Razão ou sensibilidade?

Os mercados da Ásia sofreram mais porque foram os primeiros a encarar a decisão do Reino Unido de se separar da União Europeia.

Nem uma coisa, nem outra. O que deu no mercado financeiro nesta histórica sexta-feira, dia 24 de junho de 2016, foi um baita medo mesmo. Os mercados da Ásia sofreram mais porque foram os primeiros a encarar a decisão do Reino Unido de se separar da União Europeia. Logo em seguida, os mercados europeus também sentiram bastante a decisão porque são e estão no centro do furacão criado pelos britânicos.

Nós aqui do Brasil começamos o dia muito negativo, ainda digerindo a novidade no café da manhã. Mas o tempo foi passando e nós fomos nos recolhendo à nossa insignificância. Encolhemos no mundo e já temos um preço acertado (minimamente) para a nossa crise pessoal, ou seja, a exposição ao risco Brasil está menor e, apesar das incertezas na política, os rumos na economia parecem estar com a bússola mais acertada. Com a recessão, nós também encolhemos de tamanho “físico”, já que hoje representamos menos de 3% do PIB mundial.

O governo brasileiro se mobilizou durante o dia para falar com representantes do Reino Unido em Brasília, o Banco Central ouviu bastante gente do mercado financeiro doméstico para medir a temperatura local. O BC também lembrou o tamanho do cofrinho com as reservas internacionais – R$ 378 bilhões – para fazer frente a uma volatilidade mais histérica. Histerismo mesmo foi só lá fora.

No final do dia contabilizamos uma perda de 2,82% na Bovespa e o dólar fechou em R$ 3,37, depois de ter experimentado a barreira dos R$ 3,40 logo na abertura dos mercados. A movimentação no mundo da renda variável é mais assimétrica e tende a representar mais a aversão ao risco e o medo do futuro. É só ver o que aconteceu com as bolsas europeias – um cenário que deve se repetir nos próximos dias. Mais cedo publicamos uma análise mais detalhada do que a Eleven Financial espera dos efeitos prováveis do Brexit.

Enquanto o mundo sacodia, Brasília viveu mais um capítulo tragicômico da corrida entre os corruptos e a justiça. O que importa é que passamos a semana toda sem que nenhum ministro tenha sido abatido pela Lava Jato – o que também fortaleceu a percepção sobre a redução do risco país. Do Ministério do Trabalho, saiu o resultado do Caged de maio, com fechamento de mais de 72 mil vagas com carteira assinada. Se serve de consolo, em maio de 2015, o mercado perdeu 115 mil postos. Como a realidade é sempre um pouco mais dura, na contagem em 12 meses, já temos mais de 1,7 milhão de vagas fechadas no mercado formal. Isto sim um drama econômico.

Sobre a razão e a sensibilidade, pouco provável que alguma delas se sobreponha nos próximos dias. A nossa sorte é que tudo aconteceu numa sexta-feira e teremos todos o fim de semana para desenhar (ou redesenhar) o mapa-mundi. Quem sabe jogar uma partida de WAR e brincar de dominar o mundo! Pelo menos a gente tem a chance de se sentir importante! Bom fim de semana.