Palavra do Rafi | Como o dólar mais fraco impacta nas ações?

Os que acompanham meu trabalho sabem que não é de hoje que venho falando sobre o comportamento o dólar, sobretudo quando o comparamos com o Real. O dinamismo internacional à luz do noticiário oriundo do presidente do FED, Jerome Powell, e do otimismo com a economia brasileira, colocaram nossa moeda num ponto técnico para lá de relevante.

Com o Real mais forte, ou seja, com o dólar mais fraco no Brasil e no mundo, qual deverá ser o impacto no mercado de ações? No que devemos ficar de olho para nos beneficiarmos deste movimento?

Primeiro de tudo, é importante olharmos para o Dólar Índex (DXY). É o dólar USD contra uma cesta de outras moedas relevantes no mundo. Desde março de 2018, o DXY seguia numa ampla tendência de alta até concluir seu objetivo, por volta dos 97 dólares. É muito importante frisar o teste de resistência na faixa dos US$ 97,80, região onde temos uma retração de Fibonacci com origem em janeiro de 2017 e fim em fevereiro de 2018.

A retração de 61,8% de toda a tendência de baixa de 2017 até fevereiro de 2018 retrata o fim do ciclo de alta de médio prazo para o dólar.

Outro indicador importante que sinaliza esta reversão de tendência é o Índice de Força Relativa (14 períodos). Veja que ele nos mostra uma divergência de topo com início em junho até meados de dezembro de 2018.

A perda da linha de tendência de alta de origem em março de 2018 sinalizado pelo círculo vermelho também confirma que os topos e fundos ascendente deixaram de existir.

gráfico dolar index

 Como anda o dólar contra o Real?

É onde a nossa análise fica ainda mais interessante. Em 2018, ano de eleição, o dólar serviu como moeda de fuga, proteção (hedge) e/ou especulação. Com isso, mesmo com algumas intervenções do Banco Central (BC), o dólar chegou a casa dos R$ 4,20.

Após as eleições, este cenário foi mudando e hoje estamos diante de um ponto que poderá revelar uma alteração estrutural quanto à tendência e à relação dos ativos brasileiros, especialmente Bolsa de Valores, sob a ótica do investidor estrangeiro.

Veja no gráfico abaixo que o dólar/Real voltou a testar uma região de forte suporte e também chamada “linha de pescoço” de um padrão altamente conhecido pela análise técnica – o Ombro-Cabeça-Ombro. É um padrão de alta confiabilidade, sobretudo quando observamos harmonia e simetria entre os ombros.

gráfico dólar spot

A possibilidade da perda do suporte e linha de pescoço na faixa entre os R$ 3,70 e R$ 3,66 nos dá um timing importante para o que pode vir pela frente. Esta reversão majoritária da tendência de alta de médio prazo, se confirmada, poderá abrir uma tendência de baixa até faixa dos R$ 3,20 e R$ 3,15.

Quando nos deparamos com esses níveis que podem mudar a dinâmica estrutural, sobretudo na precificação dos ativos brasileiros sob a ótica do investidor estrangeiro (dolarizado), precisamos também olhar como anda o risco do Brasil. Esse fluxo pode ser verificado através do CDS (credit default swaps) de 5 anos, conhecido também como Risco País. É uma espécie de seguro para o investidor estrangeiro investir no Brasil. Ele costuma ter uma correção positiva com o dólar, isso é, quando o dólar cai o CDS também cai, e vice-versa. Quanto mais baixo o CDS, mais barato (e seguro) é investir.

gráfico risco país

A surpresa positiva é que o CDS de 5 anos já foi na frente. Perdeu um suporte importante na faixa dos 195 e segue ladeira abaixo rumo ao próximo fundo por volta dos 150, mas com uma série de pequenos suportes intermediários pelo caminho.

A notícia é positiva. O dólar mais fraco no mundo (e contra o Real) favorece os mercados emergentes, sobretudo os índices que têm boa correção com as commodities, como é o caso do Brasil. Historicamente, o dólar mais fraco acaba impulsionando essas bolas.

O Índice Bovespa se coloca numa posição de preferência quando comparado com os demais mercados emergentes. Há algumas discussões estruturais importantes acontecendo no Brasil com o novo governo. A primeira delas é a determinação do ministro da Economia, Paulo Guedes, dizendo que é preciso desburocratizar e desregulamentar o ambiente de negócios. Se isso for feito com transparência, os resultados dos investimentos ficarão mais previsíveis.

Por falar em previsibilidade, a segunda questão mais importante em discussão são as reformas fiscais importantes para o controle da dívida pública brasileira. Este é o Calcanhar de Aquiles que mais incomoda o investidor internacional.

O dólar ficando mais fraco contra o Real é uma forma bem nítida de olharmos o termômetro das apostas do mercado em relação as reformas e todas as demais questões do “Custo Brasil” que tanto impede de o país de avançar.

Visualizando as curvas de juros futuro de longo prazo caindo (fechando), CDS para baixo e o dólar testando a faixa dos R$ 3,70 e R$ 3,65 é uma combinação importante que pode realmente colocar o mercado numa trajetória mais promissora. O Brasil corre um sério risco de dar certo.

Na minha visão, o dólar será o espelho daquilo que o mercado pensa. Enquanto estivermos acima dos R$ 3,70/3,65 (linha de pescoço) ainda teremos alguma incerteza e risco sobre o que vem pela frente.

Já o dólar confirmando o padrão de reversão, abrindo uma tendência de baixa, será a maneira mais clássica de dizer: o mundo quer o Brasil.

Um abraço a todos!
Rafi

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