Tudo o que você precisa lembrar da semana que passou para escolher seus investimentos!

Esta foi uma semana histórica. Depois de vários anos na seca, vendo só notícias negativas relacionadas à Bolsa, dia a dia o índice de mercado, o Ibovespa, bate recordes. Depois da alta aversão ao risco dos investidores, agora nas redes sociais – e até com taxistas–, se observa um interesse em ativos de risco. E não só se trata de ações: não tem sido incomum relatos de quem deu o passo direto da poupança para o bitcoin, mas ainda assim acha que ações são arriscadas.

Como é natural, o ciclo do investidor segue sempre a mesma “lógica”, que realmente tem mais fundamentos psicológicos do que racionais, de só querer investir quando parece que as altas não têm fim.  Bem no fundo do poço, tudo é risco. Passamos do inferno ao paraíso em poucos passos.

No meio do furacão do final de 2016, você era doido e arrojado se recomendasse o papel daquele banco estatal que a R$ 4/ação negociava a 0,35x preço/valor patrimonial e conseguia te pagar para sempre um dividend yield de 18%, mesmo sem melhora de um decepcionante ROE (sigla em inglês para Retorno sobre o Patrimônio) na casa de 10%.

Com o decorrer do tempo, com o papel em R$ 12, o ROE de longo prazo continuava no mesmo nível, mas os investidores, os analistas, o mercado em geral já começava a virar a mão, dada a melhora generalizada do sentimento em relação à Bolsa. O histórico do banco começava a ser destaque (ele sempre entrou na média de 15%), boatos de privatização inundavam as redes sociais. E deu certo: chegou a R$ 19 no final de fevereiro.

Claro, a volatilidade do nosso contexto macroeconômico, cheio de cisnes negros, fez com que depois de voltar a tocar fundo (R$12), já esteja a R$17. E agora? Está bom para comprar? Está barato a 1x preço/valor patrimonial e oferecendo um yield de 6%?

Você se sente mais confortável? Quando o mix risco/retorno era mais assimétrico a favor do investidor? Eis que faz sentido o conselho do reconhecido investidor Warren Buffet para o sucesso de longo prazo: “ser corajoso quando os outros são medrosos e medroso quando os outros são corajosos”.

Tão fácil na prática quanto aquela ilusão simplista dos filmes de traders, em que o principal segredo é comprar barato e vender caro. No meio do caminho, até o investidor experiente, mais do que lidar com números, racionalmente, deve fazê-lo com armadilhas mentais como o custo afundado (aferrar-se ao custo médio), arrogância de não assumir os erros, pensar que Bolsa é cassino, mudar de filosofia, não aceitar que as coisas saíram mal, que a realidade não é como você quer e nunca terá tudo o que quer, pensar que o mercado tem ideologia, etc.

Enfim, acredito que você já entendeu e provavelmente está confuso, decepcionado, um pouco chateado. Neste momento, a nossa caixa de e-mails se enche de investidores pedindo novas recomendações, não cautela. Os nossos concorrentes dirão que é um erro ESTRATÉGICO incentivar o medo. Estamos matando o negócio!

É realmente isso? A nossa visão é que não: é o contrário. É o nosso próprio compromisso com o cliente que nos motiva a ser responsáveis. De fato, uma das principais lições, depois de analisar empresas por tanto tempo, é que é bem melhor pensar em construir um negócio que gere receitas por muitos anos e não um que exploda baseado na sorte ou fatores exógenos do curto prazo. Essas sempre merecem um grande desconto, enquanto os outros negociam com ótimos prêmios.

A maneira de conseguir isso é não se afastar da escola fundamentalista para se esquivar das bombas. No final das contas, outra parte fundamental do processo é saber evitar perdas. Cliente que continua no jogo e que ganha, no longo prazo, volta e fala para os amigos.

Contudo, vamos aos números. A Bolsa está cara ou barata? Ou existem oportunidades? Sempre existem! Só que às vezes tem mais opções no ar do que em outros momentos. Hoje, o Ibovespa negocia a 13x 2018E, levemente acima da média (12,5x) dos últimos 10 anos. O mesmo acontece se olharmos o múltiplo EV/Ebitda: bem na média: 7,2x.

Ixe, difícil concluir algo. Não é? Sim, devemos ir um pouco mais longe: ao futuro. O Ebitda dos últimos 12 meses está 50% abaixo do máximo atingido em meados de maio de 2014.  O copo meio vazio diz que ainda estamos longe de uma recuperação. O que é lógico, sair da pior recessão do século demora, é difícil.

O copo meio cheio diz que há bastante espaço de melhora à frente. E grande parte dependerá do ciclo interno. Eis aqui que tem uma vantagem ser uma economia relativamente fechada que deveu sua piora aos seus próprios erros. Agora, grande parte da recuperação dependerá de nós.

O desafio é grande, e também os riscos: as eleições de 2018 não estão claras, há potencial de guerras globais, alta de juros nas economias mais desenvolvidas, bolhas estourando…

O que fazer então, onde estão as oportunidades? Mais do que em se empolgar com a virada ou torcer pela melhora, pela queda de juros, elas estão em casos específicos. Mas para isso é preciso ir bem ao fundo, procurando histórias que tenham fundamentos e opcionais que vão além de uma virada ou fatores exógenos (privatizações, mudanças políticas, etc.). Que eles sejam só um bem-vindo gatilho e não o fundamento principal da recomendação.

Assim, continuaremos aqui, como sempre, vasculhando oportunidades, que irão vindo à medida em que forem atraentes.

Por enquanto, firmes na nossa visão de que o investidor merece informação constante, estamos abrindo este novo canal, através do qual, eu e nosso time comentaremos as notícias que consideramos mais importantes da semana.

Esta newsletter terá um novo nome, e queremos que você, tenha a LIBERDADE de escolher. Enviem todas as sugestões de nome para nossa nova publicação semanal para [email protected] . As cinco melhores sugestões ganharão uma surpresa bem bacana que eu estou preparando pessoalmente.

Um grande abraço!

Carlos Herrera

Camil (CAML3) – Arroz e feijão também podem engordar seu bolso – Raul Grego, CNPI.

A companhia estreia na B3, no segmento do Novo Mercado, no dia 22 de setembro de 2017. O período de reserva iniciou dia 06 de setembro de 2017 e se encerra no fim do dia 19 de setembro de 2017. Recomendamos a entrada no IPO, com ponto ideal concentrado em qualquer faixa indicada do IPO (entre R$ 10,50 e R$ 13,00).

Destaque da tese de investimento

  • Estabilidade histórica de margens e performance mesmo em um setor com oscilações cíclicas de safra e preços,
  • Estrutura de capital equilibrada e bom histórico de aquisições,
  • Posições de destaque ou liderança em todos os segmentos em que atua,
  • Produtos de consumo básico e essencial representam defesa natural às oscilações macroeconômicas,
  • Oferta Pública Inicial realizada em janela importante e em condições atrativas para os investidores,
  • A boa estrutura de capital oferece oportunidades de desenvolvimento sem colocar em risco os planos de desenvolvimento e crescimento orgânico e via aquisições,
  • Atratividade para investidores minoritários mesmo em comparação direta com a referência mais próxima na Bolsa, MDIA3, porque a companhia ingressa no Novo Mercado, o mais elevado nível de governança corporativa da Bolsa.

Confira mais detalhes sobre a composição das receitas da companhia nos gráficos na página seguinte:

Receita Líquida por categoria de produto
 
Elaborado por Eleven Financial
Receita Líquida por mercado
 
Elaborado por Eleven Financial

Para saber mais detalhes, você que é assinante, não se esqueça de ler o relatório completo que já está disponível em nossa plataforma!

Magazine Luiza (MGLU3) e Ser Educacional (SEER3) – Controladores aproveitam bom momento de mercado; sinal de alerta – Carlos Herrera, CNPI. Igor Kfouri, assistente de análise

Finalmente, a queridinha da Bolsa durante este ano, Magazine Luiza (MGLU3) teve uma queda de 19% no dia 12, pouco depois de ter atingido seu máximo histórico, no dia 6. A queda se deveu ao anúncio da realização de ofertas primária e secundária de ações. Apesar da baixa, o papel recupera-se parcialmente ao final dessa semana, ao fechar a quinta-feira cotado a R$ 82.

Um dia após a aprovação da oferta de Magazine, a Ser Educacional (SEER3) também fez um anúncio semelhante, o que a fez cair 4% no dia.

Ambas as ofertas se destacam pelos montantes que os controladores colocarão no bolso: R$ 530 milhões, no caso de MGLU3, e R$ 250 milhões em SEER3.

O que esses movimentos sinalizam em meio à situação atual? Os sócios minoritários devem se preocupar? Sempre é importante estar alerta! Mas sem perder o foco nos fundamentos.

No caso da varejista, a realização da oferta pública de inicialmente 24 milhões de ações compreende a distribuição primária de 17,6 milhões novas ações e a distribuição secundária de, inicialmente, 6,4 milhões de papéis de titularidade de alguns dos principais controladores da empresa (Sra. Luiza Helena Trajano, Onofre de Paula Trajano e de Fabrício, Flávia e Franco Bittar Garcia).

Considerando a atual composição acionária da empresa, a oferta primária implica um aumento de 10,3% na atual base de ações. E a oferta secundária implicará na redução da participação do controlador para 64,55% (dos 75% atuais).

No caso de Ser Educacional, a oferta pública primária será feita dentro da faixa autorizada, com emissão que pode variar entre 8,2 milhões a 13,9 milhões de ações ordinárias, o que pode movimentar entre R$ 236,6 milhões e R$ 400 milhões. Ao preço de emissão de R$28,80 por ação (deságio de aproximadamente 10% frente à cotação do dia 12 de setembro). Após o aumento de capital, a quantidade de ações crescerá entre 6,58% e 11,13%. O controlador pretende vender até 13,9 milhões de ações, correspondentes a 11,13% do capital social total atual.

O mercado tende a enxergar esses movimentos de venda de ações por parte dos acionistas controladores como um indício de que a ação atingiu seu preço máximo, comportamento que é acentuada pelo quadro atual de múltiplas altas históricas do Ibovespa, que fechou esta quinta-feira a 74.656,68 pontos, com tendência de crescimento.

No entanto, essa lógica pode resultar equivocada no longo prazo se não se enxergar o contexto, os fundamentos da companhia e o setor em que ela atua. Por exemplo, apesar de os cofundadores do Google, Larry Page e Sergey Brin, terem anunciado em fevereiro de 2015 suas pretensões de vender mais de 8 milhões de ações (~1% da base acionária total) nos próximos 2 anos, o papel já acumula 70% de alta de lá para cá. Os acionistas minoritários que entraram em pânico e venderam suas ações terminaram perdendo um bom ganho.

Alguns dos acionistas controladores das empresas concentram riqueza sem liquidez e, por motivos financeiros pessoais, podem querer realizar suas ações – isso não é problema. No entanto, se muitos dos diferentes controladores passarem a vender suas fatias da empresa ao mesmo tempo e em um período curto de tempo, pode ser que impere um consenso administrativo na empresa de que a companhia performará pior do que o esperado pelo mercado.

O acionista minoritário também deve ficar de olho no histórico de vendas das ações dos controladores, isto é, caso seja observada uma tendência de venda em momentos de alta dos preços, o minoritário deveria entender que o ato, por parte do controlador, significa o topo do preço da ação.

Outro ponto de atenção é a quantidade de ações vendidas: largas fatias indicam não somente uma mera realização de lucros, mas a mudança da aposta, isto é, a decisão embutiria a crença de que o dinheiro estaria melhor alocado em outros investimentos. Por fim, mas não menos importante, o timing é essencial: empresas que passam por um mau momento e têm seus controladores desfazendo-se dos papéis indicam um improvável cenário de recuperação. E, de maneira análoga, vender ações em momentos de alta da bolsa de valores pode indicar que o papel pode não ser o melhor investimento possível. No entanto, estes sinais não podem ser observados individualmente e não podem ser indicadores absolutos de quando vender ou segurar as ações. Claro, podem servir de guia para uma decisão que se deve complementar, como sempre, com a avaliação constante dos fundamentos da empresa e as perspectivas do setor.

Dessa maneira, ficaremos de olho em ambos papéis. Por enquanto, reiteramos nossa recomendação neutra para ambos por não corresponderem as nossas preferências para os setores.

AZUL (AZUL4) – Voando até nas captações!  – Alvaro Frasson, CNPI

No final do pregão de 12/09, a Azul informou ao mercado e aos seus acionistas que realizará uma oferta secundária de 40.630.186 ações preferenciais. Utilizando como base o preço de fechamento de 12/09, esta operação poderá movimentar em torno de R$ 1,074 bilhão, e ocorrerá tanto no mercado brasileiro quanto no exterior, provendo maior liquidez ao papel.

Adicionalmente, caso haja um excesso de demanda referente à emissão, a companhia informou que poderá emitir um lote adicional de 4.063.019 ações, exclusivamente sob forma de ADSs e representadas por ADRs.

Dos acionistas que se propuseram vender suas respectivas participações, os papéis do fundo Saleb (do controlador David Neeleman, presidente da empresa) serão utilizados para quitar o acordo de divórcio entre Neeleman e sua ex-mulher. A companhia ressaltou que nem as participações de Neeleman na pessoa física, nem as da United Airlines, consideradas estratégias, sofrerão quaisquer alterações.

Apesar de ser sempre merecer atenção uma venda do controlador, nesta semana as ações sobem 9,1% dados intraday. Nossa interpretação é que, depois da leitura negativa inicial, o mercado voltou a focar nos fundamentos e perspectivas da empresa, e enxerga que o aumento de liquidez pode ser uma boa oportunidade.

Rodovias (ECOR3, CCRO3, TPIS3) – Tirando um peso do setor: abre-se o caminho para o futuro  – Alvaro Frasson, CNPI

O Governo Federal anunciou no dia 12/09, no Congresso da Associação Brasileira de Concessões Rodoviárias, que fará uma nova modalidade de concessões no país, batizada de Gestão Integrada de Rodovias (GIR).

Esta nova modalidade surge para suprir à necessidade do governo em manter as condições da malha rodoviária federal em trechos que são menos rentáveis para as concessionárias. As novas concessões terão prazo de 10 anos (hoje, em média, são 30 anos), até 300km de distância e terão como característica um pedágio fixo – o critério das licitações ainda não foi divulgado.

Como já ocorre com o setor elétrico, será criada uma Conta de Desenvolvimento Rodoviário (CDR) que funcionará como um Fundo para que o Estado compense aquelas rodovias com menor fluxo e, portanto, menor retorno.

Nesta semana as ações do setor sobem +3,1%, 4,8% e 2,5% para as ações da ECOR3, CCRO3 e TPIS3, respectivamente – dados intraday. Por quê? Porque é uma mudança importante que facilitará o desenvolvimento do setor, ao tirar um peso do setor (rodovias pequenas, não rentáveis).

Indústria automotiva (RAPT4, POMO4, MYPK3, FRAS3, LEVE3, TUPY3) – Só alegria. A retomada continua sobre rodas – Alvaro Frasson, CNPI

Nesta sexta-feira 15 de setembro, a General Motors (Gravataí/RS) e a MAN (Resende/RJ) anunciaram mil novas vagas de trabalho para as fábricas dada a crescente demanda por veículos em 2017. Segundo a MAN, é a primeira vez desde 2011 que a empresa negocia com sindicatos a realização de horas extras e o cancelamento de férias coletivas entre o Natal e o Ano Novo. Para a General Motors, tanto o mercado interno quanto a América do Sul têm demandado a empresa trabalhar 24 horas ininterruptamente.

Ainda nesta sexta-feira, a B3 anunciou o crescimento de 14,7% no financiamento de novos veículos pesados em agosto de 2017, na comparação com o mesmo mês de 2016.

A notícia é positiva, já que demonstra que a retomada do setor continua avançando a um ritmo saudável. Portanto, na semana as ações subiram: +3,2% RAPT4, +11,8% POMO4, +3,4% MYPK3, +11,4% FRAS3, LEVE3 +2,8%, TUPY3 +2,3% – dados intraday. Deste jeito, continuamos otimistas com as nossas recomendações de compra de RAPT4 e MYPK3.

JBS (JBSS3) – Avançando no conserto?  –  Raul Grego, CNPI

No início da semana, os principais executivos do grupo JBS – Joesley e Wesley Batista – foram presos pelo uso de informações privilegiadas para lucrar no mercado financeiro, entre abril e 17 de maio de 2017 (crime de insider trading).

Com o CEO da companhia na prisão, os acionistas trabalham na sucessão interna, sendo que os nomes mais cotados para a substituição são Gilberto Tomazoni (chefe de Operações) e Tarek Farahat (presidente do Conselho). A companhia anunciou também que vendeu a Moy Park para a Pilgrim’s, ambas as empresas são controladas pela JBS. Como a compra será financiada com dívida de longo prazo, o movimento paga dívidas de curto prazo, mantendo ambas as companhias dentro do guarda-chuva do grupo.

Apesar de que a saída dos controladores pode resultar em uma melhora na governança e que a redução da dívida é bem-vinda, as incertezas com relação à companhia e o caráter altamente especulativo do fluxo de notícias relacionado ao papel corroboram com a nossa recomendação de distância do papel enquanto esse cenário persistir.

Por hoje é isso! Semana que vem tem mais!

Não esqueça de mandar sua sugestão de nome desta newsletter. Estamos ansiosos pelas sugestões. Já na próxima publicação, divulgaremos os escolhidos. [email protected] , não percam a chance!

Ótimo final de semana a todos!