Supresa por quê, Sr. Mercado?

Temos uma estrutura política perversa, que negocia emendas orçamentárias em troca de apoio a qualquer projeto criado para manutenção de projetos de poder.

Hoje, Adeodato Volpi Netto, nosso Estrategista-Chefe escreve em primeira pessoa o fechamento de mercado, comentando a lista do Ministro Edson Fachin e os efeitos na Bolsa e as emendas orçamentárias.

“Na verdade o Planalto Central arde em chamas indefinidamente. Hoje estava um daqueles dias de dar orgulho do Ibovespa. Dá-lhe tentativa de puxar o índice para o negativo e ele resistia bravamente. Chegou a ficar verde, com cara de que venceria mais uma batalha.

Aí veio Fachin! Logo a soma de todos os medos pareceu voltar à frente de todos os investidores. Nove ministros, 29 senadores e 42 deputados tiveram determinação de abertura de inquéritos decorrentes das delações e apurações realizadas no âmbito das investigações da Lava-Jato.

Ficamos aqui pensando. Qual a surpresa? Lemos e relemos os nomes. O problema mais uma vez não está no fato, mas na expectativa. Nosso papel é sim cobrar punição efetiva, exigir uma limpa na forma tão deturpada com que as relações públicas e privadas foram misturadas, com o interesse da segunda prevalecendo com utilização dos recursos de todas as sortes, da primeira.

Temos uma estrutura política perversa, que negocia emendas orçamentárias em troca de apoio a qualquer projeto que historicamente foi massivamente criado para manutenção de projetos de poder e garantia de apadrinhamentos. Sanguessugas de recursos públicos, lembrem de uma coisa: Não há recurso público! Todo o dinheiro em circulação é de alguma maneira, privado. Sindicatos defendem seus arrimos, criando ali carreiras e fontes que parecem inesgotáveis de financiamento, achacando a economia e criando processos cada vez mais turvos em discussões paleozóicas na Justiça do Trabalho.

Vivemos há muito tempo, à sombra de coronéis. Está na nossa história, mas não em nossa DNA, diferente do que nos fazem acreditar. Passei grande parte da minha carreira ligados aos mercados internacionais, e é incrível a riqueza que aqueles que não têm envolvimento emocional com a “nação” brasileira enxergam claramente haver por aqui. Vivemos e crescemos, apesar disso tudo.

Temos uma chance única. 2018 podemos efetivamente promover uma mudança que justifique qualquer mudança de expectativa. Enquanto os chamados representantes do povo forem essencialmente os mesmos, surpresa só poderia ser caso a lista fosse menor e não maior. Caso os caciques estivessem fora dela, e não mergulhados na lama.

Até lá, devemos trabalhar muito, para que a compreensão da dimensão dos danos da recente década de irresponsabilidade seja percebida. Mobilização para conscientização. A atual equipe econômica faz uma trabalho fundamental e sem precedentes no enfrentamento das questões fundamentais que dragam riqueza e prosperidade da economia e da “nação”. Negar a urgência e relevância em defesa de direitos insustentáveis individuais fará com que marquemos nossas histórias com a mancha da permissividade e da omissão.

Há um país rico, uma economia pujante e sólida, que pode efetivamente transformar a vida das pessoas. Falar em igualdade vinda da produção e da renda, não do assistencialismo de um populismo de botequim, que brada palavras em nome de Marx e de uma esquerda que literalmente não sabe para que lado fica. Não temos ideologia política, temos um grupo de Senhores Feudais que em 2017 seguem tratando os Estados como Capitanias Hereditárias e relegando a massa à paz oriunda da ignorância.

Queremos um país que pulse, que tenha ambição, formado por pessoas que questionem, que exijam, mas que façam a sua parte. 

Arrecadação ilegal, propina em dinheiro, superfaturamento de obras? Repasses? Roubalheira via 8.666? Onde poderia estar a surpresa?

Desculpe Senhor Mercado. Seja soberano no limite da racionalidade. Quem sabe, não olhamos o copo cheio, pensando que para encontrar sequer uma saída, considerando que não temos sistema prisional para acomodar todos os que deveriam morar por lá, possa estar uma mobilização que resulte na aprovação de medidas de contenção de danos para a economia e a população. Onde todos possam estar agarrados à eterna resposta do “bem maior”.

Viver o país do futuro era um sonho de criança. Assim como ficar adulto, implica em sérias responsabilidades. Está mais do que na hora de nosso mercado crescer, reconhecer de onde não podemos esperar a solução e buscar por si a solução de crescimento, a partir do que realmente está ao nosso alcance. Seriedade, determinação, responsabilidade e produção.

Ninguém por aqui vai entregar os pontos. O país não vai acabar. Mas para eliminar um tumor grave, sério, precisamos de um tratamento proporcional. A cura não virá sem dor!

E para limpar toda esta lama, a Bolsa mandou um recado nesta terça. As três maiores companhia de Saneamento da Bolsa em forte alta. Vamos limpar isso aí mesmo. Pro esgoto o que merece. CSMG3 sobe 3,08% (L&S da Eleven), SBSP3 sobe 1,62% e SAPR4 (Carteira Eleven) sobe quase 4% na véspera da divulgação dos moldes de sua revisão tarifária.

Tenham certeza, ainda vamos muito longe. E se formos voando, a estréia da Azul chegando a subir 8%, e fechando o dia em alta de 2,71% é um grande sinal!

Seguimos comprados em Brasil e prontos para voar alto, ao seu lado!”