Quanto vale ou quanto custa?

O Ibovespa encerrou o pregão em queda de 2,19%. Investidores mantêm cautela no aguardo dos desdobramentos da deleção dos executivos da Odebrecht.

Não está nada fácil dar preço nas coisas aqui no Brasil. Não vale quanto pesa, não entrega pelo que custou, é pechincha injusta – se vê de tudo na praça. No ambiente do mercado financeiro, então! Ninguém se entende sobre o que fundamenta a formação do valor dos ativos. Como já dissemos aqui, na avaliação da Eleven Financial, os movimentos de euforia têm enaltecido demais quem só faz vento e sobra pouco espaço para análises mais estruturais das empresas para tomada de decisões mais acertadas.

Por isso mesmo o mercado está com endoidecido com muito capital especulativo apertando o botão da montanha russa, numa viagem sem parada. Um caso gritante é a CSN. A siderúrgica, como já dissemos, continua tecnicamente quebrada e dando looping sem parar. Na terça-feira (05) as ações CSNA3 caíram mais de 7%. Na quarta-feira (06), subiram 5% – aqui não tem preço, ou crença numa recuperação da empresa. Só tem brincadeira de especulador.

O caso da Cemig é um pouco diferente já que há uma expectativa pela privatização e o interesse de quem compra ou vende suas ações é mais preferencial do que ordinário – valendo o trocadilho. Depois de ter uma sequencia compradora forte, nesta quarta-feira os papéis CMIG4 chegaram a cair 7%, fechando em queda de 3,08%. O recado aqui é mais explícito, mesmo partindo de uma mente um pouco confusa. Para quem conferiu nosso fechamento de mercado ontem ou ouviu o podcast pré-mercado de hoje, nada de muito susto neste movimento.

Parece que os investidores entenderam que qualquer processo de venda de ativos ou privatizações que tenham que ser lideradas pelo governo será muito complexo e demorado – mesmo que Brasília tenha pressa. Standard & Poor’s que o diga. Talvez seja um pouco demais achar que estamos todos convencidos de que não adianta chutar as ações para o alto porque está muito cedo. Mas para quem já está sentado no carrinho da montanha russa, nunca se sabe o que vem depois da próxima curva.

Enquanto isso no outro brinquedo radical do parque, a política continua provocando fortes emoções e náuseas. Se você sofre de enjoo com turbulências, é melhor pular as próximas frases. Eduardo Cunha acertou ao pedir ajuda da Comissão de Constituição e Justiça. O relator que pegou o caso acha que a votação que aprovou a cassação do deputado carioca no Conselho de Ética deve ser anulada!

Se você resolveu tomar um Dramin para seguir nos acompanhando, melhor. Na comissão do impeachment do Senado, a presidente afastada, Dilma Rousseff, apresentou sua defesa na boca do ex-vários-vários-cargos-no-governo-do-PT José Eduardo Cardoso. O discurso tinha o drama da injustiça e da vitimização. Até aí sem uma surpresa. Ainda assim, o petista que defende a presidente, caprichou na interpretação do texto.

Tudo indica que continua tudo como já estava no Senado. A contagem para a votação final do processo que retira de vez o PT do poder e admite de vez o governo de Michel Temer, sinaliza vitória do impeachment. Mesmo assim, toda vez que surgir alguma faísca da batalha que Dilma faz para voltar, ficamos todos ouvidos para entender o tamanho da ameaça.

Terminamos este dia com a sensação de que o passeio no parque não foi divertido – mesmo com o Ibovespa se recuperando nos momentos finais do mercado. Falta pouco para conhecermos a meta fiscal de 2017, que deverá ser anunciada nesta quinta-feira (07). O número é grande e, assim como acontece com os outros “produtos” na prateleira do Brasil, está difícil dar preço à estratégia de Henrique Meirelles e sua equipe, considerando que parece que Temer segue animado com seu talão bondoso de cheques em mãos.

Nós estaremos aqui e topamos rachar um algodão doce com você na jornada de amanhã. Você prefere rosa ou branco? É o mesmo preço…pelo menos do algodão doce, só que engorda!