Sunday Prates: A maior vantagem do pequeno investidor

A maior virtude do pequeno investidor é não competir com os grandes players. Os profissionais da Bolsa têm prazos para prestar contas entre outros problemas

“Se você se lembrar que ações não são pedaços de papel que giram o tempo todo, mas pequenas frações de empresas – tudo faz sentido.” – Seth Klarman 

A bolsa de valores ainda é vista no Brasil como um bicho papão pela grande maioria da sociedade. Em seu imaginário, o mundo do mercado financeiro só é habitado por fundos, gestoras e bancos de investimento cheias de economistas e analistas engravatados com seus gráficos e planilhas complexas.

Seguindo essa linha de pensamento, seria impossível que o pequeno investidor sobrevivesse numa competição desproporcional como essa. A verdade, porém, não poderia estar mais longe disso. O investidor pessoa física não só pode ter uma rentabilidade muito satisfatória na Bolsa, como tem uma grande arma ao seu lado para ir melhor do que as grandes instituições.

A maior virtude do pequeno investidor é não competir com os grandes players. Os profissionais da Bolsa têm prazos para prestar contas aos mais diversos clientes, ansiosos por resultados imediatos. Não podem esperar uma ótima empresa, que atravessa algum imbróglio momentâneo, ser corretamente precificada. Precisam descobrir ações que (supostamente) valorizem de forma rápida, em muitos casos, sendo forçados a ignorar gastos e riscos associados elevados.

Seu jogo deve ser outro. Torne-se sócios em ótimos negócios. Dê tempo para que esses negócios cresçam, amadureçam e provem-se consistentemente rentáveis. O benefício da resiliência que a pessoa física pode ter frente às turbulências, aliada à filosofia do investimento em valor, pode entregar resultado muito superior ao das grandes instituições do mercado financeiro, correndo um risco bem menor.

A vantagem do pequeno investidor é, portanto, medida em anos. Embora no curto prazo ações sejam negociadas com base na emoção (tanto ganância como medo) e pelo fluxo institucional, no longo prazo seus preços convergem para quanto elas realmente valem.

Nossa missão na Eleven é encontrar as grandes assimetrias de risco e retorno da Bolsa, negociadas bem abaixo do que valem, e dispô-las dentro de uma carteira equilibrada. A parte dos nossos clientes é ter a visão de longo prazo, aliada a uma dose de paciência, para esperar que os projetos amadureçam e seus preços convirjam para seu real valor.

Nessa caminhada, entender o papel da volatilidade é fundamental. Empresas boas, já baratas, podem cair mais amanhã ou mesmo na próxima semana. Não existe bola de cristal nos mercados financeiros para acertar o ponto exato da virada. Porém, a História nos conta que investidores com uma atitude de serenidade frente os altos e baixos de curto prazo que aparecem no caminho, costumam aproveitar muito mais do poder de ganhos compostos da Bolsa.

O grande investidor institucional tem mais recursos, mais tecnologia, mais informações de bastidores. Mas precisa focar em resultados de curto prazo e empresas da moda com bastante fluxo, e, muitas vezes, já sem grandes upsides. A maior vantagem do Davi contra Golias no mercado financeiro está justamente em sair dessa competição. Munido de uma visão de longo prazo e foco em companhias de valor, a pessoa física tem uma grande vantagem a seu lado na construção de patrimônio.

E a melhor notícia que posso levar a vocês neste domingo, investidores que se indentificam com o perfil aqui descrito, é que todos os sistemas, indicadores, bancos de dados e informações que os maiores players da Bolsa têm, a equipe Eleven também tem. E aqui, caminhamos ao seu lado, com transparência e técnica para recomendar não somente o que fazer, mas muitas vezes, o que NÃO fazer.

Um ótimo domingo a todos!