Termômetro do Mercado – Tuesday Caplet em: superbe Casserole

Tuesday Caplet conheceu Michel Foucault em 1949, durante uma viagem à Saint-Emilion, na França. No texto de hoje, ele conta como se deu esse encontro e como se tornou confidente do filósofo. Aproveite a leitura!


Às vezes gostamos de algumas pessoas esquisitas. Eu tive vários casos assim na vida, talvez por conta dos 558 anos, um pouco mais que a média de vocês.

Poucas delas foram tão estranhas, mas ao mesmo tempo tão incríveis como um francesinho a quem ensinei um pouco de filosofia, já em meados do século XX.

A Europa, ainda em reconstrução no pós-guerra, lutava para apagar as marcas das batalhas mais violentas da história contemporânea. Em 1949 parecia que o Sol voltara a brilhar e a névoa da destruição estava finalmente se dissipando. Em uma das visitas que fiz à Saint-Emilion, em ótima companhia e buscando nada mais do que paz e aproveitar os prazeres da região que mais gosto da França, conheci Michel Foucault.

Lembro que estávamos eu e Bella, uma ítalo-espanhola por quem eu havia me encantado durante um seminário que participei em Livorno dois anos antes. Nunca nos envolvemos, digamos, sob a ótica física. Nossa conexão era intelectual, astral, quântica e energética. Enfim, era uma degustação de vinhos da região, provando alguns dos queijos divinos que compunham a experiência multissensorial ali proposta. Tudo seguia perfeito até que a música em perfeita harmonia com o ambiente foi interrompida por uma sequência de ensurdecedores impactos metálicos.

Bella avistou com o canto dos olhos aquele garoto batendo panelas em um canto escuro. Combinava os ruídos com palavras que remetiam à loucura, como se fosse verdadeiramente um desequilibrado.

De homem a homem verdadeiro, o caminho passa pelo homem louco”. Assim ele falava repetidamente.

História da Loucura

Ela o acolheu e trouxe para nossa mesa. Que bela ideia (sem trocadilho). Aquele jovem destoava da normalidade. Calvo, usava óculos redondos e o comportamento batendo panelas poderia ser facilmente associado à insanidade.

Contou-nos sobre o que chamou de sua primeira grande obra. Ainda não tinha nome definido, mas sabia que contaria um pouco da história da loucura e, por conta disso, vinha fazendo experimentos pouco convencionais de análise das reações das pessoas a alguns comportamentos não ortodoxos.

Ouvi, como de costume, atentamente todos os seus argumentos. Sugeri que chamasse sua obra de “História da Loucura” e disse a ele: “em algo tão complexo, menos é mais, garoto. Você verá como isso fará sentido ao seu público”.

Muito influenciado por Freud e Nietzsche, ficou maravilhado ao saber quão bem eu havia conhecido os dois e quantas trocas fizemos.

Bella contou a ele sobre o tempo que viveu ao lado de sua irmã, enquanto esta fora uma amante secreta de Mussolini durante o ápice do fascismo.

As conversas sobre poder e manipulação de massas duraram mais de meia dúzia das fantásticas garrafas de Bordeaux que apreciamos. Já muito recentemente, na última edição original publicada de “Vigiar e Punir”, no início de 1981, Michel fez uma menção à Bella, por quem se apaixonou naquela noite.

A atração entre eles era evidente desde o primeiro abraço. Lembro-me de caminhar pelas ruas semiembriagado ao nascer do sol naquela manhã e Casserole (como invariavelmente o chamei pelo resto da vida) vindo me perguntar se ela realmente não era minha esposa, amiga, amante ou algo do gênero. Nem todas as mulheres brilhantes que passaram pela minha vida tornaram-se relacionamentos conjugais em algum nível. Aliás, uma das minhas únicas ressalvas com Sig era esta história de que tudo tem relação com sexo. Garoto obcecado aquele. Pior que formou uma legião… Não à toa, gosto muito mais de Lacan.

Pelas três décadas subsequentes, fui uma espécie de fiel confidente de Casserole – Foucault para vocês. Lembro-me quando vi muito de perto sua angústia ao tentar defender reformas importantes no sistema penal, muito voltado ao respeito aos direitos humanos e combate ao racismo.

Ele defendia que uma sociedade poderia ser completamente transformada, para o bem e para o mal, pela educação. Outro dia lendo um dos relatórios emitidos pelos meninos da Eleven, encontrei a frase “a duríssima missão de transformar o país pela educação” – desde então sabia que ia dividir essa história com vocês.

Um dia Casserole escreveu à Bella em meio às diversas e intensas juras de amor que sempre formavam suas cartas:

Todo sistema de educação é uma maneira política de manter ou de modificar a apropriação dos discursos, com os saberes e os poderes que eles trazem consigo”.

E finalizava…

O discurso não é simplesmente aquilo que traduz as lutas ou os sistemas de dominação, mas aquilo porque, pelo que se luta, o poder do qual nos queremos apoderar”.

Quando vejo o mercado brasileiro fazendo apostas tão altas em companhias educacionais que pensam quase de forma obsessiva na expansão, no alcance de uma massa cada vez maior, fico lembrando dele e pensando: é uma busca de geração de caixa ou de manipulação de massas?

Há uma diferença que me parece evidente entre modelos que realmente tentam qualificar o senso crítico dos chamados alunos no que seria, lá no século XVII, chamado de compartilhamento do saber e outros que têm uma visão mais objetiva, e talvez menos nobre, mas que pode ser eficiente dependendo do que se espera, de propagação do acesso.

A ânsia pela grandeza, uma espécie de megalomania velada que toma conta de boa parte dos chamados investidores do mercado financeiro, força todos a pensarem que tudo que é maior é melhor.


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Cá estou eu, mais uma vez, repetindo minhas convicções sobre investimento de valor. Eu realmente prefiro algo com a condição de oferecer algum legado, de se perpetuar por qualquer grande verdade plantada, obviamente desde que seja economicamente viável.

A massificação deixa qualquer modelo vulnerável ao Estado e ainda não vejo no Brasil, terra que escolhi de coração como vocês bem sabem, maturidade de sociedade e de governantes suficiente para merecer a confiança. Ainda mais quando falamos em educação.

De Foucault e Bella, restaram histórias incríveis e Marie. Nascida nove meses após Woodstock (um raro momento mundano na vida destes dois), vive hoje uma vida calma na Provence, com seus dois filhos. Filósofa, fala 12 línguas e é uma das mais profundas conhecedoras de antropologia, pedagogia e física quântica que eu conheço.

Marie recomenda escolher projetos de educação pela alma… a Eleven também!

PS: Me acompanhe no Twitter (@tuesdaycaplet)

SFN. Os primeiros dados de 2019 divulgados pelo Banco Central, referentes ao SFN (Sistema Financeiro Nacional), apresentaram desempenho bastante tímido do crédito, muito impactado pela sazonalidade do período, com destaque negativo para a queda no segmento de crédito para empresas. O saldo de crédito total encerrou o mês com R$ 3,2 trilhões, equivalente a 46,8% do PIB, apresentando ligeira redução de 0,9% no mês. No comparativo anual, houve crescimento de 5% do saldo de crédito total, com variações positivas tanto para famílias como para empresas.

MRV (MRVE3). A MRV reportou resultados animadores no quarto trimestre de 2018, apresentando retomada nos lançamentos, o que evidencia a recuperação do setor, a qual já havia sido antecipada nas prévias operacionais das empresas do setor. Dentre os pontos positivos do resultado trimestral, destacamos: valor geral de vendas de lançamentos de R$ 2,2 bilhões no trimestre (crescimento de 53,1% na comparação anual), queda de 29,9% nos distratos e ROE (retorno sobre o patrimônio líquido) anualizado de 16,5%, frente aos 13% registrados no mesmo período do ano passado. Já o destaque negativo, em nossa opinião, foi o recuo de aproximadamente 40% na geração de caixa da companhia.

OdontoPrev (ODPV3). Odontoprev reportou crescimento da receita líquida de 10,8% no quarto trimestre de 2018. Destaque para a sinistralidade (44,1% RL), que registrou o melhor desempenho desde 2009. O Ebitda ajustado alcançou R$ 415 milhões, com margem de 26,1%, superior ao ano anterior em 1,6 ponto percentual. Com a queda da taxa de desemprego no país, o segmento corporativo vem mostrando consistente crescimento desde o segundo semestre de 2017, refletido no aumento da receita na ordem de 8,5%, atingindo R$ 254,7 milhões.

Santander (SANB11). O Santander comunicou que concluiu a aquisição das ações remanescentes da Getnet, passando a deter 100% da credenciadora de cartões. Os papéis pertenciam à Manzat Inversiones e a Guilherme Alberto Berthier Stumpf, que tinham opção de venda dessa participação.


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