Tesouro Direto: tudo o que você precisa saber

A sexta-feira na Bolsa: voltando a falar de técnica

O Tesouro Direto é uma das melhores opções de investimento para quem não quer correr riscos, deseja ter boa rentabilidade e projeta ganhos relevantes no longo prazo.

De forma geral, as características desse tipo de aplicação provam que se trata de uma opção adequada a qualquer pessoa que deseja investir. Afinal, quem não quer ter uma boa previdência para a aposentadoria ser financeiramente tranquila?

Apesar disso, é preciso conhecer mais a fundo sobre o Tesouro Nacional antes decidir aplicar nele seus recursos.

Acompanhe nosso post e tire todas as suas dúvidas sobre o Tesouro e seus títulos públicos!

O que é Tesouro Direto?

O Tesouro Direto é uma plataforma de investimentos de renda fixa do Tesouro Nacional. O próprio governo brasileiro vende títulos públicos de curto, médio e longo prazos a pessoas físicas e as remunera com juros de acordo com o tempo em que elas mantiverem seus investimentos.

Por outro lado, o governo utiliza o sistema para captar recursos aos cofres da União para atividades, despesas e investimentos. Ou seja, é como um empréstimo de investidores ao país: as pessoas alocam o dinheiro e o recebem de volta com juros conforme o tempo de empréstimo — como quando as pessoas e empresas tomam crédito dos bancos.

Para funcionar, o Tesouro funciona em conjunto com a Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC). Essa organização tem como principais funções custodiar investimentos do mercado financeiro e liquidá-los quando as operações são realizadas.

Por um lado, a união fornece o produto e a estrutura de funcionamento. Por outro, a CBLC age na parte de infraestrutura para auxiliar no funcionamento desse sistema, executando compensações e liquidações e até mesmo controlando os riscos existentes no mercado de ativos diversos.

Principais títulos deste investimento

Tesouro Selic LFT

A única opção existente atualmente para a Letra Financeira do Tesouro (LFT) tem vencimento em março de 2023.

Conforme o nome do título sugere, os rendimentos que o investidor ganha são balizados pela taxa Selic, e a aplicação deles é feito no momento do resgate do investimento — o que se chama de juros pós-fixados.

Mais precisamente, os ganhos do investidor no Tesouro Selic referem-se à variação da taxa durante o tempo de manutenção do título, que dá estabilidade a ele.

Esta opção é a que apresenta menor risco no Tesouro. E é indicada para investidores que certamente não farão o resgate antes do vencimento.

Tesouro prefixado LTN

A Letra do Tesouro Nacional oferece dois prazos de vencimentos: 2020 e 2023.

Geralmente, os juros recebidos desse título são maiores que as taxas de outras opções, e o investidor conhece o percentual fixo no momento da aquisição, pois eles são prefixados. Porém, não é tão simples porque a forma de cálculo da rentabilidade é diferente das demais aplicações.

Cada título LTN inteiro tem o valor de R$ 1 mil no momento do resgate, independentemente do valor pago por ele na compra. Então, o que define o rendimento é o prazo que o investidor espera pelo resgate.

Por exemplo, a opção com vencimento para 2020 tem preço de aproximadamente R$ 780, com juros prefixados em cerca de 9,6%. Já a opção que vence em 2023 está sendo vendida por menos de R$ 600 e seus juros estão acima de 10%. E ambas pagam R$ 1 mil no resgate.

Ou seja, o maior prazo rende um pagamento maior pela compra ser mais barata — o que significa que a rentabilidade sobe de acordo com o prazo de manutenção do título.

Por essas características e pelos prazos não muito longos, como os do Tesouro IPCA+, a LTN é ideal para a realização de projetos em prazos menores e que demandam previsibilidade do capital necessário.

Pelo funcionamento, a recomendação do título é que seja comprado quando se tem certeza de que poderá ser mantido até o vencimento.

Tesouro IPCA+ com juros semestrais

A Nota do Tesouro Nacional série B (NTN-B) tem rendimentos prefixados e indexação ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). São essas duas taxas que compõem a rentabilidade da aplicação.

Como o nome deixa claro, a NTN-B paga juros semestralmente. Essa prática é como uma antecipação da rentabilidade aos investidores, o que pode ser uma vantagem. Por outro lado, há incidência de imposto de renda de 22,5% sobre os rendimentos a cada seis meses sobre os juros semestrais.

Então, caso o investidor utilize as antecipações para reinvestir, acaba aplicando valores defasados pela tributação semestralmente.

Para quem quiser escolher pelo Tesouro IPCA+ semestral, existem hoje três opções de vencimento: 2026, 2035 e 2050.

Tesouro IPCA+

Essa é a NTN-B sem a antecipação de juros a cada seis meses. Os juros prefixados e o IPCA compõem o rendimento total, que é conhecido apenas no resgate ou no vencimento do título com o capital investido.

Para a NTN-B de pagamento simples, os prazos oferecido pelo Tesouro Direto são 2024, 2035 e 2045.

Como ambos os títulos NTN-B são atrelados ao IPCA, são indicados a investidores que podem assegurar a manutenção deles até o vencimento e desejam proteger o capital de ser corroído pela inflação.

Por que investir em Tesouro Direto?

O Tesouro apresenta muitos benefícios e algumas vantagens em relação a outras opções do mercado financeiro. Agora, vamos mostrar 9 bons motivos para investidores comprarem títulos públicos.

1. Possibilidade de praticar o reinvestimento

Como vimos acima, há uma opção de título público que paga juros semestrais. Porém, ela também conta com vencimentos para longo prazo.

Portanto, é possível aplicar as antecipações recebidas para maximizar a rentabilidade resgatada no vencimento do título.

2. Tributação reduzida para o longo prazo

A tabela regressiva do IR sobre títulos públicos funciona da seguinte forma:

  • 22,5% de imposto sobre aplicações mantidas por até 180 dias;
  • 20% de imposto sobre aplicações mantidas entre 181 e 360 dias;
  • 17,5% de imposto sobre aplicações mantidas entre 361 e 720 dias;
  • 15% de imposto sobre aplicações mantidas por 721 dias ou mais.

Assim, podemos concluir que manter um título por longo prazo pode reduzir a incidência de IR em até 7,5%.

Além disso, o longo prazo também faz com que o lucro obtido seja maior, pois garante o recebimento de toda a rentabilidade contratada. Pois, ainda que seja possível resgatar aplicações com antecedência, perdem-se rendimentos quando isso é feito.

3. Acessibilidade financeira

Os valores mínimos exigidos em diversos produtos são altos para iniciar um investimento. Mas no Tesouro Nacional a exigibilidade é muito menor e realmente é possível começar a investir com pouco dinheiro. E, claro, quanto mais recursos forem investidos, melhor para seus resultados.

Veremos mais adiante em detalhes os valores mínimos para iniciar as aplicações e por que existem tais possibilidades.

4. Liquidez corrente

Seja em resgate antecipado ou na liquidação por vencimento, o Tesouro garante a recompra dos títulos em qualquer dia útil do ano. Ou seja, o investidor tem a segurança de receber seu capital e o lucro quando precisar ou chegar ao vencimento da aplicação.

5. Risco de crédito quase inexistente

Quem paga o título ao investidor é o governo federal, que é um bom pagador. E isso não muda nem mesmo quando a economia está estagnada ou em queda, como aconteceu mais fortemente entre 2014 e 2015 e em outros períodos.

Em todos os momentos desfavoráveis, não houve investidores recebendo o famoso calote.

6. Baixo risco de mercado

O risco de mercado é aquele que uma aplicação corre em relação a fatores político-econômicos.

Por exemplo, no mercado de ações, pode-se perder muito dinheiro com a queda da economia, o desaquecimento de determinado setor ou até mesmo a negatividade de apenas uma empresa.

No Tesouro, por outro lado, os fatores econômicos podem influenciar apenas os indexadores, como o IPCA e a taxa básica de juros — a Selic. Mesmo assim, uma realidade que os afete ainda não põe em risco o lucro dos investimentos.

Além disso, há opções com juros prefixados diretos e independentes, como o IPCA+ com juros semestrais, e esse percentual dá garantia de rendimentos ao investidor.

7. Risco inexistente de perda de capital

Em várias aplicações, é possível, mesmo que extremamente difícil acontecer, perder todo o capital investido em, por exemplo, uma quebra de instituição financeira.

E para algumas delas existe o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) — que serve como seguro de capital para os investidores. Porém, o FGC apenas garante R$ 250 mil por CPF em cada investimento que abrange. Ou seja, caso a aplicação esteja maior, nem todo o capital está seguro.

Já o Tesouro não possui seguro do FGC. Porém, apresenta a segurança de ser uma plataforma de investimentos da União, que tem mais poder financeiro que o FGC. Portanto, investidores do Tesouro, ainda que não estejam associados a uma organização específica, têm o capital totalmente segurado — mesmo acima de R$ 250 mil.

8. Baixo custo em despesas

Anualmente, investidores do Tesouro Direto pagam 0,30% do capital aplicado à BM&FBOVESPA pela custódia dos títulos. Já nas antecipações ou no resgate, incide o imposto de renda. Esses são os dois únicos custos que certamente os investidores do Tesouro têm.

Além deles, pode haver a taxa do agente de custódia da corretora escolhida. Porém, o percentual comumente é baixo ou até mesmo há isenção. As taxas relacionadas às operações de compra e venda, diferentemente do que ocorre em outras opções — principalmente na renda variável —, não existem.

9. Diversificação de prazos e rentabilidade

Conforme a estratégia do investidor, pode-se comprar notas com características diferentes.

Por exemplo, títulos com vencimentos mais próximos podem servir para a realização de um objetivo de curto prazo. Enquanto um mais longo, aqueles com vencimento entre 2040 e 2050, pode ser mantido com pensamento em uma previdência.

Também, existe a possibilidade de sacar juros semestrais em uma opção e manter outra para posteriormente resgatar capital maior de uma única vez.

Como prever o real retorno sobre investimento?

Ter a previsão dos ganhos líquidos requer principalmente entender duas dinâmicas: descontar a inflação da rentabilidade e o imposto de renda do montante final.

Quer saber como realizar esses cálculos? Vamos mostrar como funcionam.

Descontando a inflação

A fórmula para descontar a inflação é a seguinte:

  • [(1 + rentabilidade bruta) ÷ (1 + inflação)] – 1

E para rentabilidade e inflação, os valores devem corresponder ao mesmo período calculado.

Além disso, na realização da conta os valores dentro dos parênteses, é preciso andar com a vírgula duas casas decimais à esquerda para que o resultado obtido seja correto.

Veja o exemplo utilizando 12% de rentabilidade bruta para um ano de aplicação com o IPCA de 6,7% para o período:

  • [(1 + 0,12) ÷ (1 + 0,067)] – 1
  • [1,12 ÷ 1,067] – 1
  • 1,049 – 1 = 0,049

Então, a vírgula retorna duas casas decimais para a direita e obtém-se o resultado — que foi de 4,9% para o período calculado no exemplo.

Calculando o IR

Anteriormente, mostramos a tabela do imposto de renda sobre as aplicações do Tesouro Direto. Como você viu, as alíquotas regridem na medida em que o tempo de manutenção da aplicação aumenta.

Portanto, para prever quanto de IR incidirá no resgate ou no vencimento do título, basta aplicar o percentual direcionado sobre o montante do capital retornado mais seus juros brutos.

Caso o imposto de renda seja calculado e aplicado sobre o valor líquido a ser sacado, ocorrem dois erros: o IR fica abaixo do real a ser pago, pela menor base de cálculo, e o resgate líquido após a conta também apresenta valor equivocadamente reduzido.

Quais riscos o Tesouro Direto apresenta?

Apesar da extrema segurança que o Tesouro fornece aos investidores, existem pequenos riscos que o investidor deve conhecer antes de adquirir seu primeiro título.

Perda de rentabilidade no resgate antecipado

Na maioria dos títulos, a venda antecipada implica perda de rentabilidade, ou seja, ganho de lucro abaixo do que paga a opção.

Além disso, a depender de qual índice de mercado que baliza a aplicação, como está sua alíquota e qual é o prazo de resgate, pode não haver ganho real algum. Pois, na liquidação do investimento incide o imposto de renda, que possivelmente toma todo o rendimento líquido se ele for muito baixo.

Possibilidade de paralisação das recompras

Ainda que o Tesouro garanta liquidez diária, como veremos em breve, há momentos em que as operações de compra são paralisadas por algumas horas por conta de oscilações mais bruscas ou frequentes em índices de mercado.

Apesar de isso não afetar muito a venda do título por parte do investidor, pode atrasar em até um dia a sua operação.

Qual é o valor mínimo para começar a investir?

Um título público pode ser comprado na totalidade, o que é recomendável, ou por frações.

O Tesouro IPCA+ sem juros semestrais, por exemplo, tem o custo unitário de pouco mais de R$ 700. É um valor que fica muito abaixo de outras opções das rendas fixas e variável para adquiri uma nota inteira.

Porém, caso o investidor não tenha como comprá-la na totalidade, pode adquirir frações dela. Para o produto que citamos, as aplicações podem iniciar atualmente de R$ 36.

Mesmo os títulos mais caros têm valores abaixo de outras opções do mercado financeiro. O Tesouro Selic LTF, por exemplo, pode ser adquirido de forma inteira por menos de R$ 9 mil, enquanto cada fração para compras menores custam aproximadamente R$ 90.

Como começar a investir?

O ideal não é que se tenha dinheiro e apenas se comprem títulos esperando posteriormente o retorno do capital e lucros. Mesmo que esses sejam o primeiro e o último passos, aplicar de maneira adequada requer outras ações e planejamento.

Entenda cinco práticas necessárias antes e depois das compras e dos resgates para ter os melhores resultados.

1. Descubra o perfil de investidor

O primeiro passo para investir é saber qual perfil se tem diante do mercado financeiro. Ele é importante para escolher produtos, traçar estratégias, definir valores para cada aplicação e tomar outras decisões para os investimentos.

Existem três principais perfis de investidores: conservador, moderado e agressivo.

  • Conservador: é o perfil que menos aceita correr riscos, até mesmo obtendo menos rendimentos em prol de maior segurança e previsibilidade de ganhos. Pela segurança, o Tesouro por si só é uma boa opção. Em relação à previsibilidade, uma boa escolha pode ser o IPCA+ pelos juros prefixados.
  • Moderado: os moderados também são avessos a riscos, mas admitem um risco calculado pela obtenção de um lucro um pouco maior. Por isso, se os riscos aumentam, logo agem em busca de proteção. Pelas características, aderem muito bem aos títulos públicos e também investem em outros tipos de renda fixa.
  • Agressivo: investidores agressivos geralmente possuem mais capital e buscam exclusivamente bons lucros, admitindo grandes riscos — pois podem arcar com perdas relevantes. Para eles, o papel do Tesouro Nacional é a composição de carteira para diversificação, tendo parte do capital mais seguro.

2. Escolha o agente de custódia

Agentes de custódias são as corretoras credenciadas e autorizadas a fazer operações de investimentos no Tesouro Nacional, além de outras aplicações.

Nesse momento, é importante pesquisar bem para verificar as credenciais da empresa, procurar saber a satisfação dos clientes e entender a expertise que a instituição tem no mercado financeiro.

Também, é muito importante verificar qual é a taxa de administração e custódia cobrada pela empresa. Como dissemos, muitas corretoras isentam os clientes da cobrança em aplicações do Tesouro. Mas, quando a taxa for cobrada, não pode ser superior a 2%.

Outro fator importante é o custo de transferência de valores, pois é preciso ter capital na conta da corretora para efetuar as compras de títulos. Além disso, algumas instituições também podem isentar seus investidores dessa taxa.

Caso a instituição pretendida cubra a transferência de capital, o ideal é que esse custo seja bem baixo.

Depois que todos os critérios são analisados e a escolha finalmente é feita, basta abrir a conta. Em geral, os passos são os seguintes:

  • preencher os dados;
  • obter as senhas e validar o cadastro;
  • validar os documentos pessoais para a instituição por enviá-los eletronicamente em cópias digitalizadas, caso a abertura não seja feita presencialmente;
  • solicitar o acesso online ao ambiente das operações do Tesouro Direto;
  • depositar fundos para realizar as compras.

3. Defina os valores a serem aplicados

O investidor precisa avaliar como investirá o capital que tem disponível de acordo com seus objetivos.

Anteriormente, citamos que títulos com vencimentos mais próximos podem ser escolhidos para atingir objetivos de aquisição do curto prazo. Então, basta que o investidor calcule o quanto é necessário para, no momento pretendido, ter o montante necessário com a soma de juros.

Para isso pode-se utilizar a calculadora de rentabilidade do Tesouro Direto. Preenchendo corretamente todos os campos, a ferramenta dá uma resposta muito aproximada de quanto será o ganho no momento do resgate antecipado ou do vencimento.

4. Acompanhe os índices influentes

Abordamos acima também índices de mercado que servem como balizas para a rentabilidade de alguns títulos. Portanto, é preciso acompanhar como esses índices se comportam, mesmo que não sofram mudanças bruscas, para prever os impactos nas aplicações.

Por exemplo, na NTN-B sem juros semestrais, é possível fazer um resgate com rentabilidade até maior que a do vencimento — caso o IPCA esteja favorável. Então, perceber uma influência como essa possibilita que o investidor liquide sua aplicação e reinvista os ganhos para potencializar o resultado de longo prazo.

5. Busque auxílio profissional

Acima, falamos de fatores a serem analisados e acompanhamento de mercado e cenários para tomar boas decisões e ter uma estratégia de investimento. Porém, para o investidor nem sempre é possível ter tempo para tudo isso e saber como realizar análises profissionalmente.

Por isso, procurar ajuda especializada é uma forma de aplicar melhor o dinheiro, correr menos riscos — principalmente fora do Tesouro — e buscar melhores resultados. O investidor deve buscar uma empresa que o ajude a visualizar opções, analisá-las, escolhê-las e tomar decisões com mais facilidade e certeza.

Por exemplo, um serviço de análises financeiras, econômicas e técnicas é muito útil, principalmente quando o investidor não sabe muito bem como funciona o mercado financeiro e tem dificuldades em extrair respostas úteis de análises públicas ou gratuitas, que possuem dados mais generalizados.

Então, se você pretende investir no Tesouro Direto e ter excelentes resultados no longo prazo, entre em contato conosco para ter uma ajuda profissional adequada ao fazer avaliações e tomar decisões.