Sunday Prates: Potência não é nada sem controle! Diversifique.

Volatilidade e risco. Entender que uma ação em queda momentânea não necessariamente é mais arriscada do que outra estável é fundamental.

No texto da semana passada, abordamos a diferença entre volatilidade e risco. Entender que uma ação em queda momentânea não necessariamente é mais arriscada do que outra estável é fundamental para se sobreviver no mercado de capitais no longo prazo e ter um retorno satisfatório nos investimentos. Se preocupar menos com oscilações no intraday te permite focar no que de fato pode causar perdas definitivas ao seu patrimônio.

“Ao construir uma ponte, você deve garantir que ela aguenta 15 toneladas, mas só atravesse com caminhões de 5 toneladas. Esse mesmo princípio funciona nos investimentos. ” – W. Buffett

O risco real vem de algum evento que mude consideravelmente a capacidade da companhia de gerar fluxo de caixa para seus acionistas a partir de sua operação. Perceba, aqui estamos falando de economia real não de oferta e demanda por um papel na bolsa.

Caso algum novo evento que não estava no radar surja e mude essa percepção sem volta, pronto. Aquela empresa que era ótima não vale mais o que valia, e o capital investido não tem mais volta. Faz parte do jogo. Curiosamente, este texto estava pronto antes do amanhecer da sexta-feira, 17/03, e dos anúncios que envolveram, principalmente, BRF e JBS. Nada como a realidade para consolidar as teorias! O susto foi tão grande do mercado, e fomos tão fundo na avaliação dos danos, que resolvemos fazer um TV Eleven especial no mesmo dia, para levar aos investidores nossa mais transparente e diligente visão dos impactos potenciais nas ações, essencialmente da BRF.

Então entramos no tema central desse texto: por que diversificar? Simples: porque não conseguimos prever o futuro. Quem lhe disser que consegue garantir um retorno x% no próximo mês, é, na MELHOR das hipóteses, pouco responsável.

O que o investimento fundamentalista se propõe a fazer é encontrar assimetrias favoráveis, o que, em linhas gerais, significa que há uma chance consideravelmente maior de que determinado ativo se valorize do que caminhe no lado contrário. Ações precificadas bem abaixo de seu real valor (há aqui uma certa dose de subjetividade, é verdade) lhe dão essa margem de segurança.

Mas ainda que exista uma vantagem ao seu lado, o risco de a tese sobre um ativo estar errada ou de haver uma mudança estrutural repentinamente é real e acontece até com os maiores investidores da história. Exemplos na vida real não nos faltam, vide o caso de BRF, que abordamos acima. A empresa tinha todas as aprovações sanitárias da agência reguladora, e, portanto, a notícia de fraude com a fiscalização aviária pegou até os mais dos diligentes investidores. Diversificação é, portanto, uma proteção contra o erro e contra o desconhecido.

Ter a humildade de reconhecer que somos incapazes de prever o futuro, e que, portanto, podemos errar, mais que isso, que iremos errar, nos leva à ideia central do porquê diversificar. Ter um portfólio com algum grau de diversificação irá te entregar um resultado sub-ótimo em relação àquele investidor que acertou na mosca a ação vencedora naquele período. O detalhe é que raramente o campeão de um ano será o mesmo no ano seguinte.

Por outro lado, mesmo com um ou dois ativos em queda, você estará com o principal do seu patrimônio preservado, e com um retorno composto bastante satisfatório. Juros sobre juros, têm efeito exponencial no tempo. Por outro lado, o investidor que aplicou em uma única ação, ou duas, e estava errado em sua tese, pode ver o suado dinheiro acumulado em uma vida se esvair em questão de pouco tempo. Um excelente exemplo recente, foi a performance da Carteira Eleven em Janeiro de 2017. Quatro de oito papéis da carteira registraram queda no período e o resultado acumulado foi positivo em cerca de 11% no mês, por conta da performance das outras quatro ações.

O mercado de ações é uma grande ferramenta para formação de capital. Para aproveitar essa ferramenta, no entanto, você deve sobreviver aos erros e ao imprevisto. Estar vivo para jogar a próxima rodada é o nome do jogo para o investidor de longo prazo.

Saber gerenciar risco é tão ou mais importante do que o acerto das análises individuais. Basicamente qualquer investidor pode obter um bom retorno em um curto espaço de tempo. Com o passar dos anos, e com os “percalços” naturais que a renda variável apresenta, fica claro se houve negligência na tomada de risco para atingir tal desempenho.

Os investidores profissionais mais “concentrados” costumam ter em suas carteiras entre cinco e dez ações em carteira. Outros fundos de investimento de perfil mais previdenciários chegam a ter um número superior a trinta papéis no portfólio. Na Carteira Eleven, onde está nosso melhor juízo de equilíbrio risco x retorno, temos atualmente oito ações, sendo a maior participação equivalente a 20% e a de menor participação equivalente a 10%.

Entendemos que esta alocação nos permite uma diversificação capaz de proteger nosso cliente de perdas relevantes em caso de perdas relevantes em uma ação, ao passo em que permite aproveitar dos ganhos de assimetrias positivas da análise de nosso time.

Finalizando com Geraldo Vandré, um texto que começou com Buffett:

Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.