Sr. Ministro Barbosa, se o Sr. nos permite

Barbosa quer aprovação de fazer uma economia das contas públicas de R$ 24 bilhões por uma permissão para gastar mais R$ 96 bilhões. Entenda.

Para não deixar espaço para má interpretação de nossa parte, fomos procurar no dicionário* alguns dos verbetes usados pelo ministro da Fazenda, Nelson Barbosa em sua audiência no Senado nesta terça-feira (29), quando explicou à Comissão de Assuntos Econômicos o por quê do rombo astronômico previsto para as contas públicas este ano. Barbosa quer aprovação dos senadores para trocar o compromisso de fazer uma economia das contas públicas de R$ 24 bilhões por uma permissão para gastar mais R$ 96 bilhões.

“Esse resultado [déficit permitido em 2016] não é confortável, não deixa o governo satisfeito, mas é necessário para que possa evitar uma queda da atividade [no próximo ano] e para manter os programas essenciais”…em outro momento…”(os problemas fiscais) não serão eliminados num passe de mágica, independentemente da solução política”…mais um pouco….”Chegamos ao ponto de ter uma discussão mais ampla, profunda e bem detalhada (sobre as contas públicas), disse Barbosa aos senadores.

Confortável: que oferece conforto ou comodidade.

Satisfeito: contente, atendido.

Necessário: que não pode deixar de se fazer, o que é indispensável.

Mágica: deslumbramento, encanto, fascinação.

O ministro da Fazenda deve ter chegado há poucos dias no Brasil depois de pouco mais de um ano em Marte. Ministro, com a sua licença, o “ponto de ter uma discussão mais ampla, profunda e bem detalhada” sobre a situação fiscal do país passou por nós lá em 2014, um pouco antes das pedaladas fiscais serem adotadas pelo governo. O “ponto” em que estamos hoje é única e exclusivamente resultado da irresponsabilidade do Sr. e de seus antecessores, desde o primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff, o Sr. vai desculpando a franqueza. Assumir que o rombo bilionário causado pela sua gestão e pelas escolhas da presidente não será mesmo resolvido com um passe de “mágica” é de deixar qualquer santo milagreiro mordido.

Ministro Barbosa, se o Sr. nos permite discorrer mais um tanto, desconforto e a insatisfação com os resultados entre gastos e receitas do governo federal deviam ter lhe acometido antes que o fundo do buraco sumisse de vista. A retomada da Nova Matriz Econômica, que tem a vossa assinatura, quando o Brasil já tinha perdido a credibilidade, o grau de investimento e a seriedade, fez a mágica acontecer na casa dos brasileiros – inflação e desemprego de dois dígitos e um biênio da mais profunda recessão da história econômica brasileira – sem nenhum encantamento ou fascinação.

Se estava mesmo em Marte, desembarque de vez… ou, já vai tarde!