Lava Jato. No discurso de renúncia, Cunha até chorou! E, segundo a jornalista Andréia Sadi, da GloboNews, o vilão número 1 do país deu recados diretos aos colegas de parlamento avisando: “eu ajudo vocês e vocês me ajudam”.

O Brasil está sob fogo cruzado de problemas e desafios. A maquininha que gera senhas de atendimento das prioridades queimou – não deu conta de tanta demanda. De um jeito ou de outro, cada dia se mata um leão e se afaga outro. Nesta quinta-feira (07), nos livramos de Eduardo Cunha e fomos apresentados à extensão da crise que já conhecemos bem a gravidade. “Milagre não existe”, disse o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha. “Só temos 55 dias de governo”, repetiu várias vezes durante entrevista coletiva para o anúncio da meta fiscal. Só isso, ministro? Já parece uma eternidade…