Termômetro do Mercado: Dividir para conquistar

Lá estão as forças do mal dividindo os mercados visando conquistar seus quinhões, espaços, influências e, obviamente, lucros.

Desde o Imperador Julio Cesar, passando por Napoleão, Maquiavel e Kant, foram usadas diversas variações sobre a estratégia de fragmentação de grupos, visando evitar concentrações de minorias que, em tese, podem ficar mais fortes se atuarem unidas, com alinhamento de objetivos e dinâmicas. Divide et impera“.

Mercados internacionais escolhem com o cuidado proporcional ao de um elefante dentro de uma loja de cristais o seu argumento para consolidar o fluxo. O principal reflexo deste “momentum” é a intensidade da volatilidade recente. Desesperadamente, todos buscam seus oráculos, testando suas convicções e capacidades cognitivas para entender se é o fim da era dos touros e a virada para o ciclo dos ursos. Ao mesmo tempo, ninguém consegue cravar a reversão, uma vez que fundamentalmente os pilares seguem em equilíbrio.

Os treasuries de 10 anos, ou seja, os títulos da dívida dos EUA, com vencimento em uma década, flertam com os 3% de rentabilidade projetada. Lembrando que, longe, muito longe, da intenção de cravar o juro futuro, este dado reflete à percepção do mercado no exato momento da precificação. O que eu quero dizer com isso? É você, aí da sua casa, brincando de Photoshop, tentando ver como ficaria o seu rosto daqui a anos, a partir da foto postada no seu Instagram, diretamente do bloquinho de carnaval.

EUA agora é expansionista. Trump vai aprovar tudo. Gastança pública misturada com inflação. “The cow went to the swamp“! Ah, mas não mesmo. Tem muito mais em jogo e a dinâmica da composição dos índices, tanto do S&P500, quanto do Ibovespa, por exemplo, é completamente diferente do último momento de virada negativa estrutural dos mercados, leia-se, 2008. Já imaginaram a fotografia que foi usada para “perpetuar o presente” em 2008? A primeira grande diferença do seu exercício, é que você não poderia ter retirado do post do Instagram, pois ele ainda nem era “nascido”.

FAANG – Facebook, Apple, Amazon, Netflix, Google. Quanto estes caras podem crescer seus lucros incrivelmente e pressionar os múltiplos do S&P500 para baixo? Quanto nosso Ibovespa ainda vai demorar para ficar caro, considerando o nível depressivo dos lucros comparáveis advindos da hecatombe irresponsável Dilmo-Barbosa-Manteguística? Eu ganhei um almoço de um gestor-cliente-amigo, dizendo que o S&P500 batia 2600 pontos. O mesmo cara me levou um almoço com Brent a US$ 60,00. Onde cada um acertou?

Gosto do exercício de cenários. Da compreensão das razões que determinam os fluxos e do cruzamento invariável com o comportamento, com o emocional e com a dinâmica peculiar da interdependência entre cada um dos tipos de traders, investidores e suas convicções diametralmente opostas. Uma das minhas áreas de estudo, durante um período da vida, foi a física quântica. Ela ensina muito como compreender e explicar muitas das “incertezas” que cruzamos pelo caminho.

Hoje, ao ver a Bolsa abrindo forte aqui no Brasil, após os índices americanos surtarem com os dados de inflação por lá, lembrei-me da Equação de Dirac.

Considerada por muitos, a mais bela equação física, ela explica o emaranhamento quântico que descreve isso: “Se dois sistemas interagem uns com os outros por um certo período de tempo e depois são separados, podemos descrevê-los como dois sistemas diferentes, mas de forma sutil, eles se tornam um único sistema. O que acontece com um continua a afetar o outro, mesmo a uma distância de quilômetros ou anos-luz.

Não tem comprador sem vendedor. Não tem juro alto sem aderência e capacidade de absorção do mercado. Estamos entrelaçados, amarrados às relações de causa de efeito, como demonstrou matematicamente, Paul Dirac.

Minha Casa, Minha Vida virando Lar Doce Lar?

A historicamente respeitada, “fila”, da política nacional pode ser furada pela chegada do mais inesperado (até outro dia), dos outsiders. Aí é que está. Seria Luciano Huck, verdadeiramente um outsider? É inegável como, a cada semana, vemos o “establishment“, sim o “status quo“, convergindo argumentos para consolidar aquela que pode ser uma candidatura da despersonificação do Presidente para termos potencialmente um “Chefe de Estado” e um staff, com cara de dream team para chefiar o Governo. Sem nenhuma conotação pejorativa, mas uma dose de Monarquia Britânica tropicalizada pode estar no horizonte. Mr. Market parece gostar cada vez mais da idéia.

Às vezes a justiça parece tardar, mas consegue não falhar.

Após o fechamento dos mercados na véspera do carnaval, a Triunfo Participações (TPIS3), apresentou Fato Relevante afirmando que: “informa aos seus acionistas e ao mercado em geral que foram homologados os Planos de Recuperação Extrajudicial da Companhia e outras e de sua subsidiária, Companhia de Concessão Rodoviária Juiz de Fora – Rio (“Concer”), conforme sentença proferida pelo Juízo da 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da Comarca de São Paulo, no dia 09 de fevereiro de 2018.” Notícia é excepcional para os planos da companhia, que travou uma batalha no modelo David contra Golias versus o BNDES e o TCU, este primeiro massacrando as ações, mesmo ainda sendo acionista com participação relevante. Um caso de alta complexidade, que sempre acompanhamos de perto e que tem, em sua base de acionistas, uma quantidade muito relevante de pessoas físicas. A diferença entre preço e valor ali, em nossa leitura é muito relevante e os “venenos” do case, Concer e Viracopos, caminham cada vez mais para soluções favoráveis à melhor sequencia dos negócios. Ótimo sinal. Nos próximos dias, teremos mais um relatório com avaliação de cenários, riscos e oportunidades.

Bolsa volta do Carnaval com alma renovada. Longe da ressaca, opera em forte alta de 2,5%, voltando à casa dos 83.000 pontos. Se pelas bandas do hemisfério norte, o frio parece tirar o ânimo de alguns, por aqui, seguimos unidos e afirmando: Vai Brasil, Buy Brasil. Dividir para conquistar? Aqui não! Pelo menos por enquanto.

Até a próxima!