Tomara, meu Deus, tomara!

Há o caos contínuo da política brasileira – neste caso, nem a filosofia pode supor! Com tal conjuntura era de se supor, aí sim, que seria um dia positivo.

Há mais coisas entre o céu e o mercado do que supõe a nossa vã filosofia. Há, por exemplo, o mundo todo de bom humor num único dia. Há também o caos contínuo da política brasileira – neste caso, nem a filosofia pode supor! Com tal conjuntura era de se supor, aí sim, que seria um dia positivo. E foi. No mundo todo e aqui também. As boas novas pipocaram de todos os lados: do Japão, da Inglaterra, do petróleo, do preço das commodities. Vem aí mais uma rodada de impressão de dinheiros, promessa dos japoneses e dos ingleses. Ambos com objetivo de estimular a economia e evitar uma freada mais forte da atividade. Isso tudo como se quantitative fosse easy!!!

No balcão das commodities o minério de ferro disparou 6,65%, beliscando os US$ 60. O petróleo também subiu depois que um relatório da OPEP sinalizou que está muito próximo o equilíbrio entre a oferta e a demanda pelo ouro negro, provavelmente ainda este ano. E o Brasil não deixou de levar o seu quinhão. Desafiando a razão, o Ibovespa segue rumo aos 55 mil pontos, de onde se aproximou durante o pregão. Mas a euforia foi contida com passar do dia e terminou mais perto dos 54 mil, em alta de 0,55%.

As empresas ligadas às commodities e ao petróleo subiram bastante. A Gerdau Metalúrgica foi o principal destaque com a maior alta nas ações PN, de 7,10%. Vale, CSN e Bradespar foram no mesmo caminho estrelado, com avanços pouco mais contidos.

Todas as expectativas estão claras para um processo de reaceleração econômica e estabilização, tanto interna quanto externa. Certamente há uma quantidade importante de oportunidades na Bolsa brasileira, mas não devemos (nem podemos) esquecer que na mesma proporção crescem as armadilhas. Bom, para isto que nós existimos!

Quanto ao câmbio, o dólar acompanhou por aqui os movimentos lá de fora – uma desvalorização da moeda americana frente às outras moedas. Mesmo com mais uma atuação do Banco Central com swaps reversos, o dólar voltou a ficar abaixo dos R$ 3,30. O BC está aproveitando o enfraquecimento das verdinhas para desfazer as posições que ainda tem de swap cambial. Como há esse objetivo explícito pelo presidente do BC, Ilan Goldfajn, o mercado testa daqui e de lá para tentar descobrir se há um limite na cotação esperada pela autoridade monetária.

Tudo isso se passou sem que houvesse nos preços um reflexo do carnaval político que passa diante de nós. Para o mercado parece pouco importar que tipo de carnaval… se é assim, deve ser festa!

Como se 8 fosse pouco, agora são 12 os candidatos oficiais à presidência da Câmara dos Deputados. Aproveitando a barafunda em torno de sua sucessão, Eduardo Cunha resolveu aparecer na Comissão de Constituição e Justiça para se defender da “má fé” e das “injustiças” cometidas contra ele no processo de cassação aprovado pelo Conselho de Ética. Com peito de asa de pombo, Cunha peitou os caros colegas impávidos diante da sua ousadia e lançou a maior verdade já proferida naqueles salões na história recente: “Hoje sou eu, amanhã serão vocês”.

Tomara, Eduardo Cunha…tomara! Finalmente concordamos com alguma coisa!