Vem para Caixa você também. Só que ainda não!

A Caixa Econômica Federal anunciou nesta quinta-feira o adiamento da oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) da Caixa Seguridade.

A Caixa Econômica Federal anunciou nesta quinta-feira o adiamento da oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) da Caixa Seguridade, devido ao “momento atual do mercado”.

São três notícias ruins para o mesmo controlador em um espaço muito curto de tempo. Conforme matéria da Fernanda Guimarães e Aline Bronzati publicada em 11 de Setembro (curiosa data) no Estadão, a perda do grau de investimento iria derrubar o preço das companhias brasileiras e inviabilizar IPOs.

Na mesma matéria o Diretor-Presidente da BM&FBovespa (BVMF3) Edemir Pinto, afirmou que por conta da queda nos preços “o preço das empresas está na bacia das almas”.

Hoje segundo a Agencia Reuters, Edemir voltou a repetir a frase acima com um adendo: ele teria afirmado que “seria uma loucura uma empresa abrir capital nas atuais condições de mercado”. A expressão veio durante anúncio de programa de governança corporativa para empresas estatais listadas.

Por mais que seja de domínio público o tamanho da turbulência que vive nosso mercado, que recado dá aos acionistas da BVMF3 o principal executivo, ao afirmar que não aconselha companhias a listar suas ações “com a sua empresa”?

É um balaio de notícia ruim de uma vez só. Seguimos em um círculo vicioso. Concentração de acionistas e companhias.

Quanto às companhias, IRB e BR Distribuidora parecem ter problemas bem mais sérios do que a tempestade que assola o mercado nacional. Baixo apelo e pouca transparência podem dificultar o volume e o preço alcançado pelo IRB. Na BR Distribuidora, o excesso de transparência (exposição) do controlador (Petrobras) e do controlador do controlador (Governo) fazem esta oferta acontecer agora um movimento sem sentido. Quem confia na governança desta companhia atualmente?

Quanto à Caixa Seguridade, ainda que o negócio seja atraente e que seu “par” BB Seguridade (BBSE3) tenha sido uma das queridinhas recentes da Bolsa, a percepção de valor está comprometida pelo momento do mercado, conforme alardeado sem ressalvas pelo próprio Presidente da Bovespa.

Agora fica a pergunta: é hora do governo exigir valor? Enquanto a companhia não for pública, o ônus da depreciação é do “dono”. O que é pior neste momento? Levantar menos dinheiro que o ideal mas recompor um pouco do seu caixa com um movimento lícito e aguardando a valorização posterior ou seguir transferindo a responsabilidade da solução para a sociedade? Uma oferta menor poderia impulsionar a companhia e a receita do “controlador”, criando um potencial caminho sólido de desenvolvimento e valorização do ativo.

Quem sabe essa turma toda reunida não monta uma campanha relembrando outra que tanto sucesso fez?

“Vem para Caixa você também. Só que ainda não”