Ser realista ou ser feliz? Eis a questão!

Os destaques da alta foram as ações da Klabin(KLBN11), que subiram +6,18%, seguidas pelas ações da CCR (CCRO3 + 5,97) e Lojas Americanas (LAME4 + 5,06%).

Há luz no fim do túnel e dentro dele também. A expectativa pela privatização de algumas companhias elétricas estaduais levou as ações subirem com força. As duas mais promissoras, até agora, parecem Celg – de Goiás, e Cemig – de Minas Gerais. Além da energia (literalmente), a educação também tem gerado bons resultados, pelo menos no mundo dos negócios. Grandes companhias privadas do setor ainda brigam para conquistar a Estácio, maior grupo privado de ensino superior. Já rolou paquera, jantar, mensagens no WhatsApp e até agora ela não resolveu quem vai namorar sério. A briga segue entre Kroton e Ser Educação e o mercado aplaude a aposta entre uma e outra, levando as ações das companhias para o alto.

Nossa leitura no setor é muito clara desde nosso lançamento. Modelos de negócio quantitativos e não qualitativos modelam as operações dos gigantes Kroton e Estácio. Uma super-expectativa vendeu uma oportunidade maior que a realidade no Nordeste da Ser Educação. Enquanto isso, do seu jeito low profile e compromisso com seu projeto qualitativo, a Anima segue crescendo de forma seletiva e planejada, e hoje parece que o mercado olhou para os papéis ANIM3, que registraram alta de 14,87%. Lembrando que Anima é a escolha das educacionais da Carteira Eleven!

Mas não foi só de luz e educação que o mercado se alimentou nesta quarta-feira. A Bovespa teve mais um dia de alta – de 1,99%, alcançando novamente os 51 mil pontos. Um baixar de armas entre o Reino Unido e a União Europeia deixou os investidores respirarem um pouco e corrigirem os exageros cometidos nos primeiros dias depois do susto com o Brexit. Mas foi do Brasil a maior parte da responsabilidade pelo dia mais positivo.

Já estava na hora do Brasil pensar no Brasil e quando isto acontece, os mercados ficam mais felizinhos. Não que tenha acontecido alguma coisa extremamente relevante, como a aprovação da reforma da previdência. Aliás, pensando bem, nada foi aprovado até agora. Ou melhor, sejamos justos – houve sim algum avanço no Congresso Nacional como a aprovação da DRU e da Lei de Responsabilidade das Estatais. Mas as medidas que podem realmente virar o jogo da deterioração das contas públicas e estancar o crescimento da dívida pública – nadica de nada. O mercado está vivendo de esperanças, não de fatos. O que também vale, mas não forma preço com a mesma acuidade.

Para ser bem realista, é só olhar os dados sobre o endividamento público de abril anunciado pelo Banco Central – R$ 4,113 trilhões, o que corresponde a 68,6% do PIB.  

E tem mais. O setor público consolidado fechou maio com um déficit de R$ 18,125 bilhões, o pior resultado da história para o mês. No ano, o rombo chega a R$ 13,714 bilhões. Em 2015, no mesmo período, havia superávit de R$ 25,547 bilhões. Tudo bem que tinha pedaladas e muita criatividade contábil à época.

Embalado no copo meio cheio servido pelo mercado hoje, o dólar caiu mais e se aproximou dos R$ 3,20. Está todo mundo testando o piso de tolerância do Ilan Goldfajn, novo presidente do BC. Será que ele vai deixar o cambio flutuar mesmo ou vai acabar se lembrando do que ele mesmo disse há 15 anos, um pouco antes de assumir a diretoria de Política Econômica do BC, na equipe de Armínio Fraga: “O câmbio flutuante é bom quando não flutua”. Nessas horas é melhor ter memória fraca.