Saiba tudo sobre CDI, e como interfere nos seus investimentos

Aprenda tudo sobre CDI

É provável que você já tenha ouvido de um gerente de banco ou outro profissional do mercado financeiro que determinada aplicação rende “90% do CDI” ou algum outro percentual dessa taxa. Aí resta a dúvida: isso é bom ou ruim? E afinal, o que é o CDI?

Essa é uma informação muito importante para todo mundo que quer investir seu dinheiro, porque o CDI é usado como referência para a maioria das principais aplicações financeiras.

O que é o CDI

O CDI é uma sigla que significa Certificado de Depósito Interbancário. Por determinação do Banco Central, os bancos não podem encerrar o dia com saldo negativo. Por isso, todos os dias os bancos emprestam dinheiro entre si, de forma que todos fechem o dia com saldo positivo.

Esses empréstimos são de curtíssimo prazo, de apenas um dia, e têm como finalidade apenas cobrir essa diferença de caixa. A média das taxas cobradas nesses empréstimos é o que chamamos de CDI.

A taxa CDI mais utilizada pelo mercado é o DI-Over. Ele é divulgado diariamente pela Cetip, uma empresa criada pelo Banco Central e por instituições financeiras que presta diversos serviços no mercado financeiro, como custódia (guarda) de títulos e valores mobiliários, negociação eletrônica, registro de negócios e liquidação financeira.

No dia 6 de abril de 2017, o site da Cetip informava que a taxa DI daquele dia era 12,13% ao ano. É isso mesmo: embora varie diariamente, a taxa é anual.

O que influencia a variação do CDI

Outra informação importante sobre o CDI é que sua variação acompanha a da taxa Selic, que é a taxa de juros que o Banco Central pratica com os bancos. Ou seja, se o governo sobe os juros, o CDI também sobe, e o contrário também é verdade.

Aqui vale destacar a palavra “acompanha”. Isso quer dizer que as duas taxas não são idênticas, mas que elas seguem a mesma direção, a mesma tendência.

Além da Selic, a quantidade de dinheiro disponível no mercado também tem influência sobre a variação do CDI. Neste caso, vale a lei da oferta e demanda. Se há abundância de dinheiro no mercado, os juros cobrados (o CDI, no caso) é menor. Se o dinheiro está escasso, o CDI sobe.

O que o CDI tem a ver com meus investimentos

Embora seja uma taxa de juros de empréstimos interbancários, o CDI é usado como uma referência para as aplicações de renda fixa. Ou seja, você não investe no CDI, mas em aplicações cujo rendimento está atrelado ao CDI.

Alguns exemplos de investimentos que pagam ao investidor um percentual do CDI são os CDBs (títulos de renda fixa emitidos pelos bancos), os fundos DI e as LCIs (Letras de Crédito Imobiliário) e LCAs (Letras de Crédito do Agronegócio).

Por isso, quando você for escolher um investimento, fique atento à informação sobre seu rendimento.

Só para ter uma ideia do quanto isso vai influenciar no rendimento das suas aplicações, vamos usar um exemplo. Vamos supor que você tenha aplicado R$ 10.000 em 06 de abril de 2007. Se a aplicação que você escolheu pagava 80% do CDI ao investidor, dali a 10 anos você teria R$ 23.000.

Agora, se o rendimento fosse de 100% do CDI, o investidor teria R$ 28.323. Uma bela diferença, não é mesmo? Ah, no exemplo não consideramos incidência de imposto de renda nem nenhum tipo de taxa cobrada pelas instituições financeiras.

O que é pós-fixado e prefixado

Para entender um pouco mais sobre as aplicações que acompanham o CDI, primeiro precisamos conhecer o funcionamento dos investimentos em renda fixa.

As aplicações de renda fixa podem ser prefixadas ou pós-fixadas. Isso tem a ver com a forma como seu rendimento é determinado.

Nas aplicações prefixadas, o investidor sabe exatamente quanto vai receber na data de vencimento daquele investimento. Por exemplo, se você comprar um título público chamado Tesouro Prefixado, vai receber R$ 1.000 na data de vencimento desse título.

No dia 06 de abril de 2017, um título Tesouro Prefixado com vencimento para 01/01/2020 custava R$ 777,89. Se você comprar esse título e ficar com ele até a data do vencimento, receberá R$ 1000, ou seja, um rendimento de 9,68% ao ano.

Esse rendimento, portanto, não depende da variação da taxa de juros nem de nenhuma outra taxa, ele é “combinado” no momento da compra.

Os investimentos de renda fixa pós-fixada têm seus rendimentos atrelados a algum índice de referência. Os mais comuns são índice de inflação ou de juros.

Por outro lado, se você comprar um título Tesouro Selic, seu rendimento não é conhecido no momento da compra. Ele vai depender da variação da taxa Selic. Na data de vencimento do título, você vai receber o que investiu mais a Selic daquele período.

Já deu para perceber, portanto, que os investimentos pós-fixados são mais vantajosos quando se espera uma alta na taxa Selic.

Quais investimentos acompanham o CDI

Boa parte das aplicações de renda fixa pós-fixada é atrelada ao CDI. Entre elas estão:

  • Fundos DI
  • CDBs pós-fixados
  • LCIs pós-fixadas
  • LCAs pós-fixadas

Investimentos em renda fixa pós-fixada atrelados ao CDI podem ser mais ou menos seguros.

Os fundos DI, por exemplo, são considerados de baixo risco, porque eles investem basicamente em títulos públicos pós-fixados. Ou seja, o risco que existe é o de o governo não honrar seus compromissos, que é um risco pequeno.

Por isso, os fundos DI costumam pagar ao investidor uma taxa menor do que 100% do CDI. Ao investir, observe quanto ele tem rendido nos últimos anos e qual a taxa de administração cobrada pela instituição financeira. Se ela for muito alta, vai comer boa parte do rendimento e o investidor corre o risco até de ganhar menos do que se tivesse deixado o dinheiro na poupança.

Já a taxa paga pelos CDBs varia bastante de instituição para instituição. Nos grandes bancos, ela costuma ser mais baixa. Isso porque os títulos emitidos por essas instituições são considerados de baixo risco e, por isso, não precisam pagar rendimentos altos para atrair investidores.

Os bancos menores, por sua vez, podem pagar até mais de 100% do CDI em seus CDBs. O risco também é um pouco maior, mas aqui tem uma boa dica: os CDBs – assim como as LCIs e LCAs – contam com a proteção do FGC (Fundo Garantidor de Créditos), um mecanismo que protege o investidor em caso de insolvência da instituição financeira.

Agora você já sabe como interpretar o percentual do CDI pago pelas suas aplicações e vai poder fazer escolhas ainda melhores, não é? Aproveite para assinar a nossa newsletter e ficar por dentro do mundo dos investimentos!