Termômetro do Mercado – Tuesday Caplet em: Lacan me disse ‘o Real é o impossível!’

Tuesday Caplet, o investidor mais antigo e ainda vivo do mundo, retorna à newsletter de hoje. Ele conta sobre o diálogo que travou com Jacques Lacan em 1933, poucos dias antes de embarcar para os Estados Unidos com a missão de ajudar a salvar o país da Grande Depressão.


Era meu aniversário de 473 anos. Juntei alguns amigos e fiz uma reunião em um dos meus bares preferidos à frente do canal Saint Martin, em Paris. Em 1933, o mundo voltava a se agitar pós-crise de 1929. Um grupo de operadores da Bolsa me disse que levaria um amigo. Disseram que eu iria adorar a sua visão de mundo e iria aplicá-la aos meus estudos de mercado.

Jacques Lacan chegou acompanhado por dois dos meus amigos e uma divina dama. Loira, olhos claros, alta. Vestia amarelo, o que era muito pouco comum na Paris dos anos 30. Ele, muito discreto e observador, mapeou o ambiente em poucos segundos. Era certamente um especialista em analisar pessoas. Ainda naquela noite descobri que havia defendido sua tese de mestrado “Da psicose paranoica em suas relações com a personalidade” apenas um ano antes.

Após muita conversa e garrafas e mais garrafas do verdadeiro champagne nacional, resolvi contar a eles meu mais novo projeto. Eu havia recém aceito um convite da equipe do presidente Franklin Delano Roosevelt para integrar uma força-tarefa que deveria criar o que acabou sendo o New Deal. Uma equipe de guerra havia sido convocada para encontrar um caminho para a economia americana e, por consequência, a mundial sair da Grande Depressão.

Uma das principais razões da Crise de 1929 foi certamente a maneira eufórica, irracional e desmedidamente otimista com que foi vista a velocidade e intensidade do crescimento europeu por conta de necessária reconstrução pelo estrago da Primeira Guerra Mundial. O colossal volume de exportações de alimentos e produtos industrializados permitiu que o crescimento sem precedentes fosse chamado de American Way of Life. Mas nada cresce até o céu e as coisas são cíclicas, mudam de estágio.

Quando falei dessa percepção, Lacan me disse: “A lei do capitalismo é a lei do mercado. Explico: o inconsciente é estruturado como linguagem e o desejo do homem é o desejo do outro”. Foi a primeira vez que pensei como o “efeito manada”, que tantas vezes vemos em cenários de investimentos e decisões dos mercados, tem muito mais relação com a psique, a individualidade, do que uma ilusória percepção de consenso.

Pedi para que ele elaborasse. Tudo me parecia limpo como cristal. Descartes, Saussare, o indivíduo e o sujeito. Uma linha fantástica de raciocínio permitia relacionar, de maneira clara, os processos de tomada de decisão e, por consequência, seus efeitos no ambiente.

“Lei e o desejo recalcado são uma só e a mesma coisa”, disse a dama de amareloAlém de divina, era profunda. Fui saber lá pelos anos 1970 que Jacques Lacan deu a sua terceira filha com Marie-Louise o nome de Sybille em homenagem à dama. Marie o mataria se soubesse disso. Mas enfim… significado e significantes. O som, o efeito.

Lacan disse: “Tuesday, penso em algo maior… cruzando coisas como o real, simbólico e imaginário. Prometo que tudo isso fará sentido ao tomar as decisões com Roosevelt”. Eu embarcaria em dois dias para os Estados Unidos, então aquela era uma chance única de entender o que realmente tudo aquilo poderia me oferecer. Veio o nó borromeano. Inibição, sintoma e angústia.

Era muita informação, muito álcool e muito tempo. O dia raiava. Despedi-me dos dois que restaram. Lacan e sua (que depois descobri não era sua – azar o dele) dama e parti!


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Cheguei aos Estados Unidos e logo no primeiro dia fui recebido pessoalmente pelo presidente. Realmente as medidas eram urgentes. Washington havia compreendido seu papel. A contenção dos preços do café tinha sido conquistada por uma onda intervencionista do governo jamais vista. Pior, quase literalmente pondo fogo em dinheiro.

Precisávamos criar algo que gerasse apelo coletivo. Engajamento. Cobiça. Crença. Mas como fazer uma nação devastada pela crise, pobre e incrédula apoiar um projeto de aceleração?  Mais uma ilusão?

Criamos a coalizão para o New Deal. Estávamos “on fire”, como dizia o próprio Roosevelt. Ele havia feito seu Inaugural Speech na Capitol Plaza em Washington afirmando com convicção: “a única coisa que temos a temer é o temor”. Tínhamos que entregar a solução. Eu tinha, particularmente, uma motivação extra. Dia 29 de outubro de 1929. O dia em que a Bolsa de Nova York quebrou havia ficado conhecido como Black Tuesday… e a culpa não era minha!

Como não tenho vaidade alguma, nem me incomodei quando Roosevelt disse em 1936: “Despeço-me esta noite com grande tristeza. Há algo, no entanto, que devo sempre lembrar. Duas pessoas inventaram o New Deal: o presidente do Brasil e o presidente dos Estados Unidos”. Ele realmente gostava de Getúlio Vargas.

Havíamos recuperado a economia americana. Pouca gente fala. Mas foi o movimento do New Deal que deu resiliência financeira aos Estados Unidos para suportar a Segunda Guerra e posteriormente transformar o mundo todo em devedor. Não haveria o Tio Sam que todos conhecem hoje sem o Plano Marshall. Não haveria Plano Marshall sem New Deal. Black Tuesday uma ova!

Adoro essa história. Mas no que isso está relacionado com tudo o que acontece hoje? TUDO!

Em pleno 2019, eu ficando velho, próximo ao meu aniversário de 559 anos, vejo a realidade forçando o senso comum a uma percepção de equidade que não corresponde à realidade. O mundo não é plano como quis Friedman, mas ficou raso. Tudo se conecta, literalmente. Poucos realmente olham para o que importa. Poucos distinguem o som da mensagem. O significado do significante.

E todos andam para o mesmo lado. Ganhando ou perdendo. Daí fica difícil carregar o mundo todo nas costas. Não há linearidade na diversidade.

Deus deve estar pedindo férias. Lacan, revirando-se no túmulo. A dama? Onde estará?

Das Ding! Até a próxima!

Recall da BRF. A empresa BRF anunciou uma campanha de recolhimento de aproximadamente 164,7 toneladas de carne de frango in natura destinadas ao mercado doméstico, bem como a retirada preventiva de aproximadamente 299,6 toneladas de carne de frango in natura que iriam para o mercado internacional. O produto foi produzido nos dias 30 de outubro de 2018 e 05, 06, 07, 09, 10 e 12 de novembro de 2018, exclusivamente pela sua unidade de Dourados (MS). O motivo para o recall é a possível presença de bactéria Salmonella enteritidis.

Rumo (RAIL3). O trimestre foi emblemático para a companhia de logística Rumo, apontando um fortalecimento nas margens advindo de uma dinâmica mais leve, marcada pelo crescimento da receita líquida e redução nas contas dedutoras relacionadas ao endividamento. O ano de 2018 marcou a volta do lucro líquido, ausente nos últimos exercícios. O grande desafio está na manutenção da tendência, uma vez que o nível de eficiência e market share na Malha Norte já é excepcional, enquanto os desafios na Malha Sul são proporcionalmente grandes. Na operação Sul houve perda de market share e o ambiente tende a manter-se complexo e pressionando as margens, principalmente pela menor capacidade de diluição dos custos fixos e a necessidade de investimentos robustos para crescimento da capacidade operacional.

Saúde. A gestora Unio pretende investir R$ 50 milhões na Dr. Tudo, uma rede de clínicas médicas populares. O que atraiu a empresa foi o mercado pulverizado, além da incapacidade do setor público de prover saúde para todos. Em comparação com outros países, os gastos em saúde no Brasil como percentual do PIB não diferem muito. A grande diferença está na abrangência e na fonte pagadora. Quase 55% dos gastos são provenientes de seguros privados que, entretanto, respondem por apenas 23% da população. Em função desta realidade, há bastante espaço para crescimento do sistema de saúde privado. Apesar do potencial, observa-se uma crescente concorrência no setor, que tende a direcionar os investimentos para as faixas de renda mais altas. As operadoras verticalizadas, caso atual mais evidente de empresas que focam em faixas de renda mais baixas, vem ganhando market share consistentemente. Esse fenômeno pode não se tratar de uma redistribuição do bolo, mas de um novo bolo – maior.

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