Termômetro do Mercado – Magazine Luiza compra Netshoes: transformação do varejo e seus impactos

Lojas Renner, Hering, Burger King, CVC, Lojas Americanas. Muito conhecidas e parte do dia a dia dos brasileiros, as empresas do setor de varejo compreendem uma fatia com uma boa quantidade de ações negociadas diariamente na nossa Bolsa de Valores. Nesta semana, um movimento envolvendo um dos maiores players desse nicho chamou atenção dos investidores e, no longo prazo, pode trazer impactos relevantes para o mercado. Na última segunda-feira (29), o Magazine Luiza assinou um acordo de compra de 100% do e-commerce de calçados e artigos esportivos Netshoes, oferendo um preço de US$ 2 a ação, em uma operação total de US$ 62 milhões.

A compra aconteceu em meio a um período complicado para o Netshoes, cujo prejuízo quase dobrou em 2018, chegando a R$ 332 milhões. A empresa fechou o ano passado com capital de giro negativo em pouco mais de R$ 10 milhões. Já a dívida líquida estava em R$ 140 milhões. Todos esses sinais indicavam que a companhia precisaria de aportes no curto prazo.

Já o Magazine Luiza mantém o forte crescimento dos últimos anos, se tornando uma referência no setor. As vendas no quarto trimestre de 2018 subiram 35%, para R$ 5,9 bilhões, impulsionadas pela robusta performance do e-commerce total, além da abertura de 100 lojas no ano passado. Já o lucro líquido, totalizou R$ 190 milhões frente a R$ 167 milhões no 4T17. O capital de giro apresentou melhora de R$ 356 milhões, contribuindo para a geração de caixa operacional de R$ 1,03 bilhão no 4T18. Para o nosso time de analistas, a tendência é de crescimento exponencial no médio/longo prazo do e-commerce nacional, combinada com a liderança consolidada e capacidade de execução substancialmente superior aos pares para Magazine.

Impactos para empresa

A aquisição é um desafio para o Magazine Luiza, que ainda não atua no setor esportivo, além do fator de que a Netshoes vem sofrendo desde o seu IPO na bolsa de valores de Nova York. “As ações da Netshoes perderam praticamente 90% do seu valor desde o IPO e a companhia vinha apresentando problemas operacionais”, disse nosso head de Renda Variável, Carlos Daltozo.

No entanto, por mais que o cenário seja de dificuldade, Daltozo ressaltou que o Magazine Luiza tem experiência em integrar e-commerce e lojas físicas.

O mercado recebeu bem a notícia sobre a aquisição. No dia seguinte à notícia, as ações do Magazine Luiza subiram mais de 7%. Mas a operação ainda precisa ser aprovada por órgãos reguladores.

Segundo nosso head de Renda Variável, o Magazine Luiza ainda não detalhou o planejamento e a sinergia que pretende alcançar com a aquisição, porém ela deve ser positiva se a companhia cumprir a tarefa de tornar as operações da Netshoes lucrativas.

Investidores precisam olhar além

Uma movimentação desse porte, porém, traz reflexos inclusive para concorrentes, pois a dinâmica do setor e, principalmente, a perspectiva de crescimento do e-commerce no varejo esportivo, mudam completamente. E os investidores precisam prestar atenção nesses detalhes.

 

 

Hypera Pharma (HYPE3). O primeiro trimestre do ano da Hypera Pharma foi impactado por itens não recorrentes, o que tira a clareza da evolução dos resultados. Mas o que podemos perceber é que nenhuma inovação de fato foi apresentada. A companhia reduziu drasticamente as vendas dos produtos de prescrição e consumer health, afirmando estar em linha à adequação de capital de giro. O movimento não é convencional, uma vez que a redução aguda na receita trouxe impacto proporcional muito relevante nas deduções com devoluções (6,0% das vendas brutas), descontos incondicionais e promocionais (16% das vendas brutas). A receita líquida do trimestre apresentou retração de 58,7% comparada ao mesmo período do ano passado. A Hypera continua investindo sob a rubrica de pesquisa e desenvolvimento: foram lançados nove produtos, sendo que dois são extensões de linhas já existentes. Há um universo limitado de novas drogas e a estratégia de ampliar linhas existentes tem, na nossa visão, contribuição incremental no que tange à inovação e produz retorno financeiro limitado (apesar do menor risco de execução).

Petrobras (PETR4). A Petrobras anunciou a aprovação, por parte do conselho de administração, de uma nova diretriz para o seu portfólio que considera a venda de ativos não estratégicos, incluindo oito refinarias, uma rede de 70 postos no Uruguai e uma participação adicional na BR Distribuidora. Com isso, a companhia pretende obter até US$ 20 bilhões com a venda de ativos em um processo que deverá durar 1 ano e meio. Caso a operação envolvendo todas os ativos de refino se concretizem, a estatal deixará de ter o monopólio dessa atividade no Brasil. Dentre os potenciais interessados, estariam algumas tradings, distribuidoras e investidores estrangeiros, principalmente chineses. Em nossa visão, o anúncio do novo plano de desinvestimentos, somado às vendas de 90% da TAG, de 34 campos de produção onshore e de 50% de participação no campo Tartaruga Verde e no Módulo III do campo Espadarte eliminam riscos relevantes e melhora o nível de alavancagem da companhia.

Cosan (CSAN3). A Cosan anunciou uma oferta pública voluntária para aquisição de ações ordinárias da Comgás pelo preço R$ 82 por ação, ajustado pela variação da taxa Selic de 13 de março até 4 de junho. A aquisição inclui até a totalidade dos papéis em circulação e negociados na B3, atualmente correspondentes a 2,7 milhões, que representam cerca de 2% do capital social total da Comgás.

 

Itaú (ITUB4). O Itaú reportou um lucro líquido recorrente de R$ 6,9 bilhões no primeiro trimestre, crescimentos de 7% em 12 meses. O retorno sobre o patrimônio líquido médio foi de 21,9%, o mais alto entre os grandes bancos privados. No geral, o resultado foi misto e alguns pontos chamaram atenção de forma negativa. Diferente do que foi reportado pelo Bradesco e Santander Brasil, houve aumento de dois dígitos do custo de crédito no período. Em contrapartida, houve aumento da margem financeira, sinalizando a maior rentabilidade da carteira de crédito, dada a participação crescente do varejo. Adicionalmente, as despesas administrativas e com pessoal se mostraram bem controladas e o novo guidance aponta para um intervalo menor de variação. A carteira de crédito expandida totalizou R$ 647 bilhões, crescimentos de 7,7% na comparação anual, com destaque para os segmentos de pessoa física (+12,7%), principalmente crédito pessoal, consignado e veículos, além de micro, pequenas e médias empresas.

 

 


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